As diatribes da esquerda contra o ilustre defunto, a quem chama os mais terríveis nomes, dão-nos uma imagem clara da cultura de esquerda, pelo menos da cultura de esquerda em Portugal.
Os que fazem gala em assacar-lhe as maiores tropelias são os mesmos que são capazes de tecer loas ao Cunhal, um estalinista feroz, que coonestou dezenas de milhões de mortos, que quis precipitar o seu próprio país na mais horrenda das ditaduras, que foi um dos mais fiéis representantes de uma potência estrangeira cujos interesses sempre serviu acima de quaisquer outros, que elogiou os tanques de Praga, que disse que em Chernobil tinha havido “uma pequena avaria”, que, que, que… tudo em nome do povo e dos trabalhadores, qual Hitler, qual Mussolini, qual Castro, qual Lenine.
E, no entanto, a direita portuguesa nunca insultou o seu cadáver nem se opôs a votos de pesar pela sua morte. Perante os restos mortais de alguém, de uma pessoa humana, boa ou má, a direita abstém-se de criticar. Fê-lo em vida, se o fez, e fá-lo em relação às suas ideias, se outras tiver.
A decência é algo que, perante a morte, mais deveria manifestar-se. A diferença entre o que pensamos e o que pensam os outros, se formos decentes, não se manifesta contra cadáveres.
O espectáculo que os comentadores de esquerda têm vindo a dar a propósito do passamento do Professor António Borges, mais do que uma imoralíssima porcaria, é manifestação de uma cultura fundada no estranho convencimento de que a esquerda é dona e senhora da democracia, que o socialismo é a única doutrina válida, que uma Constituição esquerdóide e estúpida como a nossa pode ser fonte de felicidade, de emprego e de progresso.
Não colhe, neste post, defender ou atacar as ideias do extinto. Mas, que diabo, com o cadáver ainda quente, insultar um homem pelas suas ideias e pela frontalidade com que as defendia é mais que indecente. É porco!
Ou será uma consequência da moral republicana?
29.7.13
António Borges de Carvalho

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