IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


O GRANDE PORTUGUÊS

 

Passadas as eleições europeias, castigado o centro, atirado o socialismo decente pela escada abaixo, premiada uma série de demagogos autoritários, algo era preciso fazer para aguentar alguma hipótese de futuro para uma Europa em crise.

Daí que, do mais ocidental Ocidente, uma prestigiosa e importantíssima figura se tenha levantado a grande altura para iluminar com a luz do seu génio as trevas em que o continente estava mergulhado: o admirável senhor Costa, lídimo chefe de todos os bons portugueses (o IRRITADO é dos maus).

Qual Magalhães, Costa faz-se a caminhos nunca antes navegados. O seu rumo não se expressa em milhas marítimas, mas arrosta com ventos e marés nesse mar tempestuoso que é a União Europeia, cuja salvação impendia sobre os seus ombros. Viajou, viajou por tudescas plagas, gálicas paragens, terras de brabante, falou com reis e ditadores, condestáveis e clérigos, sendo o périplo saudado, invejado, glorioso, cheio de guardas de honra, de banquetes, de magnas conversações e, como é natural, de ditirâmbicos elogios que, na Pátria amada, os seus arautos espalhavam por toda a parte. Há quem diga que chegou a ser instado para se sentar no trono do Grão Mogol. Confirmando embora tais insistências, por fidelidade à Terra de Camões circumnavegou e acabou por decidir, fiel como sempre, voltar à bem-nascida segurança da Pátria amada.

Na triunfal jornada, porém, os seus esforços conheceram inúmeros obstáculos. Vários adamastores se ergueram contra ele e contra os seus marinheiros, o almirante que ele sugerira para a armada foi despromovido a imediato, os gigantes a que se opunha ganharam o comando dos navios, os tiranetes do levante amachucaram-no, mandaram-no de volta a penates com o sextante entre as pernas.

 

Saindo desta metafórica arenga, vejamos o que se passou. A Alemanha, na política, e a França nas finanças, com uns penduricalhos menores, ficaram no poder. Os amigos do Costa baixaram a bola. Tudo por culpa, diz-se agora, dos trambiqueiros do Leste, gente ordinária que ainda não saiu dos hábitos profundos do pacto de Varsóvia (concordo). Só que, no fundo e em conclusão, ganhou quem ganhou as eleições, coisa a que o Costa, como se sabe, é avesso. Olhou para o espelho, julgou-se o maior, achou-se com universal autoridade, e vai de sair da peniqueira e querer domar os outros. Helas, em vez do sextante, meteu o rabo entre as pernas e, lamentoso mas a mostrar os dentes, aí está ele, optimista como sempre, preparado para a(pro)fundar a nacional democracia.

Vai ser porreiro, pá.

 

3.7.19  



Uma resposta a “O GRANDE PORTUGUÊS”

  1. Consegui ler até ao fim, mas fiquei “DE RASTOS”!!!

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