Como o IRRITADO cientificamente previu, logo a seguir à demissão do senhor Pinto de Sousa estalou uma infrene campanha de desculpabilização própria e de culpabilização alheia.
O que IRRITADO não previu, por muito pessimista que tenha sido, foi a intensidade da marosca.
Tudo estava programado, gravado e decorado há uns 15 dias.
A golpada (António Barreto dixit) do senhor Pinto de Sousa resultou em cheio.
Que o IRRITADO tenha ouvido, o pelotão dos aldrabões já repetiu a gravação pelo menos umas cinquenta vezes. Não é possível ver um noticiário sem que a apareça um ou dois ou três ou quatro soldados do pelotão a dizer exactamente a mesma coisa, a propósito ou a despropósito. E não há um jornalista que os interrompa e lhes diga que essa já é velha, veja lá se arranja outra.
Façamos justiça. Ontem, foi acrescentado à lenga-lenga um argumento de peso: a falta de legitimidade de um governo de gestão para pedir “ajuda externa”.
O sargento do pelotão deve ter ouvido alguma dica sobre o discurso do Presidente. Sabendo que o homem ia dizer que o governo era para tal competente, foi decidido sangrar-se em saúde. Daí que a declaração de incompetência tenha inundado a informação durante todo o dia, quem sabe se para dissuadir o PR de exprimir tal opinião.
O PR declarou o pelotão competente.
O “pai da Constituição”, o impagável Miranda, da esquerda baixa, declarou o governo competente.
O professor Canotilho, da esquerda alta, declarou o governo competente.
Todos os partidos políticos declararam o governo competente.
O Tribunal Constitucional já tinha produzido um acórdão declarando o governo competente.
Só o senhor Pinto de Sousa e o pelotão, qual duquesa de Brabante perante o cadáver do príncipe, acha o contrário.
Mais: hoje, um dos furriéis veio declarar que a competência é… do Presidente! Após seis anos a dizer que o Presidente não tem nada a ver com nada nem competência seja para o que for – o que não anda longe da verdade – o pelotão descobriu que a competência era dele.
Resumindo: desesperado por perceber que ninguém já come aquela das culpas do PSD, o pelotão tem esta extraordinária arrancada. A partir dela a culpa passa a ser também do Doutor Cavaco.
A soldadesca do Largo do Rato, essa, a começar pelo 1º sargento, não é, nunca foi nem jamais será culpada seja do que for. Quem o negar ou é um reles caluniador ou está feito com as “forças ocultas”.
Desde o primeiro momento em que a excelsa pessoa do primeiro-ministro foi confrontada com os seus podres e os seus malefícios, o homem nunca mais fez outra coisa senão fabricar conspirações, culpar este mundo e o outro, dar pinotes mais ou menos carnavalescos para se safar. E lá se foi safando, que este país gosta muito de “estabilidade”, nem que seja a estabilidade da miséria e da mentira.
Pode ser que, desta, os eleitores, que já por duas vezes tiveram a colossal estupidez de votar nas ilusões e nas aldrabices deste sorja desonesto e ignorante, tenham uma iluminação qualquer e corram com ele para sempre.
1.4.11
António Borges de Carvalho

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