IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


QUANDO MAL, SEMPRE PIOR

Às vezes meto conversa com os comerciantes aqui da zona.

Dona Carmelinda, patroa de uma loja de cabeleireiro contou-me que uma empregada se tinha despedido porque trabalhar não valia a pena. Tinha prestações do governo, rendimento social ou coisa que o valha, a junta pagava-lhe a renda e mandava-lhe uma refeição quente todos os dias. Parece que, no caso, ainda estava candidata a outro subsídio qualquer. Trabalhar para quê? Facto é, dizia a Carmelinda, que não há quem se ofereça para trabalhar, tenho vagas mas não quem as queira.

O senhor Luís, ilustre dono de duas tabacarias, contava coisa parecida: calcule que ando há dois meses a pôr anúncios, e não há quem queira vir para aqui aviar ao balcão!

Naturalmente, achei que a Carmelinda e o Luís, ou andavam a contar histórias ou pagavam tão mal que ninguém os queria. Que fossem bugiar!

Eis senão quando vem o IEFP deitar uns números cá para fora. Para citar dois ou três exemplos (há-os aos pontapés), na construção há 2.562 ofertas de trabalho que ninguém quer, no alojamento e restauração são 2.358 e, ao todo, em Julho havia 11.486 ofertas de emprego por preencher. Números oficiais, o que quer dizer que os do mercado em geral são bastante mais altos.

Parece que, afinal, a Carmelinda e o Luís tinham carradas de razão.

Eu sei, eu sei que os ordenados são miseráveis, o que torna a pendura pública uma oportunidade a não subestimar. Mas também sei que a pendurice social tem evidentes efeitos anti-sociais, anti económicos e, pior, mete ilusões na cabeça de cada um cujo resultado será, a curto ou médio prazo, catastrófico.

Outra solução, que não a dependência institucionalizada, tem o chamado governo para problemas deste género: a concretização de ofertas públicas de emprego às dezenas de milhar. É o ideal: emprego para a vida, garantido pelos impostos das minorias pagantes e pelo desmesurado inchar da dívida.

Não sei quando isto acaba, mas sei como: acaba mal, muito mal.

 

14.9.21



8 respostas a “QUANDO MAL, SEMPRE PIOR”

  1. O Irritado deve estar muito esquecido.Essas histórias já foram contadas há uns anos atrás, e também foi colocado a pergunta: como é que a rapariga estava a trabalhar (oficialmente?) e recebia todos aquelas prestações do governo?

  2. Num país normal, se se quisesse, por exemplo, dar melhor qualidade de vida dessa gente, até se poderia manter esses subsídios ou apenas alguns com a condição de essa pessoa aceitar emprego e estar empregado acumulando o salário que será miserável com os subsídios. Porque muita dessa gente não vai ficar em casa a viver só do subsidio…vai trabalhar pela porta do cavalo!!!Há outro tipo de truques, que me aconteceu com a empregada doméstica, e segundo vim a saber pela Seg. Social é comportamento generalizado e do conhecimento dos mesmos…Pois parece que depois de ano e meio a trabalhar o empregado passa a ter direito a baixas médicas pagas a 100%. Pois parece que ao fim de ano e meio a trabalhar, as senhoras empregadas domésticas (e muito provavelmente noutras profissões), arranjam forma de ser despedidas, ou não trabalhando como deviam, ou sendo mal educadas, etc etc . Depois de serem postas a andar, aparece na casa do “antigo” patrão uma baixa médica com data anterior ao dia em que foram despedidos…essa baixa médica, vai sendo renovada até ao máximo de 6 meses, em que a empregada despedida (que de cara ao estado não está despedida) recebe 100% do salário…no final do máximo da baixa médica, vem a srª descaradamente fechar contas e passar para a vigarice seguinte!!!! Ora, a minha empregada, nova e cheia de saúde (apesar de em média ficar “doente” e faltar ao trabalho 1 a 2 dias ao mês), de repente mete 4 baixas médicas durante 6 meses depois de ser despedida, passadas as primeiras três baixas sempre pelo mesmo médico e a ultima a mais prolongada por um outro médico…que sem pudor ou qualquer tipo de controlo passam baixas médicas como quem passa uma receita para uma aspirina!!!Segundo a Seg. Social, é tudo normal, e conhecido o truque por toda a gente mas não podem fazer nada…só podem agir se descobrirem ou tiverem uma denúncia se a Srª empregada estiver a trabalhar noutra casa durante o período da baixa médica!!!!Assim vai Portugal…uns a trabalhar para sustentar um bando de vigaristas!

    1. ‘….mete 4 baixas médicas durante 6 meses depois de ser despedida..’ .Sim senhor ou senhora, isto não se faz.Um dos grandes acontecimentos do nosso País é este grande flagelo das empregadas domésticas!!!! Veja-se que até algumas falta 1 a 2 dias!!!!! por mês por doença (provavelmente problemas menstruais, digo eu).Até têm direito a 100% ?!?!?do salário na baixas médicas e os médicos passam baixas sem pudor. Mais um assunto para a policia resolver por causa dos milhões dos nossos impostos envolvidos nestas vigarices. Mais uma história já contada há vários anos: o grave problema das empregadas de limpeza. Evidentemente que tudo começou com o aparecimento deste serviço passar a ser feito por mulheres imigrantes africanas.Palavra d’honra, não há o mínimo sentido do ridículo, estamos perante em mais um mito urbano. A grande maioria destas mulheres nem sequer faz descontos, ela ou a patroa, para a Seg. Social, por isso como é que pode ter direito a baixa e subsídio de doença …e a 100%. Os únicos subsídios de doença a 100% são: gravidez de risco, doente tuberculoso com família a cargo, baixas prolongadas de doentes oncológicos e, agora, durante 28 dias devido a covid .O Irritado com a sua da cabeleireira arranjou esta das mulheres da limpeza. Ainda vai arranjar uma como aquela do Manel da Churrascaria que a culpa disto é o IVA que ela paga todos os meses (não refiro a habilidade das vendas dos frangos “crus”). Eu bem lhe digo: Sr. Manuel não é você que paga o IVA são os clientes, você é apenas depositário desse dinheiro mensal/semestralmente para a entregar ao Estado e ainda pode abater o que paga no que compra para a sua actividade, que em muitos casos ainda tem reembolso.

      1. 4 baixas são duas primeiras de 5 dias, depois uma de 1 mês e outra do restante…- o problema das empregadas domesticas, é replicável a muitas outras profissões como empregados de restauração ou de hotelaria etc… o problema não é só nas empregadas domesticas- caso de policia seguramente…mas é mais caso e vontade politica em controlar a fraude generalizada e do conhecimento de todos…- grande parte das mulheres que não fazem descontos não estão incluídos neste problema, estão em outros, como eu tento fazer tudo by the book, faço contracto e os respectivos descontos. – já muitos que eu conheço a quem conto a minha aventura, riem-se como se eu fosse a parva, e respondem-me ” é por isso que eu não faço contractos com a empregada e só pago à hora…”, – outros dizem-me nunca contractes portuguesas que sabem os truques todos e só arranjam problemasé o país que temos…

        1. Porquê só arranja esses problemas nessas profissões “mais baixas”? Nas outra profissões isso, também, não acontece? Claro que acontece, mas é mais popularucho atacar as mulheres da limpeza e os empregados da restauração por serem maioritariamente emigrantes africanos. É de azar haver pouca gente de cá nessas profissões. Até os patrões reclamam não aparecer ninguém para trabalhar. Porque será? Será mesmo que não querem trabalhar ou o que lhes é pago nem chega para ir para o trabalho.

  3. Estou como a Dona Carmelinda: é muito difícil encontrar quem queira, já nem digo quem saiba, trabalhar. Mas ó Irritado, ia v. para o cabeleireiro ou para as obras? Passava os dias a cozinhar, a servir à mesa, a limpar penicos? Algum dos seus filhos ia? Algum dos seus netos? Algum dos netos dos seus amigos? Duvido que um. Claro que o salário é mau, mas a questão vai mais fundo. Sempre houve maus empregos, maus salários: agora há mais ‘pendurice social’, sim, mas há sobretudo mais noção do absurdo. Do absurdo que é viver assim. Sabe porquê? Porque o capitalismo no-lo mostra todos os dias.

  4. O passado era mais pobre e difícil, mas era mais igualitário – ou a desigualdade era menos exposta. Não havia internet, mil canais e redes sociais onde ver os ricos e famosos, as ricas vidas, a classe média-alta ou só média-vaidosa, o ‘sucesso’ alheio.Hoje isso entra-nos pelos écrans todo o dia. A vida é cada vez mais o que se mostra aos outros. Ora trabalhar nas obras ou no supermercado não só não dá para comprar uma casa – tal a mama do imobiliário – como não rende no Instagram. Não mete inveja, pelo contrário, só nos certifica como ‘losers’. Não temos mais; não valemos mais. É a lógica americana, a lógica capitalista. Quem está para isso? E a mentira do ‘mérito’, do esforço, do valor moral e intrínseco do trabalho já só ilude otários: para quê trabalhar quando se ganha incomparavelmente mais a alugar casas, a ‘investir’ na bolsa ou em criptotretas, a ser ‘youtuber’, ‘influencer’, futeboleiro, político, gestor, actor, cantor, tudo menos trabalhador? Quem quer passar uma vida – curta e irrepetível – a trabalhar em vez de mamar à grande, Irritado? Conhece alguém?

    1. É tudo isso que escreve. Apenas faltou aquela, que infelizmente vem de quem já quer entrar no ‘eu é que sei’, quando dizem ‘esperto é ele’ em vez de grande vigarista.

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