Aqui há tempos, comprei uns bilhetes de avião no site da TAP. Tudo confirmado, tudo pago.
Dois dias depois, mandaram-me uma simpática mensagem a dizer que o voo tinha mudado de data e se eu aceitava viajar no dia seguinte. Aceitei. Uma semana depois, 10 dias antes da viagem, nova mensagem. O voo foi cancelado.
Daí, tomei a decisão por onde devia ter começado. Fui a uma agência aqui do bairo e disse o que pretendia. Dois outrês dias depois tinha viagem confirmada (muito mais barata!) para o dia em que queria voar e, cinco dias depois, após insano trabalhão da pobre funcionária da agência, tinha até os documentos necessários, por conta do covide, da UE, do chamado governo, das autoridades do país de chegada, etc., tudo de borla.
Passou mais de um mês. Hoje, sou informado pelos jornais que a TAP já arrecadou dezenas ou centenas de milhões de infelizes como eu. Mais informa a estatal companhia que eu e os outros prejudicados podemos viajar com os bilhetes comprados, isto quando a TAP assim o determinar.
Do meu dinheiro, nem rasto. A TAP não só não dá satisfações aos lesados, como se propõe “oferecer” voos quando e para onde lhe der na real gana.
Tudo isto sob as ordens do governo e do trapalhoso ministro.
Quem acode? Ninguém. Dizem-me que, se quero ver respeitados os meus direitos, “terei que me mexer”. Quer isto dizer que, se não “me mexer”, jamais receberei de volta o meu dinheiro. Posso até recorrer a uma firma especializada, pagando um fee. O dinheirinho todo é que não há forma de voltar a ver.
Se eu julgasse que os meus tostões serviriam para tapar os buracos da companhia talvez sentisse a tentação de, generosamente, os oferecer. Mas, para quê? Não está o ministro Santos todos os dias a cavar mais fundo o monstruoso buraco? Não vamos todos pagá-lo?
Porca miséria.
26.9.21

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