Ontem fui ao cinema Monumental, sala número não sei quantos. Modernices. Vou pouco ao cinema porque deixou de haver intervalos, o que é uma forma proto-fascista, ou proto-comunista, de proibir as pessoas de fumar e de fazer chichi.
Já não me lembro do filme, mas a minha mulher diz que era uma pequena maravilha. Acredito nos critérios da senhora, pelo que considero o meu tempo bem empregue.
Fomos a pé, avenida da República (t’arrenego!) acima. A noite estava calma, cálida, convidava ao passeio. Tudo normal.
Até que… até que, chegados ao Saldanha, damos com três carros da PSP à porta do BES. Assalto? Reféns? Mortos e feridos?, são os pensamentos que assaltam o portuga perante tal aparato. Os chuis, porém, conversavam no passeio, o que nos sossegou. Não devia haver azar.
Mais adiante, na Praia da Vitória, três ou quatro carrões pretos estavam estacionados na contra-mão, na faixa de cargas e descargas. A porta dos cinemas era marcialmente guardada por dois GOE’s, ou equivalente, armados até aos dentes. Lá em cima, a seguir às bilheteiras, dois gorilas com cara de poucos amigos e uma espiral de plástico a esparguetar do ouvido, olhavam o povo com ar ameaçador.
Temos aí um granjola qualquer, pensei. Será o Cadafi? O Dos Santos? O aiatola Camané? O Hugo Chaves? Quem?
À saída, o mesmo aparato. Ou me engano muito ou havia ainda mais forças no terreno. Intrigado, aproximei-me de um BMW, viatura que parecia ser a mais imponente.
E fez-se luz! Não, meus queridos amigos, não era o Cadafi, nem o Dos Santos, nem o aiatola, nem o Huguinho.
A matrícula da rebrilhante viatura rezava P-papo seco da República-R. Quem tinha ido ao cinema era nada mais nada menos que o SEPRPPDAACS; Sua Excelência o Presidente da República Portuguesa, Professor Doutor Anibal António Cavaco Silva!
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Cheguei a estar tentado a esperar para ver sair Sua Excelência e quem o acompanhava, mas a minha mulher agarrou-me por um braço e, irritadíssima, arrastou-me até casa.
António Borges de Carvalho

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