Vasto é o abismo do que devemos ao senhor Rio.
Verdade é que, ao ver as personalidades de topo da direcção política do PSD eleita no congresso do partido, claro ficou que estávamos (nós, o país, a alternância democrática) perante um terrível fenómeno de incompetência, se não coisa pior. À cabeça, boa parte daquela gente deitava por terra a primeira promessa do novo líder: a de defender a “Ética”. É que a moral política, a que chamam ética, já foi mote de muita gente e, desde os tempos do general Eanes e do seu PRD, deu sempre mau resultado. A moral não se declara, pratica-se, faz-se perceber por actos, não por declarações. Não se faz “ética” com fragas e malheiros.
Em vez de fazer frente ao adversário, Rio decidiu oferecer-lhe apoios e abriu-se a consensos com ele. Em vez de desmascarar a tramóia esquerdista que, mais uma vez, nos está a levar à ruína, não a pôs, diariamente, em causa: deu-lhe a mão. Em vez de reconhecer a gigantesca obra de Passos Coelho – que não apregoava “ética” mas praticava-a de sobra –, esqueceu-a. Em vez de criar alternativa, quis continuidade. Em vez de se opor, pendurou-se. Em vez de ir buscar gente com saber e garra, arranjou quem, ou não presta ou não tem estaleca política, nem presença mediática, nem carisma, nem nada que possa criar um espírito de vitória, de confiança, de valer a pena.
O problema alargou-se. Dentro do partido, haverá alguém, mesmo dos para tal fazem um esforço, que nele, Rio, acredite? E fora? Os que, nas últimas legislativas, se viram enganados pela frente de esquerda, os que esperavam uma oposição digna desse nome, merecedora de alguma esperança, olham o vazio que, à sua revelia, se instalou no centro-direita e na direita. O CDS não avança um milímetro, o que se compreende. Do PSD não se sabe o que resta. O sector divide-se em partidecos, partidinhos e brincadeiras várias.
Talvez nos valha a fundada esperança de que a geringonça se suicide. Na presença de adversários como Rio, o fim disto só será possível quando o PS sossobrar à força da destruição que está a provocar. Nessa altura estaremos todos, como ele, arruinados.
Rio não percebe que a culpa é dele. Não percebe que, sem alternativa forte, pouco haverá de parecido com democracia.
Não sei o que fazer, mas sei o que aí vem. E sei a quem o devemos.
10.1.19

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