IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


MAQUIAVEL DA REBOLEIRA

 

Assisti ontem a um dos espectáculos mais horripilantes dos últimos tempos. Num canal do cabo, foi entrevistada uma criatura digna de nota, um tal José Miguel Júdice, antigo ultra do Estado Novo (coisas da juventude), que chegou a fugaz líder do PSD, bastonário dos advogados, hoteleiro, apoiante do Costa, enfim, de tudo um pouco, uma data de coisas com que não vale a pena perder tempo.

A tese do homem é a da inutilidade política das ideias e, acima de tudo, da honestidade, da coerência, da urbanidade e da verdade. O que conta é ter, a cada momento, a noção clara das oportunidades, do que está a dar, do que tem atracção eleitoral, do que mais pode agradar às elites do partido. Princípios são uma inconveniência, uma coisa a esquecer. O poder é o poder e quem o quiser não pode estar prisioneiro de tais pinchavelhos.

A diferença entre Brutus e António Costa, disse Júdice, é que, tendo ambos assassinado o chefe, o primeiro não ficou com o poder de César, o segundo ficou com o de Seguro. Costa foi o melhor porque foi o mais esperto. Nisto da política, é o que conta. Costa fez-se ao poder. Perdeu as eleições mas deu a volta por cima, e aí é que está a verdadeira política. Costa sabia, diz Júdice, que fazer das tripas coração e aceitar a derrota o remetia para ignorada prateleira. Viu a oportunidade, atropelou e ganhou. Isso é que é um político!

Daí que Passos Coelho, que Júdice tem na conta de honesto, coerente, homem de princípios, se tenha deixado agarrar pela honestidade, pela coerência, pelos princípios, tudo coisas impróprias de um político que se preza. Não merece andar na política. Parece evidente, não parece?

Triste é que este tão ilustre opinador mais não faça que interpretar a verdadeira natureza da geringonça e dos seus adeptos. Tem até a vantagem de falar claro, dizer o que vai na alma dessa gente, sem rodeios, hesitações ou disfarces.

 

21.12.16



2 respostas a “MAQUIAVEL DA REBOLEIRA”

  1. Definitivamente, entender o irritadiço é obra ciclópica que escapa ao comum dos mortais. Então, para tecer loas a Passos Coelho, diz que Júdice o tem na conta de honesto, coerente e homem de princípios. Porém, afirma que esse tal Júdice incorpora o que de pior existe nos homens. Ora, se assim é, ao dizer que Passos é honesto, coerente e bláblá, não estará a utilizar (o tal judas) o seu piorio? Obviamente dizendo o contrário e vice versa!!!

  2. Da geringonça e dos seus adeptos?O chulão Júdice limitou-se a resumir, pelo visto com desarmante simplicidade, toda a política. Foi isto que chocou o Irritado: ouvir verdades tão pedestres, embora ditas de forma tão leve – ou não fosse o Júdice uma das p. deste bordel, armada em virgem – foi como quebrar as regras do jogo. É como o personagem dum filme a falar para a câmara: quebra a ilusão. O jogo político é a mesma coisa. Não se pode dizer, em público, que é uma cambada de chulos oportunistas à cata de tacho, poleiro e negociatas. Fica mal.Dia após dia, todo o dia, ouvimos e lemos “análises políticas” como se tudo isto fosse coisa séria. Tem de ser coisa séria. De contrário, que seria de todos os comentadeiros que vivem disto? Por isso é que Passos Coelho, jotinha medíocre que começou a trabalhar(?) aos 37 anos, que andou metido em negociatas sujas e fundações fantasma, que subiu amparado no trafulha Relvas, que tem como vice o trafulha Marco António Costa, que incumpriu descaradamente tudo o que prometeu, que saqueou o país enquanto serviu Mexias e outros lobbies, é «honesto, coerente, homem de princípios». Claro que é.E a política em Portugal, da esquerda à direita, não é um imenso esgoto a céu aberto. Claro que não.

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