É incontroverso que o senhor Fernando Pinto, vindo do Ultramar para salvar a TAP, conseguiu inegáveis progressos na situação do gigante estatal.
Publicadas algumas estatísticas, verifica-se que as vendas quase duplicaram, que os prejuízos baixaram significativamente, que a dívida não cresceu tanto como era costume, que o património em aviões mais que duplicou, etc.
Aqui há uns anos, uma publicação da especialidade punha o dedo numa ferida que é habitual em tudo o que é público em Portugal: todos os rácios referentes ao número de empregados estavam no fim de todas as tabelas, entre os países ocidentais. Funcionários por avião, por passageiro, por milha, por serviços prestados…
A conclusão era que, uma vez comparada com as suas congéneres, a TAP empregava mais ou menos o dobro do pessoal de que precisaria para operar o que operava. Um sinal evidente dos índices de produtividade da empresa, comuns à generalidade da economia mas dificilmente compreensíveis numa empresa cujos meios de produção são, em geral, tecnologicamente modernos e eficientes.
O mesmo handicap parece evidente nos números agora publicados. É que, para melhorar o que melhorou, a TAP aumentou os seus quadros de pessoal em 49%, ou seja admitiu mais 4.397 funcionários! Em matéria de produtividade, a TAP deve estar na mesma, ou pior.
O IRRITADO deseja os maiores sucessos ao senhor Fernando Pinto e à TAP. Mas há razões para duvidar que ele consiga ultrapassar a pecha número um da nossa economia: a fraquíssima produtividade de que tanto se fala e contra a qual tão pouco, ou nada, se faz.
25.10.10
António Borges de Carvalho

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