Há dias, olhando a montra da Bertrand, viu o IRRITADO, copiosamente exposto, um livro do David Baldacci, escritor de thrillers que muito lhe agrada. Olha, já o traduzem! Ainda bem. Como não conhecia o título – “A Conspiração Do Silêncio” -, sem mais pensar comprou um exemplar que custou uma data de euros.
Até aqui tudo bem.
À noite, o IRRITADO pegou no livro, decidindo entreter-se com ele ao serão.
Passada página e meia de péssimo português, o IRRITADO teve uma forte sensação de déjà vu. Folheou mais um pouco e teve a certeza. Já tinha lido o livro! Mas não se lembrava de nada com um título que, de perto ou de longe, tivesse a ver com “A Conspiração Do Silêncio”. Pensou pensou, e lá lhe veio à memória o título que o autor deu à sua obra: Deliver Us From Evil.
Calcule-se as dificuldades intelectuais que os tradutores devem ter tido para traduzir a estranha coisa. “Livrai-nos Do Mal” é uma expressão de tal maneira rebuscada e desconhecida que não a conseguiram enxergar. Era intraduzível. Não é?
O IRRITADO recomenda vivamente aos seus leitores:
a) Que nunca comprem uma tradução sem procurar o título original e sem a folhear com todos os cuidados;
b) Que, se puderem e souberem, não comprem traduções;
c) Que se defendam, não gastando com eles um chavo, dos senhores Maria Dulce Guimarães da Costa e Vasco Teles de Meneses, tradutores encartados de uma editora desconhecida, “Clube de Autor” de seu nome.
1.4.11
António Borges de Carvalho

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