Ontem, as parangonas dos jornais ditos “de referência” (não se sabe o que isto quer dizer, mas fica bem) proclamavam que as universidades tinham sido, pelo governo, proibidas de aumentar as receitas próprias. Muita gente, achou, e com razão, que o governo não estava bom da cabeça.
O IRRITADO ficou siderado. Então, e a desejável independência do ensino universitário? Letra morta? E a colaboração com a economia, os programas internacionais de investigação, tudo o que poderia encaminhar o ensino superior público para uma filosofia mais privada passava a ter limites de receita? Alguém devia estar a gozar com o pagode.
Os Magníficos Reitores das universidades reuniram de emergência. Depois, chamaram os media para, urbi et orbe, proclamar a sua justa indignação. O IRRITADO achou bem. Uma decisão inexplicável e burra do governo.
Pela calada da noite, resolveu o IRRITADO ir às letras mais pequenas. O que encontrou foi isto: os tipos do orçamento impõem que “o crescimento da receita superior ao valor de 2012 está sujeito a uma explicação detalhada assente nos factores de mercado ou incremento dos factores internos que o justificam’”. Dando de barato o hermético linguarejar dos tipos das finanças, o IRRITADO não consegue vislumbrar onde está a proibição de aumentar as receitas próprias. Ou o IRRITADO é burro, ou não está lá nada disso. O que está é a, pelo menos aparentemente absurda, criação de uma fiscalização especial para os tais aumentos de receita.
Aqui há tempos, lembram-se?, os mesmos Magníficos fizeram um escarcéu dos diabos porque o governo atrasou por uma semana os pagamentos das cantinas. Ai Jesus, que os alunos vão padecer arrasadoras fomes, ai que os fornecedores não aguentam oito dias, ai ai ai. Como é evidente, não havia problema de espécie nenhuma. O problema era termos um grupo de Magníficos ansiosos de mediática promoção e cheios de rancor ao poder político.
Agora, estamos na mesma. Ou o IRRITADO não sabe ler, ou não houve proibição nenhuma. O que há, e que não tem explicação pelo menos para as pessoas normais, é uma vigilância acrescida, eventualmente um estorvo, sobre uma coisa que todos, a começar pelo governo, deviam desejar aumentasse sem outros entraves que não os da decência, da honestidade e do serviço do ensino, da investigação e da economia. Coisa que não justifica, antes torna redondamente falsas as parangonas dos jornais, bem como completamente desproporcionadas as movimentações dos Magníficos Reitores.
Do assento etéreo das suas cátedras descem às vergonhosas profundezas do bigodes ou da Avoila!
Para quê? Politiquice ou ânsia de notoriedade pessoal?
28.8.13
António Borges de Carvalho

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