IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


SEM SAÍDA?

 

A Alemanha andou à nora para absorver a RDA e fazê-la recuperar da desgraçada situação em que o comunismo a tinha deixado.

Não havia dinheiro que chegasse. Os défices do Estado cresciam, chegando a ultrapassar os 3% do pacto de estabilidade que estava nos tratados. Daí, a Alemanha baixou os salários, o IRC, tomou outras medidas de austeridade, tão ou mais duras que estas e protegeu as exportações. Tudo isto foi feito com o aval do Tribunal Constitucional lá do sítio. O resultado está à vista, não vale a pena descrevê-lo.

Diga-se que isto não serve de desculpa para algumas atitudes actuais do governo alemão, nem o IRRITADO se propõe desculpá-las, ou é esse o tema do post.

Por cá, os problemas são muito mais graves. O buraco, proporcionalmente, deve equivaler a cinco ou seis RDA’s. Não carece de demonstração. O governo tomou uma medida que, talvez pretendendo “imitar” as soluções alemãs, foi apresentada de forma canhestra e brutal. Poucos a entenderam e quase não há quem a defenda. O tribunal constitucional colabora activamente no afundanço do país. A desgraça fatal da nossa Constituição ajuda à missa.

O mais grave é que ninguém parece querer entender que o rendimento disponível tem que diminuir, mesmo sabendo que não há rendimento disponível, só empréstimos. Não há quem queira entender que as tão apregoadas pequenas empresas, que “dão” tantos empregos, as mais das vezes não passam de bares, restaurantes e coisas do género, desnecessárias e inviáveis. E, se não for o governo a encontrar outra solução, não há truta que a conceba.

Trinte e tal anos de socialismo constitucional, trinta e tal anos de democracia socialista – praticada pelo PS e não contrariada pelos outros – trinta e tal anos de “estado social”, a crédito de terceiros, trinta e tal anos de “experiências educativas” socialistas e “psicológicas”, eis o que nos fizeram. Agora, os que são acusados de querer acabar com o socialismo, acabam à contrecoeur, por ter políticas socialistas. E ninguém pensa em dar uma volta de mestre à Constitução, ninguém tem força para parar os gastos do Estado, ninguém tem imaginação para incentivar um capitalismo criativo e com base em leis simples, ninguém consegue pôr a burocracia – ignóbil monstro – na ordem.

Às vezes, parece que os portugueses anseiam por uma ditadura.

 

20.9.12

 

António Borges de Carvalho



4 respostas a “SEM SAÍDA?”

  1. Trinte e tal anos de socialismo constitucional, trinta e tal anos de democracia socialista – praticada pelo PS e não contrariada pelos outros – trinta e tal anos de “estado social”, a crédito de terceiros, trinta e tal anos de “experiências educativas” socialistas e “psicológicas”, eis o que nos fizeram. É uma descarada e safada mentirola,estilo Passos Coelho,depois do 25 de abril,a direita esteve mais tempo no poder que os tais socialistas que o irritam.

  2. Não sei o que é melhor: se comparar Portugal à Alemanha(!), mesmo a dos anos 90, se a descontracção com que fala de milhares de empresas falidas, e de centenas de milhares de desempregados. Ah, mas já me esquecia – como são pequenas, umas porcarias de «bares, restaurantes e coisas do género», todas obviamente «desnecessárias e inviáveis», ainda bem que vão à falência! Os empresários e funcionários desempregados podem assim tornar-se finalmente úteis, indo todos para empresas grandes – empresas como deve ser!, daquelas com sede fiscal em offshores. Aos raríssimos que não encontrem lá emprego, ou que não consigam emigrar, resta sempre o subsídio de desemprego (menos aos ex-empresários), provavelmente seguido do RSI. Fantástico. Claro que o Estado passa a ter mais despesa, e perde os impostos e a segurança social das empresas falidas; mas que importa esse pequeno detalhe, face ao grande PREC Laranja? E que importa a miséria de tantos, face à grande batalha por um «capitalismo criativo»? Fica apenas a dúvida: será que os nossos governantes e os nossos banqueiros (passe o pleonasmo), os líderes e os grandes lobbies (idem) americanos e europeus, e os inevitáveis “mercados”, conseguem ser AINDA MAIS criativos do que isto?

    1. Nãp comparei Portugal à Alemanha. Comparei a reacção dos portugueses como o FB à reacção dos alemães aos sacrifícios que lhes foram pedidos, o que é diferente.Concordo que os problemas e os pontos de partida são diferentes. Para os alemães tratava-se de financiar a unificação, entrando num buraquinho, para nós trata-se de finaciar a dívida, a partir de um buracão.A ninguém interessa que os dez milhões de portugueses estejam ou continuem a estar de tanga, ou até sem tanga. Dez milhões, em linguagem “economicista”, como se diz agora, são um mercado não negligenciável seja para quem for.Se me disser que os “outros” não têm sabido encontrar soluções para nós (e para eles!), concordarei. Mas, mesmo que as encontrassem, não deixaríamos, por isso, de estar metidos nas passas do Algarve. O problema é que, com o que nos “oferecem” ou com outra coisa melhor, o nosso problema é de longo prazo, e não há uma única medida a dar resultados a curto ou médio prazo.É disto que temos que estar conscientes. A falta de soluções rápidas da direita, apesar de tudo, pode vir a dar algum resultado numa década. As soluções que a esquerda canta, ou berra, essas seriam um buracão para um século.

  3. O país está num estado miserável. Está num impasse. O futuro será pior. Será caos porque:a.A República Portuguesa não é um estado de direito. É um estado de arbítrio. Uma tirania. Um império de ladrões. Portugal precisa de assistência jurídica.b.Os partidos políticos agem como bandos de delinquentes. Não existe a noção do direito nem o hábito de ajuizar. A Constituição é um livro branco.c.O povo não tem direitos porque a soberania os não garante. Proclama-os em conflito para sacrificar os direitos de uns em prol dos interesses de outros. Sacrifica-se o direito de propriedade e proclama-se o direito de roubar.d.O povo não tem justiça porque a oligarquia reinante a captura diariamente através do Tribunal Constitucional, inteiramente nomeado pelo poder político, o qual arbitra acima da lei e por cima da interpretação dos tribunais judiciais, anulando ad nauseam. Funciona como uma super instância arbitral acima da soberania do povo.Quando assim é, não adianta mudar parlamento e governos. Os consensos políticos só potenciam a roubalheira. É necessário mudar de República. É urgente constituir e construir um estado de direito democrático. A revisão de 1982 constituiu um estado coxo. Tão aleijado como o cérebro dos constitucionalistas que o conceberam. A soberania abdica do poder judicial que fica refém de poderes intermédios e o poder político mina os órgãos de disciplina das magistraturas introduzindo advogados em exercício.

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