IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


PRESIDENCIAIS PRINCÍPIOS

 

Dando largas a uma ambição tão infrene como mal avaliada, o Presidente da República, de uma assentada, deu cabo da sua fama de “homem de princípios” e de uma boa parte do seu eleitorado.

Católico, inimigo, ao que se julgava, dos novos conceitos de “família”, pisou a sua própria dignidade e a daqueles que nele acreditavam enquanto defensor e garante de tais princípios.

 

Aqui há uns anos, S.M. o Rei dos Belgas, posto perante semelhante caso, abdicou por um dia, a fim de se não corresponsabilizar numa decisão que ofendia gravemente a sua postura moral.

 

A única atitude de semelhante altura que o Professor Cavaco Silva podia tomar seria a de vetar a lei do “casamento” dos chamados homossexuais. Era sabido que a maioria de esquerda no Parlamento a faria passar. Mas o Presidente podia continuar a olhar para o espelho e a gostar do que via, assim como aqueles que comungam de convicções semelhantes, religiosas ou meramente civis, veriam nele alguém de recta coluna vertebral.

 

Ainda por cima, para agradar a gregos e a troianos, o Presidente veio reafirmar as suas opiniões sobre o assunto, para depois se borrifar neles… por causa da crise!

O que terá a crise a ver com tais “casamentos” é coisa que não passa para o lado de fora do presidencial bestunto. Ou então, é coisa que o presidencial bestunto sabe tão bem como nós, mas que, almejando uns votos mais, meteu na gaveta.

É feio. Muito feio.

 

Cavaco Silva, com isto, não vai buscar nem mais um voto à esquerda e perde uma data deles à direita e ao centro. É de pensar que, no presidencial raciocínio, deve ter vingado a ideia de que essa gente, se não votar nele, não tem em quem votar.

 

Como o futuro o dirá, engana-se. E é bem feito!

 

19.5.10

  

António Borges de Carvalho



17 respostas a “PRESIDENCIAIS PRINCÍPIOS”

  1. Tem toda a razão no que diz. A tolêrância é a virtude das pessoas sem princípios. Cavaco seria respeitado por todos, desde ele próprio até aos seus inimigos, se se regesse pelas suas convicções. Como entendeu abdicar do que considera correcto, perdeu a face – e isso é pior que perder uma votação contra o parlamento.Como bem refere, não ganhou um único voto entre os que se lhe opõem e perdeu o apoio de muitos que acreditaram nele.Decerto que não é o ser asqueroso que é um Soares, ou o parolo bronco chamado Sócrates. Há nele uma certa honestidade e vontade de acertar. Mas falta-lhe, sempre lhe faltou, coragem pessoal e política. Nunca age, só reage. E desta vez reagiu pessimamente.Como dizia Churchill depos de Munique: “A Inglaterra e França tinham que escolher entre a guerra e a desonra. Escolheram a desonram, terão a guerra.”

    1. Avatar de daniel tecelao
      daniel tecelao

      A honestidade de Cavaco,para mim está hipotecada,até se explicar melhor sobre as suas acções no BPN!!!

      1. Não há muito que explicar, que eu saiba. Por intermédio do seu antigo ministro, comprou as acções fora de bolsa por um preço de 1 euro e vendeu-as dois anos depois ao próprio banco por 2,40 com um lucro de 30.000 contos. Agora que o banco estoirou e foi nacionalizado, somos nós que arcamos com esses “bons” negócios.Por isso falei numa “certa” honestidade, se bem que essa virtude seja um valor absoluto, ou se é sério ou não. Mas sendo desonesto – e Cavaco contemporizou com uma habilidade bancária que tinha obrigação de lhe suscitar as maiores reservas – neste caso e com contornos diferentes no das escutas à presidência, ainda assim em nada se compara com a selvajaria da ponte do Coelho e outras manigâncias infinitamente mais gravosas para o País.Porventura se Cavaco houvesse executado essa operação através de uma offshore teria passado incólume. Sócrates comprou a sua casa através de uma – e que eu saiba não tem empresas que justificassem a sua criação, não sendo a de se isentar de controlo do fisco.Os valores modestos dos ordenados de ministro e deputado não justificam a existência de uma offshore. Já os vários casos de dinheiros mal explicados e nunca esclarecidos deixam entrever a sua razão de ser.

    2. Avatar de daniel tecelao
      daniel tecelao

      Percebe-se bem que um católico apostólico romano,cuja profissão religiosa nunca tolerou outras religiões,tenha sobre a tolerância tão curiosa definição!!!

      1. Caro Tecelão,Esperava mais de si. Tal como confiava de mim que me fizesse entender melhor. E ainda acreditava que Cavaco não se estendesse ao comprido no caso BPN, quando governou uma década sem ceder a tentações (porque se nesse dobro do prazo na governação tivesse cometido metade dos desmandos que o pimpolho refulgente do PS praticou, estaria em todos os jornais a todo o tempo – e isso não aconteceu).Como demonstrado fica, desacertar é inerente à nossa condição humana. Pelos vistos Cavaco precisava de 30.000 contos, eu devo aprimorar a minha escrita e o Tecelão tem que aprender a entender o que se passa à sua volta. Quando diz que “percebe bem” está a ser curiosamente tolerante com o seu erro.Novamente se equivoca – vamos ser indulgentes – quando diz que a religião católica nunca tolerou outras profissões de fé.Cristo bem o disse por mil modos, de que escolho um só. Quando Pedro lhe pergunta quantas vezes deverá perdoar quem peque contra ele, se até sete vezes (não lhe vou explicar sobre os números cabalísticos), Cristo responde: “Não te digo que até sete, mas até setenta vezes sete”. Ou seja, sempre.Houve Papas criminosos, incestuosos, abjectos – e existiram-nos sublimes e santos. Só que não estamos a falar de homens mas de doutrina. E isso faz toda a diferença. Não desejo que alguém assassine Sócrates e o seu filho, como vi o Tecelão achar justificado terem perpetrado com o Rei D. Carlos. Só gostava – e creio que o próprio já o quer também – que o Zézito volte para a terra dele, a fazer daquilo que entende, por ter estudado afanosamente para tal: construir lindas vivendas que de tão formosas a Câmara as aprova às dezenas, logo em 3 dias, para fealdade da paisagem e felicidade dos amigos (que ele não leva dinheiro por isso, já o disse e nós todos acreditamos) – em vez de tratar o que nos pertence como se estivesse a jogar o “Monopólio” e o futuro de todo um povo como se brincasse ao “Verdade ou Consequência”.Todos sabemos que ele ganhou eleições por ter tratado o eleitorado com a maior lealdade, ao explicar a situação económico-financeira do Estado, tal como agora cumpre escrupulosamente o que prometeu então. Mas os socialistas não poderão apresentar alguém com a honestidade menos hipotecada – para me servir da sua expressão – do que este engenhoso “engenheiro”?

  2. Diz-se que Bento XVI enviou uma mensagem ao PR nestes termos:” nemo potest duobus dominus simulum servire ” , que conferem com a sua opinião de “não se poder agradar a Gregos e Troianos” Parabéns. Mais uma vez o seu comentário foi oportuno e acutilante. Julgo que as pessoas de bom senso, também não estavam à espera deste desfecho.

  3. Gostei do bestunto. O Homem engoliu à força o estatuto dos Açores duma AR onde os deputados proclamavam que iam violar a Constituição porque o estatuto era «globalmente positivo» que agora come tudo o que apresentam. Uma tristeza. Uma tristeza. Pior que isto não pode haver nada. Vote-se no Nobre. Por este andar da carruagem ainda precisaremos da AMI cá dentro.

  4. Tudo isto só prova que aquela máxima que diz:…”Para Presidente da República qualquer um serve”……”Até o guarda dos Urinois”…Mas para Rei só quem para isso foi destinado, preparada e finalmente, aclamado.CumprimentosSou oFrancisco Luiz

    1. Avatar de Filipe Bastos
      Filipe Bastos

      Gosto sempre de ler monárquicos. É como um regresso feliz à infância, ao mundo dos castelos e contos de fadas, onde tudo e todos têm um papel predestinado, fora da REALIDADE e do senso comum. No entanto, a realidade encontra sempre forma de se meter de permeio. Se nesta pseudo-democracia já lamentamos os MAMÕES que nos chulam sem jamais terem trabalhado ou produzido coisa que se veja em toda a sua vida, que dizer dum rei que o é, simplesmente porque nasceu na família tal? É que ninguém escolhe onde e como nasce, estimado Francisco Luiz: a consaguinidade não conhece mérito nem capacidade, nem pode ser critério para aferi-los. “Nascer” rei, faz tanto sentido como nascer governador do Banco de Portugal, ou arrumador de carros na Trafaria. O seu conceito é bonito, mas, e lamento, não serve como base de governo racional.

      1. Caro Filipe Bastos, Enquanto o Poceirão não se torna, esperemos que ainda sob o consulado socretínico, o destino turístico avidamente apetecido pelos 500 milhões de europeus (façamos as contas por baixo…), podemos talvez discretear sob a nossa forma de representação nacional, que não a de governo – porque essa tem sido excelente. Antigamente – na feliz infância de castelos e fadas – ensinavam-nos que não se discutia política e religião à mesa, que era onde por uso a família se reunia. Suponho que a ideia fosse não perturbar a ingestão de alimentos. Por internet é outro sossego, podemos falar sobre estes temas afinal tão íntimos (pois cada qual tem normalmente uma noção muito própria de como se deve comportar o colectivo de que faz parte) mas que respeitam a todos e nos vemos obrigados a partilhar entre nós, ainda que não nos conheçamos o suficiente para nos sentarmos à volta de uma mesa. Se tiver paciência, vamos falar hoje da religião e deixamos a monarquia para uma próxima ocasião. Já tinha tido ocasião de notar a sua visão antropocêntrica deste mundo. Por absoluta falta de tempo não lhe respondi, com o gosto que tenho de ouvir e dizer do que pensamos seja o nosso papel (e aqui socorro-me ainda outra vez do Fradique Mendes) “… nesta imensa caravana que marcha confusamente para o Nada, cercada por uma Natureza inconsciente, impassível, mortal como nós, que não nos entende, nem sequer nos vê e de onde não podemos esperar nem socorro nem consolação.” Há talvez uma dezena de anos, um amigo meu que era alto funcionário do ICEP (Instituto do Comércio Externo Português) em Nova Iorque descobriu que o bairro de Queens devia o seu nome à rainha de Inglaterra D. Catarina de Bragança, nascida em Vila Viçosa, portanto alentejana de gema. Com um louvável patriotismo, tratou de constituir um trust que foi angariando fundos ao longo de vários anos para erguer uma estátua num terreno adquirido por essa organização, deitando sobre o rio Hudson. Seria a segunda maior estátua nessa cidade, logo depois da da Liberdade, perante a satisfação das autoridades americanas – e indiferença das nacionais, é claro. Só teve um azar: é que um ano antes do monumento ser apresentado estreou-se um filme do Spielberg, “Amistad”, em que surgia a rainha a dar uma qualquer ordem a um escravo preto. E logo a pobre D. Catarina, que era uma pobre alma apenas preocupada em rezar, nunca se lhe conhecendo a mais leve falta à caridade! Mas tanto bastou para que o presidente da câmara terminantemente cancelasse o projecto, por temor ao eleitorado mais onerado de melanina. Claro que toda a ilha de Manhattan foi comprada por tuta e meia (parece que mil dólares aos preços de hoje) aos aborígenes – e não se fala em desfazer o negócio, tal como devolver o Oeste selvaticamente espoliado aos pacíficos nativos está fora de questão. Todo este proémio para lhe mostrar como viajar no tempo – a alta velocidade – para estribar considerandos não é exactamente uma prova de probidade intelectual. Resulta para os mais incautos (como seja o eleitorado afro-nova-iorquino) mas deve ser evitado por quem tenha consciência de que essa não é uma forma séria de argumentar. É que os dias do papado temporal já vão um tanto afastados para se invocarem como recentes ou prováveis de voltar a suceder. Quem frequentemente evoca essa “ameaça” são – quem tal diria? – os comunistas, cuja doutrina foi responsável por todo o século XX ter sido atravessado pelas maiores catástrofes e morticínios, num tempo de que somos coevos e portanto assistimos ao vivo e a cores. Disse que a Igreja foi responsável por mais guerras e morte que todas as outras causas reunidas. É completamente inexacto, até pela escassez demográfica de então. Só a loucura do Grande Salto em Frente de Mao Tse Tung causou a morte (à fome e em 3 anos!) de mais de 35 milhões de chineses, sensivelmente metade de toda a população europeia no século XVI, no auge das guerras religiosas. E depois Mao dizia que a religião era o ópio do povo, um pouco ao estilo do Filipe. A 2ª guerra mundial (iniciada pelos aliados nacionais-socialistas alemães e comunistas russos, uns e outros perseguidores de cristãos) custou, em 6 anos e só na Europa, a vida de 45 milhões. (continua)

        1. (continuação)Recentemente o Tecelão agitava a inquisição, tal como o Filipe agora faz. Disse-lhe então, como digo agora a si, que nos 250 anos que ela vigorou por cá, morreram 1.200 pessoas. É decerto muita gente – mas sem a menor comparação, nem de longe, com o número de justiçados pelos tribunais civis desse tempo. Por verificação pessoal e directa, não vejo ninguém que fale em nome da Igreja apelar ao confronto ou sequer recordar perseguições ou violências sofridas, que as houve e não foram poucas. Passeie por Lisboa, conte os hospitais e quartéis e desafio-o a que 90 por cento deles não sejam conventos roubados à Igreja. E os conventos eram o amparo das pessoas que lhes vivam próximas.Curiosamente os ataques, como o seu, vêm dos “pacifistas” que não suportam que ela singre imperturbável. E daí as provocações ressabiadas, como por exemplo, a organização Opus Gay, que não é senão uma peguilha amaricada contra a Opus Dei. Há padres pedófilos? Pois é, os invertidos andam por todo o lado, sobretudo mais afoitos desde que deixou de ser considerada doença por motivos puramente eleitorais, como se se pudesse legislar sobre o que é natural ou não – mas a Igreja está pronta a perdoá-los, assim eles se arrependam. E foram os mariquinhas, pela sua irrequieta insatisfação retro-activa, que propagaram o SIDA – não o Papa, a quem o Filipe exprobra as mortes dos seropositivos, num exercício sofista que há-de convir um tanto cediço. Querem evitar o contágio dessa infeliz doença? Deixem-se de orgias e mudem de seringas, enjeitando duas corajosas conquistas do nosso Bloco de Esquerda, também grandioso advogado da matança de fetos para dignificação das mulheres que por desleixo permitem-se gerá-los. Deixemos os tempos remotos que permitem todas as interpretações e subjectividades e vamo-nos ater aos de hoje: o que sei é que os agnósticos insultam o Papa e a Igreja e o contrário não acontece nunca. Isso diz de que lado está a razão e quem afinal se rege por um código de tolerância e elevação moral, sem precisar de proclamá-lo constantemente porque o pratica com natural perseverança. Os mariquinhas que a todo instante suspiram por serem aceites é que convivem mal com aqueles que são a norma, sem a qual a espécie se extinguiria.Essa contradição reside aliás em tudo o que com eles se relaciona. Sentem atracção pelo sexo errado, e por isso empregam os seus orgãos por modo transviado. E para denominar todo esse infeliz modo de vida em que a insatisfação está sempre presente… chamam-se a si próprios “gay”, que quer dizer “alegre, satisfeito”.Decididamente, a razão não está do lado da prole de Sodoma. Nunca esteve, porque é intrinsecamente falhada e frustrante.Vai demorada a réplica, mas ainda dá para lhe recordar a altruísta obra que a Igreja tem feito no continente mais pobre do Mundo, a África, que pela sua dinâmica neolítica-tribal tem sido pasto da cupidez dos governos laicos, ateando guerras para sustentar a sua indústria de armamento e trocá-la pelos apetecidos recursos naturais – e as vítimas sempre, mas sempre, protegidas e confortadas pelos missionários, independentemente de raça ou credo. Não, estimado Filipe, pode não acreditar em mais nada senão na sua pessoa. O que não pode é considerar que isso seja um exercício de humildade, quando é precisamente o contrário. Quase todos os seus argumentos, muitos deles dogmáticos porque não demonstráveis, são reversíveis. Calvino dizia que a fé era a visão das coisas que não podemos ver. Alguns não vêem porque não querem. O que não devem é dizer que vêm coisas que não existem. Peço que o Irritado me perdoe o in-folio. Um dia falaremos da monarquia

          1. Caro ManuelB, Registo com agrado que é cauteloso no cálculo dos futuros visitantes do Pooceirão, acompanhando assim a cautela e o rigor dos nossos amigos da RAVE. O número de 500 milhões/ano parece-me conservador (não me espantava que fosse atingido logo no 2º mês), mas é melhor pecar por defeito do que por excesso. Afinal, temos de salvaguardar a rentabilidade do projecto, não é? Sobre a Igreja: Ao contrário do comunismo e outras tragédias contemporâneas, qualquer estimativa das vítimas directas e indirectas da Igreja, desde há 2000 anos, será muito difícil. No entanto, mesmo supondo que são inferiores, há uma certa diferença entre um sistema político e uma religião, como decerto concordará: o comunismo ou o fascismo, não pregam as virtudes de Cristo, nem o amor e a boa vontade entre os homens. Diz que a Igreja está disposta a perdoar aos invertidos – e aos pedófilos, também? E ainda que a Igreja perdoe, será que as vítimas perdoam? Por que é que os padres pedófilos não foram imediatamente afastados? Não é isto a mais pura conivência com um crime hediondo? Para não alongar demasiado a resposta, nem falarei da lógica infantil do pecado e do perdão, do Céu e do Inferno, ou da postura (para mim) insuportavelmente paternalista da Igreja, que chega ao ponto de chamar REBANHO aos seus fiéis. Creio que a escolha deste nome, diz muito sobre a sua filosofia. A sua visão da SIDA é, no mínimo, redutora: há muito que a larga maioria dos infectados é heterossexual, e não tem nada a ver com seringas. Basta olhar para África. Por que é que a Igreja condena o preservativo? Quer apressar a morte de milhões, para chegarem mais depressa ao Céu? Também não me alongarei sobre a lógica bacoca do sexo exclusivamente para reprodução, que é totalmente irrealista, e até nociva, quando olhamos para a maioria dos países de 2º e 3º mundo. A maioria dos que criticam a Igreja, como eu, não tem nada de “pacifista” nem de gay: ao contrário do que parece pensar, nenhuma doutrina da Igreja nos afecta pessoalmente, impelindo-nos a reagir. Felizmente, e reconheço-o com alegria, já passou o tempo em que a Igreja mandava na vida das pessoas. Posso ter o sexo com preservativo que quiser, nos oríficios que quiser (conforme a boa vontade da minha namorada o permita), ou dizer que sou bruxo (aí sou internado, mas pelo menos não queimado), ou subir a um caixote e gritar que “Deus não existe”. Critico a Igreja, não porque me coarcte a liberdade ou porque tem falhas (nada é perfeito), mas porque é estruturalmente hipócrita e civilizacionalmente retrógrada. Teve o seu tempo, ainda é relativamente útil no apoio aos mais carenciados, mas deve ser restringida a esse papel. Tudo o resto, é – a meu ver – alienante e contraproducente. Finalmente, pode-se argumentar que a Igreja é composta por homens, e que os homens falham. Isso está muito bem, mas não a absolve das suas amplas falhas e dos seus crimes, caso contrário teríamos de absolver todo e qualquer regime – incluindo o comunismo, cujos ideais são também muito bonitos. Como viver num mundo orfão de Deus, seria outra resposta, provavelmente mais longa. Cumprimentos, e espero que encontre tempo para continuarmos o diálogo.

          2. Caro Filipe,Ainda bem que estamos de acordo no que respeita ao bum (onomatopeia de espalhanço, a não ser confundida com o boom que o Zézito proclama por aí em todos os idiomas, que ele domina com a mesma maestria que as ciências económicas, mercê dos vários cursos em que se inscreveu), ao fiasco da alta treta do Pooceirão.Um tal Fazendas do Bloco narco-homo-trotskista um dia destes sorria alarvemente ao propor que o IVG – ou TGV, já não sei bem, tantos são os acrónimos que hoje circulam por aí em alta velocidade – deveria ser rentabilizado como transporte de mercadorias. Ou seja, ainda mais despesa para podermos colocar lá fora, horas depois e a preços obviamente muito mais concorrenciais, o nosso calçado de S. João da Madeira ou a outra grande exportação nacional, o minério – de que o ouro do Banco de Portugal tem ocupado talvez ocupado a mais significativa quota. Dizia eu que me apraz sobremaneira congracemos neste assunto, porque dissentimos diametralmente em vários outros.É por demais conhecida a lenda oriental dos 6 cegos a tentarem descrever um elefante. O que tocava no rabo “via-o” como uma corda, o que tacteava a perna teimava que era uma árvore, o que mexeu na orelha dizia que se assemelhava a um abano, o que se encostou à barriga não duvidava tratar-se de uma parede, o que apalpou o dente jurava que seria um cano e o que abordou a tromba jurava que afinal o elefante era igualzinho a… uma serpente.E assim palravam insensatamente, cada um surdo à cegueira de todos, maior do entendimento que da vista propriamente dita.Não vamos imitá-los e antes fazer um esforço para descerrar as pálpebras do nosso espírito para tentar ver o “elefante” no seu conjunto. Acredite que o faço constantemente, com sincera disposição de aperfeiçoar os meus conceitos – não para passar por condescendente ou bonzinho, mas para me tornar melhor e aprender, só isso. Duvido – mais, estou certo – que isso se consiga se persistirmos em julgar tudo pela nossa perspectiva pós-moderna, que vai beber ao método de Georges Cuvier, o zoólogo que classificava todo um mastodonte por um osso apenas.Mas como não posso nem quero dar catequese por internet, vou aflorar alguns dos aspectos que o Filipe refere.Realmente não tem muito sentido tentar estatísticas sobre vítimas causadas pela Igreja. Como será pouco razoável querer averiguar os que morreram pelas perseguições a ela movidas.Quando tiver interesse em saber mais sobre o assunto, recomendo-lhe a leitura de um excelente livro, “Os Mártires Católicos do Século XX” de Robert Royal. Aí poderá ver em 475 belas páginas – ele redige na perfeição – o que foram o holocausto espanhol, o calvário na Roménia, a carnificina chinesa ou a marcha da morte na Coreia. Perceberá melhor o ódio que se escondia na sentença do Padre Gapp, um austríaco executado pelos nazis em 1943 com a extraordinária pena: “Ficará sem honra para sempre”. Esse ódio além-túmulo é exactamente o contrário de perdoar. E claro que todos, pedófilos incluídos, devem ser perdoados se se quiserem emendar. Ao pecador cabe ao arrependimento, ao ofendido o perdão. Não há outra forma de conseguir paz para uns e outros, por muito que tal pareça utópico. E se eu não a conseguir para o mundo, como sei que não consigo, posso obtê-la para mim – e à falta de melhor, isso já me chega. Penso que era Ghandi quem dizia que “se os homens continuarem a julgar que a justiça é olho por olho, dente por dente, em breve toda a humanidade será zarolha e desdentada”. O Filipe fala da dualidade pecado e perdão ser algo infantil. Por mim, vejo a miséria da Casa Pia e acho mais pueril aqueles que julgam que será feita justiça por enfiar o Bibi na prisão. Não consigo deixar de considerá-lo mais vítima que algoz. Praticou nos outros aquilo que em primeiro lugar sofreu ele mesmo. Como é que poderia agir de modo diferente se toda a sua afectividade, quando a personalidade se lhe começou a formar, era desviante?Se faz sentido condená-lo pelo que fez sofrer a outros, porque não o indemnizam por aquilo que amargou? Chama a isso justiça? Acho que o devem tratar – e manter longe de crianças.(continua)

          3. (continuação)Não consigo entender que se arrelie por se chamar “rebanho” aos cristãos. Decerto não se lembrou que a razão é tão-somente tradicional, que antes de haver petróleo o pastoreio constituía a principal actividade dos habitantes do Médio Oriente (não digo Terra Santa para não o impacientar) e era pela posse de muito ou pouco gado que se aferia a consideração social de cada um.Mas havia outras metáforas para o conceito de religião chegar ao entendimento dos mais incultos. As primeiras palavras do Papado de Bento XVI foram “Sou um humilde servo da vinha do Senhor”, numa vertente mais vitivinicultora. Já os protocristãos tomaram como símbolo um peixe, numa alusão à profissão de Pedro. Não vejo nada de acintoso nisto.Não sou entendido na estratégia da Igreja sobre as grandes questões do nosso tempo. Sou apenas alguém que quer cumprir o melhor possível o tempo que cá andar e perceber o que devo fazer para que a minha vida não seja uma jornada errática. Não posso portanto esgrimir com conhecimento de causa os muitos argumentos que existirão contra o preservativo. Estou contudo seguro que nada move o Vaticano contra a borracha em si mesma. Também não os alegra que grassem doenças por África, onde a Igreja desenvolve uma obra que transcende em muito aquilo que praticam os seus detractores, ou tem dúvidas sobre isso?O que a Igreja não pode fazer, sob pena de renunciar a tudo aquilo que defende – é transigir com, neste caso, aquilo que se chama “fornicação”. Foi exactamente por isso que o SIDA se alastrou, se está recordado. Não vi ainda ninguém queixar-se de excomunhão por ter usado um preservativo. A Igreja defende que não nos comportemos como os bichos, copulando ao acaso. Sustenta que nos organizemos por famílias, em que os pais gerem filhos, os crie e respeite. E isso é incompatível com a única coisa que os vanguardistas hoje idolatram: eles próprios e os seus apetites. Todos os direitos, nenhuma responsabilidade.Quer um exemplo recente? A gayzada embandeirou em arco porque finalmente podiam fruir da importância simbólica (e respeitável, porque era isso que eles queriam, ser respeitados) do casamento.Na Inglaterra victoriana dizia-se que a Câmara dos Comuns tudo podia, menos transformar os homens em mulheres e vice-versa. Pois o nosso douto parlamento já conseguiu esse portento. No vórtice para que a Europa se encaminha, lá se legislou que casem uns com os outros – e os simples pensavam que o assunto estava encerrado. É claro que vai começar agora.O valor simbólico do matrimónio? Presumo que tenha lido (e que evite comparecer nos festejos) o anúncio que surgiu esta semana no Diário de Notícias:”Queres casar? Casa no arraial. Com ele, com ela, com o que tu quiseres. Oferecemos-te tudo para que te cases”, promete a Associação ILGA Portugal, que organiza o maior acontecimento LGBT (lésbico, gay, bissexual e transgénero) do País no âmbito das Festas de Lisboa.Segundo a ILGA, a festa, que decorre no Terreiro do Paço, é também “uma oportunidade para todas as famílias se divertirem”, já que haverá actividades para todas as idades que vão permitir “brincar, cantar, dançar, desenhar, aprender, pensar, filosofar, ver e ouvir histórias, correr e crescer”.A programação inclui speed dating, tango livre, performances e a segunda edição dos Queer Games, em que o público vai poder disputar a maratona das nazarenas e o arremesso da canasta (jogada com o traje regional das sete saias de Nazaré), o rali das divas Isadora Duncan, as olimpíadas do croché e da agulha e o duelo das manicures.”Portanto o termo “casamento” passa doravante a estender-se para speed dating, tango livre (o nosso primeiro-ministro, esse subido cultor da retórica bem avisou que eram precisos dois para o tango… e tanga, como seja o acordo entre ele e o seu simétrico Passos), etc.As divas (decerto já percebeu de que “divas” se tratará), o duelo das manicures – tudo isto para as famílias aprenderem, filosofarem e divertirem-se.(continua, para acabar)

          4. (final, com pedidos de desculpa pela extensão)O Tecelão deve estar nas nuvens de felicidade por mais esta conquista. A que se seguirá o direito de o termo “gay” passar a ser constitucionalmente atribuído a todos os cidadãos masculinos, para atenuar ainda mais a injusta discriminação homofóbica. E com sorte, na próxima legislatura passará a ser mandatório (passe o anglicismo, mas estamos a falar de gays) teremos que condescender com os avanços dos larilas, sob pena de incorrer em coima.Não posso alongar-me mais, sob pena de irritar deveras, e com toda a justiça, o Irritado – que gentilmente nos permite estas tertúlias. Há ainda muito a dizer sobre o papel da Igreja no mundo, e o nosso – cuja escolha pessoal de cada um contribui para que ele se dignifique ou degrade. Fica para a próxima.Um grande abraço doManuel

      2. Carissimo sr Filipe Bastos…Verifiquei a sua apreciação sobre o que eu escrevi, mas, como não podia deixar de ser, não estou de acordo com ela e muito menos com os considerandos.Essa forma um tanto ou quanto paternalista de entender declarar (com alguma ironia) o que escrevi, não a aceito, pelo simples facto de ela me parecer conter uma forma muito preconceituosa de republicanismo primário onde a limitação de ver por outros prismas, lhe parece estar absolutamente vedada.O grande problema de quem faz análises deste tipo e se expressa desta forma é que (e aqui sim) não têm outra alternativa de pensamento que não seja a de considerar que quem vai para a chefia de Estado está a receber um grande privilégio, mas, de facto isso poderá mesmo acontecer, quando se trata de um presidente da república, porque, no caso de um Rei, (tal como eu conheço e defendo) trata-se de uma missão para servir o seu povo, e de ter a sua liberdade absolutamente condicionada por respeito a esse mesmo povo e, naturalmente à nação de que faz parte.Quanto às estórias da carochinha, de Fadas e sobretudo de Pinóquios, é coisa que se ajusta muito bem aos republicanos, tendo em conta, entre outras coisas, o sr ZEPS(), e todas as campanhas delirantes de que é interprete e pelas quais quem paga é o povo.De Resto pode ser fastidioso ter de voltar a dizer o que todos sabem e que se trata do facto de os presidentes da republica acabarem por ser sempre as escolhas dos Partidos que convenientemente manobram os sentidos de voto para que só para lá vá quem convenha ao sistema implantado, ou por via de golpes de Estado e assassinatos.A proclamada justesa de princípios “republicanistas”, estão bem evidentes não só agora mas, e sobretudo, nos comportamentos que tiveram há cerca de cem anos, em que quando as coisas se agudizaram e pareceu aos “lideres” desse Golpe que “tudo tinha ido por água abaixo” ficaram como histéricos perdidos numa depência de uma Loja com uso de aventais, e inclusivé até um tal Almirante procedeu a um acto identico ao de Sócrates (o grego), mas, como apareceu um jovem Oficial da Marinha todo idealista que se decidiu a “dar o corpo ao manifesto”, e ele e mais alguns Sargentos e praças conseguiram repelir as tropas da realeza, e portanto reverter o que parecia ser uma derrota eminente. Este Oficial, Foi Machado Santos, que teve como recompensa um assassinato tipico dos verdadeiros comportamentos republicanistas, como seja a traição, a inveja, a frustração e a falta de escrupulos para se chegar onde se quer, “passando por cima de toda a folha”.A questão da consanguinidade pode ser um problema para quem quizer encontrar justificações para defender o Republicanismo. No entanto vou arriscar a pôr a coisa ao contrário:- É subentendido que segundo estes princípios, quem tiver consanguinidade de família real não tem direito a coisa nenhuma, então, se for assim, nenhum português terá direito ao que quer que seja, visto que o mais provavel é que todo e qualquer português seja descendente de Família Real, tendo em conta os (quase nove) séculos da nossa história e em que não estava instituido o Aborto (especialidade de republicanos) preservativos de toda a espécie como acontece actualmente. Daí as fortes probalidades de todos podermos encontrar indentificações comuns no ADN de todos os portugueses. Para além disso, existe uma coisa que os Republicanos subvalorizam que é a educação, a preparação, a reponsabilização que começa no berço para melhor saber servir o seu povo que o escolherá para Rei por via de aclamação Popular.Ao contrário do que se diz, os Reis portugueses só o eram depois de consensos e da aclamação popular.() ZEPS = Zé Pinto de Sousa ou Zé PS. É só escolher.

  5. Eu queria dizer……… aquela máxima está correcta:…..

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