IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


POBRE GENTE

 

Um grupo de infelizes residentes no Bairro Azul resolveu enfrentar a PT. Querem os ditos que a colossal companhia deixe de encher os prédios de fios ao dependuro. Que insensata pretensão! Parece que são parvos!

Esta gente não percebe que a PT, monstro com quem o diálogo é impossível, filha dilecta do comunismo que nos arruinou, hermética organização apostada na exploração das pessoas, fiel serventuária do governo que temos, se debruce sobre a estética da cidade (dos prédios dos infelizes) e tenha a monumental generosidade de libertar Lisboa (ou o bairro dos infelizes) das florestas de fios, das caixas, dos caixotes, das trampas electrónicas com que invade a propriedade alheia sem a ninguém pedir licença, sem pagar a ocupação do espaço (as paredes) que é dos outros, sem dar satisfações, sem consideração por nada nem por ninguém, a abrir buracos nas nossas empenas, a dar cabo dos rebocos, a transformar a capital numa espécie de aldeia turca, uma vergonha, uma porcaria.

 

Permitam Vossas Excelências que lhes conte uma história exemplar, que dedico aos portugueses em geral e aos infelizes do Bairro Azul em particular:

 

Um amigo meu que é o infeliz proprietário de um imóvel na capital, apesar de causticado pela ausência de rendimento líquido do mesmo (as rendas, ai as rendas), vendo o que é seu a degradar-se conseguiu meter-se num empréstimo que lhe vai levar o resto da vida a pagar e que, eventualmente, – a morte é uma chata – vai ficar de herança para os filhos.

Com os maravedis que o banco generosamente lhe emprestou, o meu amigo fez obras de fundo no seu imóvel, entre elas a construção de uma coluna para os fios da poderosa PT. Esta, prenhe de zelo, exigiu um projecto, feito por técnico “credenciado”, projecto que, elaborado e pago, construído e pago, a PT, passados meses, aprovou.

Feliz, o meu amigo requereu então à ditatorial organização que lhe metesse os fios na tal coluna.

Estúpido! A dona PT exigiu-lhe que abrisse uma vala. À porta do prédio, dirão Vossas Excelências. Cais quê? Uma vala que quase dava a volta ao quarteirão! A PT não é de modas. Queria aproveitar para, à custa do meu amigo, fornecer uma data de clientes. Notável zelo.

Mas não ficou por aqui. Exigiu que o buraco fosse aberto por uma “firma credenciada”… pela PT, firma cujas picaretas devem ser melhores que as das demais. O meu amigo pediu que lhe indicassem uma. Consultada a “credenciada” coisa, foi-lhe apresentado um orçamento cuidadosamente elaborado, o qual era três vezes mais caro o de um empreiteiro a quem pediu um preço “de controlo”. Mas, não sendo este empreiteiro "credenciado" pela PT, mesmo que abrisse o buraco, o buraco não seria utilizado, bem pelo contrário, o meu amigo ainda podia ser vastamente penalizado pela CML, por utilização indevida da via pública! há buracos e buracos, gaita!

 

O meu amigo percebeu então – só então, o burro – que andava a ser enganado.

Enganado quando julgou que a PT preferia os fios dentro das paredes (perguntou a um funcionário da cáfila, que lhe disse que ao ar livre, para a organização, era galinha da perna). Enganado porque sonhou que a PT até lhe agradeceria ter mandado fazer a tal coluna. Enganado porque lhe passou pela cabeça que a PT, ganhando dinheiro com a cidade, tinha alguma sombra de respeito por ela. Enganado como todos somos todos os dias pelos monstros que o socialismo criou e de que o arremedo grosseiro de capitalismo em que vivemos se alimenta.

O meu amigo só talvez não se enganasse se pensasse que a PT é um polvo de muitos braços, todos eles "credenciados", quer dizer, participantes num bolo a quem há quem chame terríveis nomes.

 

Agora, apesar de feliz por ter mandado a PT às urtigas, o meu amigo senta-se, melancólico, à porta do prédio e, impotente, assiste aos trabalhos das empresas "credenciadas" que vão continuando a castigar a fachada com mais fios pendurados com pregos às paredes e mais caixas e caixinhas – ele é a MEO, a ZON, ele é o caraças a quatro.

Bem feita, que é para não ser parvo.

 

O IRRITADO deseja as maiores felicidades aos infelizes do Bairro Azul, os quais parece que ainda acreditam no pai natal.

 

10.11.09

 

António Borges de Carvalho   

 


3 respostas a “POBRE GENTE”

  1. Pois. os extremos tocam-se. Um tio meu dizia, quando nos queixávamos das arbitrariedades do gonçalvismo: “E depois disto, há-de vir o capitalismo selvagem!”Ei-lo.

    1. Deixe-me informá-lo do seguinte:As Câmaras municipais,(julgo que todas) por força de uma qualquer lei cobra à PT um imposto por utilização do subsolo,mas esse imposto,à pala da mesma lei é repercutido nas facturas dos clientes.E esta?

  2. A sua informação de que a PT reflecte na facturas aos seus clientes o imposto que ela tem a pagar às Câmaras não me surpreende sobremaneira.Ao olharmos as “elites” que nos governam temos que ter presente que, na sua grande maioria, foram na sua juventude os estudantes que fizeam greve e obtiveram as iicenciaturas administrativamente ou que preferiram desertar para o estrangeiro, cobardes fugidos ao serviço militar por achar as suas vidas mais preciosas que as dos que outros.Têm da lei um entendimento muito próprio (o tal “direito à indignação”, só quando lhes dá jeito) e por isso no fundo das suas escuras almas a desprezam, mentindo, manobrando e roubando, sem olhar a meios para atingirem os seus fins.Daí que Sampaio justificasse juridicamente as sevícias do PREC, Soares depositasse em contas pessoais os fundos que os socialistas europeus enviavam para o PS, que Valentim Loureiro tivesse sido expulso do Exército, que Sócrates esteja metido em sucessivos casos turvos, que Vara seja nomeado para vice-presidente de um banco, com 18 meses de caixa no balcão de Vinhais e expulso o governo por corrupção — e insistisse em meter as mãos no lixo uma vez mais. É a matriz deles, quem olha o céu reflectido nas árvores vê os peixes nas árvores. Esta gente não é capaz de mais.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *