IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


MISSIVA

 

Senhor Presidente da República, Excelência

 

Está Vossa Excelência em queda livre na opinião dos seus concidadãos, o que é mau para si e para eles.

É evidente que Vossa Excelência tem um cargo difícil, quase absurdo. Vossa Excelência não é carne nem peixe. Não dá ordens, larga bitaites. Se não se mete, é porque não se mete, se se mete, não devia meter-se ou mete-se mal. Gostava de ser presidente dos portugueses, ou da Nação, mas não é nada disso. É-o da República e é um pau. Aliás, para a Constituição, a Nação nem sequer existe.

Vossa Excelência é, como todos nós, vítima de uma Constituição estúpida q.b., como não existe em mais lado nenhum.

Mas, se resolveu candidatar-se, tem que saber aguentar com estoicismo e savoir faire.

Ora não é isso o que tem acontecido. Vossa Excelência mete o pé na argola com uma frequência aterradora.

Vem isto a propósito das suas últimas argoladas.

Vossa Excelência arranjou uma coisa para discutir problemas, mas fechou-a aos olhos do público. Só gozam dela os que fazem o supremo sacrifício de aceitar o seu convite e de passar uma tarde a ouvir discursos, lutando contra o sono e não tendo, sequer, a consolação de aparecer na televisão.

Vossa Excelência teve “um impedimento” que o fez não dar a cara a uma pequena multidão de miúdos mais ou menos malcriados. Podia ter inventado um impedimento – uma diarreia, uma gripe, uma unha encravada, por exemplo. Mas não, resolveu não dar satisfações.

Agora, lê nos jornais que a sua imagem está ainda mais abaixo do que ficou na história da espionagem do Pinto de Sousa. Naturalmente, pensa como Lenine: que fazer?

 

Preocupado com a incómoda situação de Vossa Excelência, o IRRITADO permite-se sugerir soluções.

Quanto às suas conferências, abra-as ao público e aos jornalistas, ou acabe com elas.

Quanto à António Arroio – a mais grave de todas as argoladas – mande dizer ao director da escola que combine com os áulicos da presidência uma visita num dia em que não haja “impedimentos”. E vá lá, homem, vá lá, enfrente a miudagem com dignidade e bravura! Ninguém o come!

Não o fazendo, estará a deitar achas na fogueira que o consome e a oferecer argumentos a quem não gosta de si, gente que não deixará de juntar aos adjectivos que com tanta injustiça o brinda, o mais grave de todos: cobarde.

 

Quem o avisa seu amigo é. Amizade que, no caso do IRRITADO, está acima de qualquer suspeita, não é?   

 

19.2.12

 

António Borges de Carvalho



2 respostas a “MISSIVA”

  1. Uma missiva enternecedora. Já imagino a D. Maria a lê-la ao destinatário, junto ao seu sarcófago.

  2. Cobarde é o minimo.Chefe de bando fica-lhe melhor!!!

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