Lá dizia o Jeroen: se andares na boa vai ela, lixas-te.
Por cá, como se sabe, isto não é verdade. O Jeroen é uma besta, devia ser substituído pelo Centeno (t’arrenego, cruzes canhoto!). Não temos nada com isso, nunca gastámos dinheiro mal gasto, ainda menos nos tempos do Sócrates/Costa, temos as continhas em ordem, 2,1% de défice, o resto está debaixo do tapete como é de boa tradição, não há problema nenhum, temos estabilidade como proclama Sua Excelência, a banca está firme e em progresso acelerado, que quer esse animal saído lá dos polders quando resolve insultar a malta?
Pois é. Como exemplar exemplo desta magnífica situação dado de borla a toda a gente, é o partido do poder, o glorioso Partido Socialista, pilar número um da democracia, carregadinho de nobres tradições. Falido, mas vivinho e orgulhoso. O que é um mísero buraquito de vinte e um milhões de euros? Peanuts, amiguinhos, alcagoitas como se diz por cá a ver se os jeroenes não percebem. E as “directas”, hem, sim as directas, em que gastámos o triplo do que dizíamos que íamos gastar para fabricar uma eleição marada cuja eficácia, vejam se percebem, não está em causa: o vencedor que, ao contrário do vencido, perdeu as eleições mas é primeiro-ministro à pala dos comunistas. Vêem como funcionou, vêem? Que interessam essas centenazitas de milhar de que o Tribunal de Contas anda para aí a esgrimir, se o resultado final foi o espectacular triunfo de que a Pátria tanto beneficia?
Deixemo-nos de fantasias. Afinal, a esmagadora maioria das receitas vem do Estado, o Estado somos nós, como lá nas franças era o rei Luís, quem tem a ver com isso? Vinte e um milhões de buraco que não são pagáveis mas não interessa. Umas centenas de milhar em contas estrambólicas, que importa? O que tem o Jeroen a ver com isto? Ou o Tribunal de Contas? Nada. Os portugueses podem estar descansados, nós tomamos conta do assunto! Havemos de dar umas lições a esses abutres dos credores que são capazes de, a propósito de umas dívidazinhas, fazer para aí uma barulheira dos diabos.
Confiança, amigos, confiança! O futuro é de ouro, pelo menos para nós, o que já não é nada mau.
7.4.17

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