Julgava eu que os biógrafos eram investigadores da vida dos biografados. Para tal, servir-se-iam dos documentos à disposição, isto é, de escritos dos ditos, das referências da imprensa, dos trabalhos de terceiros que se tivessem já debruçado sobre as suas vidas, etc.
Parece que assim não é.
Rezam os jornais que uma afilhada do Salazar, mais uma fulana que escreveu um livro sobre os amores do homem e mais outras distintas individualidades se preparam para processar umas criaturas que estão a fazer uma biografia do homem para a SIC. Dizem tais queixosos que há plágio na coisa.
Não duvido que os autores da telenovela biográfica se tenham servido das fontes produzidas por tal gente. Mas não é exactamente isso, para além de outras fontes, o que deveriam usar?
Os queixosos parece que estão a queixar-se de si próprios. É que, ou o que disseram e escreveram não corresponde à verdade, ou seja, é mentira, ou não se podem lastimar de os novos biógrafos se terem servido do seu trabalho, o que, salvo melhor opinião, até lhes dá credibilidade. A não ser que o que escreveram e disseram não passasse de ficção e como tal tivesse sido declarado. Mas, se trabalharam com seriedade… então de que se queixam?
A pergunta fica, não porque o Irritado faça tenções de seguir a telenovela da SIC, mas porque lhe faz uma confusão dos diabos que haja gente a querer sacar algum a quem consultou o seu (honesto?) trabalho e acreditou nele.
António Borges de Carvalho

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