Nada tenho contra o senhor Francisco José Viegas. Até o vi uma ou duas vezes na televisão e gostei.
Hoje, vi escrito nos jornais que “além de ser um dos mais finos escritores da nossa língua, Francisco José Viegas tem convicções fortes”.
Talvez seja fino. Talvez tenha convicções fortes e isso seja uma qualidade rara. Quem sou eu para duvidar?
Falando-se deste senhor, no entanto, há um episódio que não esqueço e que me faz duvidar da natureza de tais convicções.
Aqui há uns meses, fui induzido por um escrito dele a ir jantar a um restaurante ao qual o homem teceu os maiores elogios. A comida era excelente, os tipos simpatiquíssimos, até o nome da casa era um achado de inteligência e perspicácia.
Nunca comi pior. Minto, não cheguei a comer. Nem eu nem quem me acompanhava comeu fosse o que fosse. Foi provar e fugir. A comida era de tal maneira ordinária que a pagámos a correr e fomos jantar a outro sítio. Nunca fui tão primitivamente recebido nem tão mal servido em muitos anos de vida.
Dado o que diz a imprensa, o Irritado recomenda a leitura de tão “fino” escritor. Mas adverte os seus leitores, muito seriamente, contra a suas “convicções” gastronómicas.
António Borges de Carvalho

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