Tive ontem a desgraça de ouvir e ver um prosélito do politicamente correcto ou, mais que isso, um Torquemada dos nossos dias, a perorar sobre aquilo a que poderíamos chamar “da natureza dos alarves”. Quem viu e ouviu o que eu vi e ouvi já deve ter percebido de quem falo. Para os outros, aqui vai o nome do objecto: Daniel Oliveira, transfuga do BE, residente na SIC e no Expresso.
Para um esclarecimento rápido de quem me leia, resumo numa frase a tese da criatura: a humanidade divide-se em duas classes, uma, que ele representa, outra, a dos alarves. À classe dele compete, entre outros mimosas missões, a de fazer censura “social”, ou seja, à falta de censura propriamente dita – coisa a que o tempo e o lugar (ainda) não são propícios – presentear os alarves, não com críticas ou com contra-argumentos, mas com o mais vigoroso desprezo. Isto ao ponto de encaminhar o sermão para a defesa do não valer a pena dar aos alarves qualquer espécie de conversa. Ele, arcebispo da “modernidade” e dos novos costumes, não dará. Na estratoesférica altura do seu púlpito, lado a lado com a dona Moreira e outros sacerdotes da razão, longe da miserável plebe dos alarves (representada para o efeito pelo Doutor Gentil Martins e pelo tipo do PSD de Loures) não há lugar para diálogo, tolerância ou discussão: são meros párias, os alarves.
Nem Gandis nem Mandelas: condenção sem recurso! Só faltou a mais lógica das declarações: que saudades da PIDE!
Uma chatice, isto de os tempos serem o que são: no mundo ideal do Oliveira, os alarves, uma vez por ele e seus fiéis classificados como tal, estariam todos no Tarrafal. Livrava-se assim sociedade de todo e qualquer contestatário que pusesse em causa as verdades “científicas” e “sociais” de que ele é privilegiado arauto. Pôr em causa o catecismo da esquerda é que não. A lata dos alarves tem que sr combatida pela “censura social”, quer dizer, pela ocupação de todos os meios e fora pelos detentores e prosélitos da verdadeira correcção.
Uma conclusão do IRRITADO: o Oliveira provou à saciedade o que é um alarve a sério, e um alarve perigoso: ele mesmo.
23.7.17

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