A Alemanha andou à nora para absorver a RDA e fazê-la recuperar da desgraçada situação em que o comunismo a tinha deixado.
Não havia dinheiro que chegasse. Os défices do Estado cresciam, chegando a ultrapassar os 3% do pacto de estabilidade que estava nos tratados. Daí, a Alemanha baixou os salários, o IRC, tomou outras medidas de austeridade, tão ou mais duras que estas e protegeu as exportações. Tudo isto foi feito com o aval do Tribunal Constitucional lá do sítio. O resultado está à vista, não vale a pena descrevê-lo.
Diga-se que isto não serve de desculpa para algumas atitudes actuais do governo alemão, nem o IRRITADO se propõe desculpá-las, ou é esse o tema do post.
Por cá, os problemas são muito mais graves. O buraco, proporcionalmente, deve equivaler a cinco ou seis RDA’s. Não carece de demonstração. O governo tomou uma medida que, talvez pretendendo “imitar” as soluções alemãs, foi apresentada de forma canhestra e brutal. Poucos a entenderam e quase não há quem a defenda. O tribunal constitucional colabora activamente no afundanço do país. A desgraça fatal da nossa Constituição ajuda à missa.
O mais grave é que ninguém parece querer entender que o rendimento disponível tem que diminuir, mesmo sabendo que não há rendimento disponível, só empréstimos. Não há quem queira entender que as tão apregoadas pequenas empresas, que “dão” tantos empregos, as mais das vezes não passam de bares, restaurantes e coisas do género, desnecessárias e inviáveis. E, se não for o governo a encontrar outra solução, não há truta que a conceba.
Trinte e tal anos de socialismo constitucional, trinta e tal anos de democracia socialista – praticada pelo PS e não contrariada pelos outros – trinta e tal anos de “estado social”, a crédito de terceiros, trinta e tal anos de “experiências educativas” socialistas e “psicológicas”, eis o que nos fizeram. Agora, os que são acusados de querer acabar com o socialismo, acabam à contrecoeur, por ter políticas socialistas. E ninguém pensa em dar uma volta de mestre à Constitução, ninguém tem força para parar os gastos do Estado, ninguém tem imaginação para incentivar um capitalismo criativo e com base em leis simples, ninguém consegue pôr a burocracia – ignóbil monstro – na ordem.
Às vezes, parece que os portugueses anseiam por uma ditadura.
20.9.12
António Borges de Carvalho

Deixe um comentário