De há longos anos conhecíamos as “doutrinas” do Centeno, bem como os seus brilhantes resultados, os orçamentos do Estado aldrabados com cativações, as ribombantes declarações sobre a “não austeridade”, os aumentos de impostos, o emagrecimento da economia, a falta de dignidade e de vergonha com que se assenhoriou do Banco de Portugal, etc.
Ei-lo agora a vir, do alto púlpito tal banco lhe garante, disfarçar os seus erros e presentear-nos com novos palpites, num nunca acabar de falta de senso, de lata e de auto-elogio. Veja-se a basilar declaração, vastamente por aí reproduzida, como segue: a crise pandémica é “exógena, temporária e não deixa marcas na economia além da queda da atividade”. Vejamos a lógica do luminoso intelecto de sua excelência. A crise pandémica (coisa vinda de fora) provocou a queda brutal da actividade económica, ou seja, uma coisa menor, que não vai deixar marcas. Por outras palavras, o desemprego, as falências em catadupa, as pessoas fechadas em casa, a morte dos hotéis, dos restaurantes e similares, o fecho das escolas e todo o cortejo de miséria que por aí grassa, é mero pormenor, um pequeno inconveniente que “não vai deixar marcas”, a não ser “temporárias”, na economia.
Deve ser por isso, diz ele, que as medidas de apoio à economia devido à pandemia vão ter de terminar. Tem toda a razão. É que, seguindo o seu brilhante raciocínio, se as marcas são temporárias, não há nenhuma razão para que os apoios não o sejam também. Uma triste verdade, se pusermos as coisas no sítio: os apoios não vão acabar por não ser precisos, vão acabar quando acabar o dinheiro. Desde que, é de ver, sem que o socialismo acabe também.
Vem aí a bazuca (se vier). A bazuca vai a judar o país a sair da crise? Vai, se considerarmos que o país “é” o socialismo. É por isso que os planos do governo são, quase exclusivamente, para auxílio ao Estado, não à economia. A bazuca, como está expresso no chamado PRR, é, acima de tudo, o seguro de vida do socialismo estatista, não o balão de oxigénio que ajude a salvar o futuro da economia.
Em extremosa cooperação com o poder socialista/comunista/neo-comunista, vem Centeno corroborar, por exemplo, as palavras do inaceitável Costa, quando anuncia a contratação de mais uns milhares de funcionár0s públicos, ou seja, de eleitores.
E é nesta doce harmonia dos poderes públicos que vivemos. Que bom!
8.5.21

Deixe um comentário