A incrível geringonça (conjunto furruginoso de engrenagens que constituem e apoiam aquilo a que há quem chame governo) distribuiu, em 2016, prebendas várias aos seus clientes, afilhados e outros dependentes. Certo. Esta gente estava há muito desejosa. É justo, eu que o diga, como justo seria que ganhássemos todos três vezes mais, que os preços não subissem, que o país não estivesse endividado a até às orelhas e que, já agora, não estivéssemos afogados em impostos. E que, e que, e que.
Bom, para além destes brilhantes resultados, um olhar muito limitado à volta mostra:
– Que não há dinheiro para o INEM;
– Que não há dinheiro para as escolas;
– Que não há dinheiro para os hospitais;
– Que não há dinheiro para os enfermeiros;
– Que não há dinheiro para os polícias;
– Que não há dinheiro para os tribunais;
– Que não há dinheiro para comprar bilhetes para o Metro;
– Que não há dinheiro para o investimento;
– Que não há dinheiro para os consulados;
– Que não há dinheiro para as embaixadas;
– Que não há dinheiro para as facturas;
– Que tudo funcionava melhor nos tempos da troica e nos que se lhe seguiram, ou seja, antes da subida da geringonça ao poder.
– Que o governo anterior fazia das tripas coração para defender o Estado social e que a geringonça o sacrifica por todos os lados e de todas as maneiras.
Entretanto, a economia enfraquece, mingua. O índice de actividade era 2,8 em Novembro de 2015; em Novembro de 2016 estava nos 0,8. O clima económico mostrava o índice 1 em Outubro de 2015; em Outubro de 2016 foi para 0,8. Dados oficiais.
Não se aflijam. O grande chefe e educador da geringonça, sito em Belém, já veio dizer que, se houver problema, a culpa é da “conjuntura externa”, quiçá a pensar no Trump, no Brexit, no Goldman Sachs, no BCE, no FMI, na dona Ângela, no Daesh e noutros diabólicos agentes que não pensam noutra coisa senão em dar cabo da vida ao país.
Por cá, no seu douto parecer, está tudo na maior.
23.12.16

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