IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


NATALIDADE

 

Aqui há uns anos, a mentalidade progressista da Nação legislou sobre as chamadas uniões de facto, o que constituiu uma das mais ferozes bojardas no direito que se possa imaginar.

Por definição, uma coisa que é de facto, não é de jure. Uma vez que é objecto de providências legislativas, deixa de ser de facto e passa a ser de direito. Absurdo: estas uniões continuam a ser de facto, mesmo quando já o são de direito! Disto resulta uma espécie de casamento à la carte, isto é, cada um, segundo as circunstâncias, optará por ser casado (ou equiparado, para todos os efeitos) ou solteiro, viúvo, divorciado (para todos os efeitos). Daqui que, a quem tenha relações jurídicas com tais pessoas não será garantida a certeza jurídica dos negócios, uma vez que, à la carte, a outra parte poderá optar por ser uma coisa ou outra consoante lhe convenha caso a caso. Se a ordem jurídica cuidasse destas elementaridades, cuidaria também de obrigar ao registo das uniões a partir das quais os unidos queiram obter direitos e obrigações em relação à sociedade.

É a sociedade o que está em causa, não as opções de cada um, isto é, quem queira que a sua união tenha efeitos jurídicos oponíveis a terceiros, devia ter a concomitante obrigação de registar publicamente tal união. Se a não registasse, não poderia obter vantagens por mor de uma situação juridicamente inexistente.

A maior parte das uniões de facto são estéreis. De um modo muito geral, quem quer ter filhos casa-se, uma vez que é da natureza humana querer dar estabilidade à descendência.

 

Outro florilégio do Portugal progressista foi o chamado casamento dos homossexuais, coisa que, seja qual for a opinião de cada um sobre o assunto, para além de constituir uma marretada de todo o tamanho no casamento propriamente dito é, em si, desincentivadora da reprodução, coisa vedada a tais “casais”.

 

Quando eu andava no liceu, havia uns tipos, no Rossio, que vendiam lâminas.

– Nacet, a melhor lâmina! – era o pregão.

Depois, ao ouvido do cliente, diziam:

– Quer camisas, quer camisas?

A camisa era coisa proibida pela gestão de costumes da ditadura.

Havia uma farmácia nas avenidas novas que vendia as “Velinhas Erbon”, espermicida dito garantido e, como é óbvio, odiado e proibido pela ditadura

Hoje, passou-se do oito para o oitenta. Distribui-se preservativos de borla, vende-se tudo o que há para esterilizar o sexo, chama-se a isso “planeamento familiar” e propagandeia-se a coisa como mimoso fruto da civilização e da moral.

 

No cimo destas práticas, todas elas, evidentemente, concebidas para limitar a natalidade, tornando-a não uma honra dos casais mas um mal a evitar a todo o custo, temos a liberalização do aborto, devidamente incentivada e paga pelo Estado quando se quiser e as vezes que se quiser. Acrescenta-se a isto, como notável e progressista incentivo, um subsídio de natalidade(!).

 

Os resultados destes avanços civilizacionais estão à vista: os portugueses são cada vez menos.

Enfrentando esta interessante questão, há uns sábios que fazem reuniões intelectuais com o objectivo de “relançar a natalidade”. Altas opiniões. Estudos científicos. Relatórios sociológicos. Discursos inflamados. Até o Presidente Cavaco lá foi.

Interessante é que, que se saiba, nenhum dos sábios pôs o mindinho que fosse nas causas da coisa, entre as quais as que acima refiro.

Saíram de lá todos muito contentes com o inestimável contributo que terão dado à Nação com a sua sabedoria.

 

Uma das “conclusões”, que ouvi na televisão, foi que a miserável reprodução dos portugueses é um sinal de alto progresso civilizacional. Isto, porque, nos países mais atrasados é onde nascem mais crianças.

Quer dizer, tudo serve para justificar o nosso “avanço”. Ora, como se verifica que os mais altos índices de natalidade da Europa se encontram nos países nórdicos, teremos que, no parecer dos sábios, pobres terras como a Suécia, a Noruega ou a Finlândia, em comparação com a nossa, são uma espécie de terceiro mundo.   

 

E se fossem bugiar?

 

18.2.12

 

António Borges de Carvalho



6 respostas a “NATALIDADE”

  1. Está tudo às avessas. Subscrevo inteiramente. Além disso aviltou-se o casamento formando aqueles casais que não o são, apenas por uma questão da natureza e do dicionário.

    1. Parabéns, regressou aos excelentes “post” que me habituou.

  2. É óbvio que os maiores indíces de natalidade estão nos países atrasados: quanto mais atrasados são, mais criancinhas nascem. Falar da Suécia, da Noruega ou da Finlândia, só pode ser uma piada. Isto é facilmente comprovável em quaisquer estatísticas, nem merece discussão. E isto não tem nada a ver com uniões de facto, ou casamentos de homossexuais, o Irritado confunde – deliberadamente – as questões. A malta não faz mais filhos, Irritado, porque a sociedade mudou: sai-se da casa dos pais perto dos 30 anos, as mulheres trabalham, e já não têm empregos onde possam tirar N licenças de parto – e, mesmo que pudessem, também não estão para isso. Hoje, ter um filho é um feito, ter dois filhos é uma tarefa imensa, ter mais é quase insano. Olhe para o SAQUE FISCAL do seu Governo, para os calotes (impunes) que temos por pagar, para o desemprego crescente, para o país e o mundo em que vivemos: acha realmente que são as “uniões de facto”, ou os larilas “casados”, que acabaram com o seu mundo conservador e perfeito?

    1. Dirá que se trata de uma questão civilizacional. de mudança dos costumes, etc. Perdoe que não pense assim. Cá em casa tivemos 4 filhos e toda vida trabalhámos, mulher e marido. Foi duro, mas valeu a pena. Se se trata de uma questão civilizacional, com todas as desculpas que v. encontra para ela, não deixará por isso de ser uma evolução negativa em termos de natalidade e não só.Quanto a estatísticas, olhe para elas e veja que tenho razão no que respeita aos nórdicos.

      1. Torneou a questão principal: se não há dinheiro, como espera criar mais filhos? Em África, e noutros esplêndidos locais, os filhos são uma força adicional de trabalho: é pô-los a trabalhar, logo que deixam as fraldas (caso lá tivessem fraldas), e quantos mais melhor. Por cá, não é assim. Um filho são pelo menos 16 anos de despesa, o que, num país A SAQUE, não é lá muito apelativo. Teve 4 filhos. Muito bem. Qual era a taxa de desemprego no seu tempo? Quanto custava mantê-los e educá-los, face aos rendimentos do casal? Não hão-de ter sido tudo rosas, mas o Irritado estaria certamente acima do rendimento tuga médio. À parte disso, temos de facto a questão civilizacional, goste-se ou não dela. Filhos exigem responsabilidade, compromissos, sacrifícios, e o Mundo dito civilizado caminhou na direcção oposta: facilidades, fruição, egoísmo. Além disso, muitos moços apaneleiraram-se (termo feio, mas o melhor que me ocorre), e as moças também mudaram as suas prioridades. Nada de bom, concordo, mas é como é. E tudo indica que não vai melhorar.

        1. Nunca considerei os filhos como parte da despesa, mesmo que fossem a mais importante caudsa dela.Os filhos foram sempre uma parte, a melhor parte, da alegria de viver. Mesmo quando não havia dinheiro lá em casa. É, realmente, uma questão civilizacional. Outros conceitos, mais economicistas, como se diz agora…

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