IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


OS CUCOS

Anos atrás, os estaleiros de Viana do Castelo, empresa pública, entraram em crise. Muitas razões terá havido para tal, mas a grande machadada, a finaL, a letal, fou vibrada por um indivíduo que, hoje, é presidente do Partido Socialista, chefe do seu grupo parlamentar e, diga-se com inteira justiça e em abono da verdade, o mais “endogâmico” de todos os portugueses.

Era ele chefe do governo dos Açores. A região tinha encomendado um importante navio aos estaleiros, para transportes inter-ilhas. Estava o navio pronto, mas descobriu-se, talvez com razão, que a velocidade de ponta era um nó abaixo do combinado. O “dono da obra” ficou de tal maneira agastado, e não houve meio termo: cancelou a encomenda, recebeu de volta o que já tinha pago, foi alugar (por fortunas) embarcções à Grécia, e deu cabo dos estaleiros de uma penada.

Centenas de trabalhadores sem trabalho, um buraco financeiro dos diabos, o navio vendido ao preço da chuva. O açoriano veio para o continente e, em reconhecimentos dos altos serviços que prestara à Pátria e a Viana do Castelo, acabou por ser levado em ombros à presidência do Partido Socialista. Tem a sua lógica, não tem?

Chegou, entretanto, um governo decente. A desgraça socialista tinha chegado ao fim. Esse governo concedeu a exploração dos estaleiros dos estaleiros a uma empresa privada. O clamor foi geral. Canalhas, malandros, querem privatizar o que é do Estado, nosso, de todos os portugueses! Neoliberais, proto fascistas!

O tempo foi passando. Os estaleiros sairam da fossa, os empregos foram recuperados, sendo realista pensar que tudo continuará em boa senda.

O lançamento de uma nova embarcação foi realizado com pompa. Muito bem. A geringonça apareceu em peso, apropriando-se de mais este “feito”. Não sei se lá estava o açoriano. Quem não estava de certeza – não era bem vindo – foi quem cometeu o “crime” de salvar os estaleiros, ou seja Passos Coelho e Aguiar Branco, por exemplo.

Os cucos estão no poder.

 

14.4.19   



2 respostas a “OS CUCOS”

  1. Sei que o Irritado é demasiado jovem e ingénuo para saber destas coisas, ou sequer suspeitar delas, mas eu, mais velho e experiente, trago-lhe uma novidade: há quem queira que as empresas públicas corram mal. É verdade. Sim, é incrível, mas há quem ganhe com isso. É que, está a ver, compram-nas depois ao desbarato e põem-nas ‘milagrosamente’ a dar belos lucros. O milagre é simples: – após a ‘gestão’ dos pulhíticos e seus pseudo-gestores, tudo o que vier é melhor; – autarcas e governantes mafiosos, como o sapo dos Açores, dão a última machadada; – os chulos sindicalistas perdem poder, é o único ponto positivo, logo que a empresa sai do Estado; – não satisfeitos, os novos donos desatam a despedir, a aumentar horas e a baixar salários, excepto da administração; – o ponto mais importante: ou ocupam monopólios naturais, ou juntam-se a oligopólios ou cartéis, ou mamam contratos e subsídios sumarentos do Estado, ou negociatas público-privadas, ou outras mais ruinosas tipo PT/BES; – e eis o ‘milagre privado’ – até rebentar, como na PT, ou sempre a mamar, como na EDP ou na Golpe. Claro que o Irritado não sabe disto. É muito novo. Acha que o público corre mal só porque é público, e o privado é sempre melhor, porque, enfim, é privado. É como os comunas, mas ao contrário.

    1. Meu caro, vamos a ver se nos entendemos. Não se trata de uma questão de competência, de boa gestão, de justiça social ou de qualquer dessas coisas nomalmente usadas como chavões para proteger uma ou outra opção. Nem tudo o que é público é mau, como nem tudo o que é privado é bom. É uma questão de princípio. A sociedade, ou é livre, e cria o Estado para assegurar essa liberdade, ou não o é, e usa-o para a limitar. A liberdade económica faz, ou devia fazer parte da liberdade geral. Os Estados onde o “socialismo social” triunfou são aqueles que souberam preservar a propriedade privada, a economia de mercado, a concorrência, etc.. É o caso, por exemplo, dos nórdicos. No auge do socialismo sueco, 95% da economia era privada, não constando que tenha mudado muito com o tempo. Na Dinamarca, mais ou menos o mesmo. O que quer dizer que, naqueles países, o Estado cumpre a sua função social, ao mesmo tempo que mantém a sociedade civil a trabalhar em liberdade, como condição de paz e de progresso. O princípio geral é o da liberdade económica, o que não quer dizer que não possa haver excepções. Grave é partir do princípio contrário, o que condena as sociedades à estagnação, à apatia, à dependência, à mão estendida: é o que se passa entre nós.

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