IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


PILATOS CONSTITUCIONAL

 

Nunca será demais insistir que os chumbos do TC tiveram tanto a ver com a Constituição como com os Upanichades.

Nem um artigo daquela foi usado na fuzilaria. Nem um. Só “princípios”, uns explícitos, outros implícitos. Ora “princípios” são matéria de interpretação subjectiva, nada tendo a ver com o articulado.

Quem acusa o governo de legislar contra a lei e a Constituição deveria dizer que o governo legisla à revelia da interpretação meramente ideológica e política que o TC faz de princípios constitucionais, à falta de qualquer disposição positiva que pudesse fundamentar os seus acórdãos. O uso de tal “método” é, objectivamente, um abuso de poder totalmente ilegítimo que não deveria oferecer dúvidas fosse a quem fosse que olhasse para o feito com um mínimo de independência e de consciência moral. Estes chumbos, como muitos dos demais, equivalem, por exemplo, a condenar um agricultor a dez anos prisão por ter semeado nabos onde o tribunal “acha” que devia pôr alfaces.

Deste critério só podia resultar o que resultou: um acórdão canhestro, confuso, sem normatividade que se destrince. Ao ponto de der lançada “jurisprudência” sobre a forma, que é da competência exclusiva do Parlamento, de colmatar os buracos orçamentais, coisa que o TC tem o desplante, o abuso, a ignorância do seu próprio estatuto, de determinar, ou aconselhar, sejam feitos via aumento de impostos. Ou seja, de forma a não vir a tocar na fímbria dos privilégios, v.g. dos ilustríssimos juízes, da dona Manuela e do PR!

Há pior, se é possível. O TC foi Instado para esclarecer se os vencimentos, constitucionais até Maio e inconstitucionais a seguir – querem mais confusão? – devem, por exemplo no caso dos subsídios de férias já pagos, ser sujeitos a um novo conceito “jurídico”: o da inconstitucionalidade retroactiva. Daí, o TC lava as mãos com Pilatos. Com a mais repenicada sobranceria, com a mais profunda falta de respeito por quem a ele tem, pelo menos formalmente, direito, escusa-se a esclarecer seja o que for.

Querem mais abuso de poder? Talvez, na Venezuela ou na Coreia do Norte haja disto. Por cá, não sabíamos que se verificava o velho aforismo, desta vez não em matéria financeira mas em matéria moral: “o poder corrompe; o poder absoluto corrompe absolutamente”.

É o caso.

 

20.6.14

 

António Borges de Carvalho



10 respostas a “PILATOS CONSTITUCIONAL”

  1. Avatar de XXI (militante PSD)
    XXI (militante PSD)

    “o poder corrompe; o poder absoluto corrompe absolutamente”. Assim sendo, há que correr com quem quer ter o poder absoluto, que in casu é um Governo completamente “fora da Lei”. Se querem outra Lei, mudem-na. Tão simples como isso.

  2. Concordo parcialmente com o Irritado… e com o XXI. Ao contrário do que se diz, o governo não «governa contra a Constituição»: o que está em causa não é a Constituição, mas sim a interpretação que o TC faz dela. E esta interpretação é arbitrária, subjectiva, e decidida por chulecos que ajuízam em causa própria. Ou seja, é uma lotaria… viciada. Para cúmulo, os chulecos nem podem ser questionados. Por outro lado, se esta Constituição e este TC são uma bela trampa, ambos são – como diz o XXI – da exclusiva responsabilidade da canalha política. Foi esta que os fez, e só esta pode mudá-los. Logo, escusam de insistir em queixinhas e bodes expiatórios: se não gostam, mudem. Nesta Partidocracia, mais ninguém o pode fazer! Têm a faca e o queijo na mão. Assim sendo, queixam-se de quê? E não era o herói do Irritado que dizia “não sejam piegas”?

    1. Se é verdade que a constituição devia ser revista, ou substituída, também é verdade que as decisões do TC, como afirmo no post, nada têm a ver com ela.Neste caso, meu caro Filipe, os seus odiados “mamões” ou a sua “canalha política” nada têm a ver com o assunto. A culpa do dislate, em forma de acórdão, não é da Constituição, é da maioria de politicões que, sem sombra de critérios jurídicos, se apoderou do TC.

      1. «se apoderou do TC»? Ah, o Ratton foi tomado à força? Os juízes são “okupas”? E eu que pensava que estavam lá por nomeação directa da canalha política… e que um deles até era filho do Mamão Machete! Também pensava, veja bem, que fora a canalha política a conceder-lhes este poder discricionário, tal como as regalias obscenas de que desfrutam! O Irritado quer ter sol na eira e chuva no nabal. Distribui as culpas conforme lhe convém. Malha no TC quando não gosta das decisões, mas isenta a canalha que nomeia o TC, e que define todo o sistema. Mas se as decisões do TC agradassem ao seu querido Governo, quer apostar que já estava tudo bem, que o TC já não era “politicão”, e que tudo isto era uma linda maravilha?

  3. Ainda tenho esperança de ouvir um juiz do TC apresentar em tese o princípio da igualdade.E para depois não haver segunda interpretação mete-la num qualquer artigo.Gostava de o ouvir a demonstração que 20 € valem sempre a mesma coisaquer os vá gastar no Norte ou no SulNo Litoral ou no interiorNum mercado ou num híperNuma tasca ou num barNuma pensão ou num hotelquer os gaste hoje ou os gastasse há 5 anosetc. etc.Gostava de os ouvir

    1. Avatar de Afonso do Condado
      Afonso do Condado

      Perfeito.Não há coisa mais subjectiva que a subjectividade dos princípios.Se até os substantivos precisam de esclarecimento como é que um TC se recusa a aclarar a subjectividade das suas decisões ainda por cima quando não são tomadas por unanimidade.É por isso que gosto da ditadura da Coreia do Norte. o herdeiro do ditador anterior, Kim Jong II não esconde de ninguém, que é ditador

  4. À questão «Querem mais abuso de poder?», encontrei aqui – http://www.dinheirovivo.pt/Economia/interior.aspx?content_id=3983489 – uma resposta possivel«Entre o início da crise financeira de 2007/2008 e o final de 2013 assistiu-se, em Portugal, a uma transferência de riqueza do factor trabalho para o capital de grandes proporções, indicam vários economistas.»

  5. Outra resposta possível: WIKILEAKS REVELA NEGOCIAÇÕES PARA DESTRUIR REGULAÇÃO FINANCEIRA http://www.sol.pt/noticia/108129 É legítimo ter reservas quanto à Wikitretas, que, salvo raras excepções, só pariu ratos. E é legítimo perguntar “desde quando isto é uma revelação?!”. Mas somando esta resposta à anterior, da Maria Alice, é fácil ver para onde isto vai. Creio que todos sabem, mesmo os Irritados que continuam obcecados com fantasmas socialistas e comunas. Detalhe: Portugal faz parte destas negociações. Quem, pergunto, QUEM está a dar o “nosso” aval a mais este prego no caixão?

  6. O roubo que é feito nos salários e pensões viola o Código Penal e por conseguinte o artº 2º da CRP que obriga que o poder seja exercido à luz do direito: Não se pode condenar o roubo e, simultaneamente legislar sobre ele.Sant’Agostinho sensatoDisse lavrado na pedraO direito não está no actoMas sim na soberana regraCrimes de lesa majestadeQue acontecem ao soldadoSe não mata quando instadoOu mata por sua vontadeRegra palavra conceitoEm discurso judiciárioOu se usa o dicionárioOu o torto mata o direitoCortar roubar e matarDe sinónimas não tem nadaMas viraram salgalhadaNesta demência larvarCortar mata e dá cadeiaEm crime de homicidaCortar salva pela traqueiaQue fica desentupidaUm bisturi afiadoUm político arrivistaUm enviesado juristaUm pescoço bem cortadoFica esperto fica atentoDistraído reformadoQue acabas decapitadoPara bem do orçamentoOs bestuntos deste quilateDe ignorantes aperaltadosArruínam povos e estadosPromovendo o disparateO povo está preso na teiaDe ladrões de muitas trilhasQue fazem da AssembleiaIncubadora de quadrilhasPara o povo não ser otárioE ao mesmo tempo ladrãoAltere-se a ConstituiçãoE também o dicionárioOs senhores acham que o verbo cortar caracteriza os actos praticados pelo pela actual maioria sobre os salários e pensões?Lembro:Roubar – tirar o alheio furtivamente ou com violência. ( Porto Editora)Neste caso a violência é do Estado.

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