IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


AÍ ESTÃO ELES (E ELA)!

 

 

Como o IRRITADO teve ocasião de prever, com desgraçada razão, o meritíssimo presidente do TC fez a selecção com a devida eficácia, com mais eficácia até do que o IRRITADO pensava.

E a procissão ainda vai no adro. Dentro de dias virá a decisão sobre os autarcas. Ou muito me engano, ou as contas dos meritíssimos vão ser feitas como segue. Quem é mais prejudicado se a decisão de não os deixar concorrer? A direita ou a esquerda? Se é a direita, então, pumba! E daí, dirá alguém mais preocupado com os “direitos” da esquerda, é facto que o PC também vai ter os seus problemas. Por isso, talvez o melhor seja auscultá-lo, a fim de não haver prejuízos de maior… quid juris? Uma batata difícil de “dijurir” não é?

Para já, a filosofia constitucional, como interpretada pelos meritíssimos, impõe uma coisa verdadeiramente extraordinária: a “segurança” do emprego público, coisa incompatível com a lei do governo, entendida a tal segurança como o “direito” ao emprego vitalício. Ora a natureza de qualquer relação contratual implica um começo e um fim, estabelecendo condições para uma e outra coisa. Até os contratos mais “blindados”, como, por exemplo, o casamento, têm salvaguardado o direito ao fim, no caso ao divórcio. A natureza do emprego é a precariedade, não a “segurança” como TC a entende, ou seja, como a esquerda diz entender.

Se, em termos de princípio, se põe as coisas de pernas para o ar, nada de positivo daí sairá. Uma coisa é reconhecer aos empregados o direito a recorrer dos despedimentos, outra é consagrar o emprego para a vida, seja na pública seja na privada.

É evidente que o TC outra coisa não faz senão política. Porque se quisesse encontrava na Constituição argumentos para decidir ao contrário. Se não encontra é porque não quer. O que faz é política. Por outras palavras, gosta tanto deste governo como o Jerónimo.

Se não temos moeda, a solução é a desvalorização salarial. O Mário Soares, com toques cambiais, desvalorizou os salários em 30 ou 40 por cento. Coisa que o actual governo não fez, nem nada que se pareça. Mas que, de uma forma ou de outra, acabará por acontecer, quer se queira quer não. Já está a acontecer. Toda a gente sabe isso, só que há quem pense, por pura cegueira ideológica, por inconsciência ou por ignorância, que há outras saídas. O que é, manifestamente, o caso do TC: os “despedimentos” na função pública outra coisa não são que uma das formas da tal desvalorização.

Enfim, estamos metidos numa camisa de onze varas. Ela, a Constituição, aí está ela, quando interpretada formal e restritivamente, continua a criar as varas. O TC, aí está ele, fornece o colete, via oposicionismo primário.

A fechar esta coisa, uma palavra mais ou menos cómica. O chefe da oposição, inamovível, indiscutível, principesco, poderosíssimo, sem nada nem ninguém que se lhe possa opor, imune a recursos, “pressões” ou críticas, fez uma figura do mais ridículo que se possa imaginar: tentar justificar a selecção, as férias, os privilégios. Foi de partir a moca. O “deus” a meter os pés pelas mãos por causa das férias do “anjos”. Quanto mais alto se sobe de mais alto se cai, não é?

 

29.8.13

 

António Borges de Carvalho



17 respostas a “AÍ ESTÃO ELES (E ELA)!”

  1. Avatar de XXI (militante PSD)
    XXI (militante PSD)

    Quando um Governo viola ostensivamente a Lei, concomitantemente com as suas promessas eleitorais, sé tem um caminho: SER DEMITIDO.Tal “orientação” já germina dentro do próprio Partido.

  2. «… a política serve precisamente para fazer política, mesmo orçamental, que é o que se costuma fazer nestas ocasiões. Se se pensa que é tudo resumível à mercearia e à ominosa Constituição que não “compreende” a mercearia, então alguém está equivocado. As coisas são o que são.»Mesmo com esta brilhante síntese, é difícil entender? É caso para questionar o seu QI!

    1. «Não vale a pena armar nenhum psicodrama por causa da decisão do Tribunal Constitucional. Era expectável. O Tribunal não tem de fazer contas nem “ajudar” a promover a “reforma do Estado” a qual, aliás, se tem traduzido em puros movimentos de tesouraria e de contabilidade e em pouco de “estrutural”. Nem sequer se lhe pede que exiba um “pensamento” acerca da dita “reforma”. Essa é uma tarefa política que cabe aos órgãos eleitos e seus derivados.»

      1. O TC tem a mais estrita obrigação de, sem “torcer” a Constituição, atender às circunstâncias. Tem a mais estrita obrigação de não tomar decisões inspiradas por ideologias políticas. Tem a mais estrita obrigação de encontrar, na Constituição, normas que se adaptam às circunstâncias, e essas normas também lá estão. Se não as usa é porque não quer. Como justificar o não despedimento dos funcionários públicos com o princípio da igualdade? A Constituição não rege a vida dos funcionários, mas a dos cidadãos em geral. Então, se uns, os privados, podem ser despedidos, outros não, os públicos, onde está o princípio da igualdade? Isto é só um exemplo da politiquice partidária e ideológica do TC. Para meditação dos admiradores da coisa.

        1. Avatar de "Anónimo" (mas, na verdade, "CONHECIDO")
          "Anónimo" (mas, na verdade, "CONHECIDO")

          “Como justificar o não despedimento dos funcionários públicos com o princípio da igualdade?”Que tal utilizando os instrumentos que a Lei existente ainda preconiza?Que tal a existência da “justa causa” emergindo do objecto do contrato de trabalho em funções públicas?Mas, sobretudo, permitir aos “funcionários públicos” a igualdade do exercício da resolução desse contrato por alteração unilateral (por parte dos seus amigos “pulhiticos” – feliz expressão de Filipe Bastos) das clausulas do contrato, mormente diminuição do salário e aumento das horas de trabalho? Conheço tantos “funcionários públicos” que de imediato resolveriam esse “contrato”, exigindo a indemnização que os trabalhadores no privado têm direito! É isto a IGUALDADE. Entende? Se assim é, então opte por defender essa IGUALDADE, como eu o tenho feito.

  3. Não se mexe na estrutura.Mas quando se quer mexer,aqui del rei que estão a mexer!Isto é um país de loucos,manipulados por trafulhas mafiosos.Quando o Estado português não tiver dinheiro para pagar salários,nem recorrendo à escravização fiscal dos trabalhadores do sector privado,quero ver os juízes do Constitucional a decretarem a inconstitucionalidade da fome e da revolta.

  4. Nada a ver com o tema (malhar nos chulos do TC e na Constituição esquerdalha já cansa), e peço desculpa pelo longo post, mas vi há pouco um programa que ajuda a explicar muita coisa. Ajuda a explicar, por exemplo, como é que a sociedade ocidental chegou a este ponto – com ou sem constituições esquerdalhas. O programa dá na Sic Radical, e chama-se “Tanque de tubarões”. Os tubarões (cujo nome significa algo entre “loan sharks”, agiotas, e capitalistas agressivos) são 5 milionários, aos quais vários concorrentes apresentam propostas de negócios, e eles decidem investir ou não. Uma americanada, claro. Pois bem, apareceu lá um tipo que inventou uma engenhoca para instalar em carrinhas, daquelas “pickups” muito populares na América. A engenhoca permite torná-las mais versáteis, ou transportar mais coisas, algo assim. Pedia 150.000 dólares para investir no negócio, e tinha uma única exigência: a engenhoca teria de continuar a ser produzida nos EUA. Os tais milionários perguntaram-lhe: “e que tal produzi-la na Ásia, onde é mais barato?”. O tipo disse que não, por 2 motivos: 1) para manter a qualidade; 2) para ajudar a economia americana, criando empregos. Aceitava ter menos lucro, desde que empregasse americanos e não chineses. Deu-se mal, é claro. Os fulanos despacharam-no como idealista/maluco. Não é relevante se o programa é treta ou não, se é real ou mera encenação. O relevante é que foi devido a esta mentalidade, comum a todo o Ocidente, que chegámos aqui: certos MAMÕES “offshorizam” o trabalho, e os lucros que ganham com a exploração de semi-escravos do outro lado do mundo. Isto não tem a ver com patriotismos atávicos, é uma questão muito prática: sem trabalho, as pessoas hão-de viver do quê? E hão-de pagar os produtos – produzidos na Roménia, na China, na Índia, ou no Vietname – com o quê? Por que raio não temos restrições contra produtos “made in China” e noutros lados, que não respeitam qualquer valor ocidental, qualquer base mínima de decência? É a “economia global”, justifica o liberalismo mais acéfalo. É a FALÊNCIA global, diz a realidade. O desemprego dispara, o PIB cai, só os mamões, offshores, e restante canalha banqueira se enchem com isto. Não tenho rigorosamente NADA em comum, a nível pessoal, com o tipo americano que apresentou a engenhoca, mas simpatizei com ele: queria vender algo bom, e queria criar empregos. Recebeu um “não!” na cara. A malta quer é dinheiro rápido, dinheiro fácil. Os resultados estão à vista.

  5. Sr. Irritado, gostei dessa do «toda a gente sabe». Eu não sei e não sei o que o senhor sabe que eu sei. O que eu sei é que a lei não é igual para todos e a massa monetária roubada à classe média nos últimos anos dava para vários resgates.Sobre o facto de o senhor alinhar pelos senhorios e ter referido 1912 quero dizer-lhe que entre 1970 e 1972 por motivos de mudança do local de trabalho arrendei casa sem dificuldades através daqueles rectangulozinhos de papel branco colados nos vidros das janela em Coimbra, Águeda, Bons Dias em Odivelas e Oeiras. Não faltavam casas mesmo com rendas tabeladas. E o estado era intervencionista e não havia inflacções de mais de 30% ao ano.

    1. Avatar de o Oposto do Irritadlo (será Besta?)
      o Oposto do Irritadlo (será Besta?)

      «…amigo leitor, se alguma vez o convidarem para se imolar no altar da pátria, pense três vezes se não tiver “amigos” e a isto juntar um estilo pimpão ou um insuportável mau feitio que não vai com o respeitinho. Pense pelo seu passado, presente e futuro e, sobretudo, pela sua saúde. No futuro menos, todavia, porque como notava com propriedade John Maynard Keynes, aí estaremos todos infamemente mortos.»

      1. Tem razão, caro Oposto.Com efeito, o título desta “posta” (de pescada?) é AÍ ESTÃO ELES (E ELA)!Assim, quem é ELA? Quem está aí?Na verdade, apena lobrigo, identitariamente (como dizem os “políticos”), um pobre triste denominado de IRRITADO.Tadinho dele! Será Jurista? Tadinhos de nós!

    2. Sem inflacção, é indiferente haver ou não haver tabelamento de rendas, desde que a oferta e a procura estejam equilibradas, como foi o seu caso, durante a ditadura. A I e a III Repúblicas viveram outros tempos, uma durante 16 anos, outra de 74 a 86, períodos em que a inflacção e a degradação urbana se tornaram galopantes. O “gaiolismo” também. Este governo,estupidamente dito liberal, fez uma tentativa séria mas pouco eficaz e burocrática para tratar do problema. Facto é, no entanto, que a actual maior liberdade contratual já teve um efeito positivo: as rendas novas estão a baixar, como dizem todas as estatísticas. Quando morrer o último inquilino antigo, talvez o mercado encontre a solução do problema. Isto, desde que o Estado deixe de se meter onde não é chamado: na vidinha de cada um. Não havendo outra, será a lei da morte a resolver o assunto.

    3. Quanto à história do americano, tem toda a razão. Quanto aos banqueiros, deixe-me dar-lhe um exemplo. Há dias falei com um, de um banco estrangeiro. Dizia-me ele: os bancos vendem dinheiro. Tendem a vendê-lo a quem quem acham que melhor paga, chegando a fazer empréstimos a juro zero. Ora não foi culpa dos bancos, ou daqueles a quem chama mamões, que as coisas chegaram onde chegaram. Foi dos políticos que, com o subido ideal da globalização, se esqueceram de proteger a sua própria civilização. Os outros (banqueiros, empresários, comerciantes, etc.), mais não fizeram, como é sua função, que procurar os melhores produtos, os melhores mercados e as melhores condições para a sua actividade. Quem falhou não foi quem anda a tratar da sua vida, foi de quem abriu caminhos de oportunidade que desprotegeram o nosso mundo.Isto, meu caro Bastos, refere-se ao assunto como o colocou, não às tropelias financeiras injustificáveis, mas que, mais uma vez, são causadas por políticas de protecções “sociais” descontroladas, de desindustrialização e de ausência de atenção às suas inevitáveis consequências.

  6. Sabe Sr. Irritado, o que me choca no meio disto tudo são as suas escolhas. Os tribunais deveriam atender às circunstâncias e não às regras.O Sr. acredita no Chefe e defende-o.

    1. Sabe, Sr. Picaroto, o que me choca (e que está claramente dito numa resposta a outro comentário) é que, se o TC atendesse às circunstâncias, teria encontrado, mesmo nesta Constituição, material jurídico válido para, respeitando-a, a aplicar de outra forma. Acha que dizer que os funcionários públicos não podem ser despedidos mas os privados sim respeita o sacrossanto princípio da igualdade? O que me choca é que o TC faça interpretações meramente ideológicas de um texto onde, apesar de tudo, há outras “saídas” para os problemas que foram postos ao TC. O que me choca é que a Constituição seja usada para afirmar as convicções políticas dos seleccionados para não estar de férias… O que me choca é que o Sr, Picaroto, que não será do clube ideológico dos “juízes”, ache muito bem.

      1. Acha que dizer que os privados SÓ podem ser despedidos com justa causa, mas os funcionários públicos não respeita o sacrossanto princípio da igualdade? Acha que dizer que aos privados SÓ pode ser diminuído o salário por acordo, mas os funcionários públicos podem por decisão unilateral SUA (como pulhitico) respeita o sacrossanto princípio da igualdade? Acha que os funcionários públicos são mesmo FP?Tendo o senhor formação profissional na área do Direito, como +pode violar a Lei de forma tão sectária e pulhitica?

        1. Percebo muito bem os seus argumentos, seja v. quem for.O problema, seu e de muita gente, é continuar amarrado a um mundo e a um país que já não existem. A Constituição é imóvel, tem quase 40 anos, e não percebe o que se passa. Mas o que se passa não deixa de se passar por causa dela.

  7. Sabe Sr. Irritado, o Tribunal Constitucional não presta e foi criado para destruir o princípio da separação de poderes. Foi usado até à exaustão para limpar ladrões, corruptos, pedófilos, etc. e colocá-los acima da lei. Pairava, qual vaca sagrada, arbitrando sobre tudo. Enquanto fez jeitos tudo bem, agora é que são elas. lembram-se daquele erro grosseiro de que tanto se falou e não houve um único jornalista que tivesse aprofundado o assunto?É uma emanação dum poder político composto por jacobinos que acham que as leis são para os outros.Sabia o Sr. Irritado que esta Assembleia da República tem poderes constituintes?Já agora saiba que o bom senso é atributo das pessoas sensatas e encontra-se na esfera do arbítrio. Para mim não conta como baliza para aferição.

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