É sabido que, em matéria política, haverá poucos pontos sem nó. É o que se passa com a não recondução da PGR Marques Vidal.
Antes dela, estava o cargo a abarrotar de má fama. Sabia-se o que era a asa protectora lançada sobre figuras do calibre do Pinto de Sousa e quejandos por várias instâncias da justiça. Ninguém tem dúvidas a este respeito.
Entrada que foi a senhora no desempenho do cargo – não esquecer que foi pela mão de Passos Coelho – inúmeros poderosos e não poderosos de vária origem e credo cairam nas malhas da procuradoria. Sem olhar a quem. Por isso que, quaisquer que sejam as dúvidas sobre a recondução da dita senhora, por mais lógicas ou rebuscadas que sejam as justificações aduzidas, dúvida não resta a ninguém com juízo que outras razões haja para além, ou de vingança do chamado primeiro-ministro, ou de almejada protecção, por ele, dos amigalhaços ora investigados. O medo é muito, muitas são as manobras investigadas, muito lixo inconveniente deve ainda andar debaixo dos tapetes. Para o PS, em caso tão grave, fonte de medos e pavores, há que criar núvens de fumo, mudar as condicionantes dos inquéritos, tratar de pôr a salvo quem ainda está “à pega”, evitar que outros venham a sentir a independência de que a senhora tem feito emblema.
A questão é simples. Como quem nomeia o/a PGR é o senhor de Belém, escolhendo um de três nomes propostos pelo chamado governo, basta não pôr o nome da senhora na lista para correr com ela. Se tivermos alguma dose de wishful thinking, podemos contar com um eventual espernear do senhor de Belém. Mas wishful thinking não passa disso mesmo: wishful thinking. Outra solução, talvez mais provável, será a senhora declarar que não quer mais o cargo, nem mais chatices e perseguições por parte do PS. Assim não sendo, irá embora a cavalo nos patins do Costa. O que, sendo mau, tem o seu lado interessante: o tipo, por muito boas intenções que, por absurdo, o animassem, fica com o rabo de fora.
2.9.18

Deixe um comentário