Anos atrás, Vale e Azevedo foi preso. Era voz corrente que o homem tinha uma série de problemas às costas, dolos, trafulhices várias, práticas condenáveis, mania das grandezas, etc. e tal. Toda a gente sabe o que aconteceu a seguir. Para este post, interessa o que aconteceu antes: Vale e Azevedo foi preso, não quando houve suspeitas contra ele, não quando foi apanhado com a boca na botija, nada disso, foi apanhado quando a assembleia geral do Benfica correu com ele.
Mutatis mutandis, com a dona Isabel aconteceu mais ou menos o mesmo. Durante anos, dona Isabel foi acarinhada, elogiada, teve públicas honras, não havia ministro que não ficasse honrado por ser visto a seu lado, os media teciam-lhe loas e a senhora ia comprando por aí umas coisitas, fazendo uns negócios milionários com bancos e com parceiros da nossa melhor praça, tinha todas as passadeiras vermelhas à disposição, todas as portas abertas, tudo legal, tudo transparente, chegou a ser condecorada pelo tipo do Porto, ela e o Sococo, seu ilustre marido.
De vez em quando apareciam por aí uns artistas a dizer que os milhões dela tinham origem em suspeitas manigâncias do seu importantíssimo papá. Mas, que interessa isso, é uma “grande investidora estrangeira”, “acredita no país”, e o facto de ser filha de quem é só ajuda a dar-lhe o merecido destaque.
Entretanto, o sucessor do papá deixou de ser o papá, os procuradores, os juizes e quejandos lá de Angola viraram 3600, tudo passou a ser o contrário do que era. E logo, os elogiadores da dona Isabel passaram para a acusação. Como aconteceu com o Vale e Azevedo. E logo, uma matilha internacional de jornalistas/detectives achou que tinha chegado a sua oportunidade: saltou cá para fora a dizer o que andava a escarafunchar com o objectivo de lixar a fulana: 70.000 (ou 700.000?) papéis, um doce a quem os ler.
Catrapim! Dona Isabel cai da tripeça. A rataria sai do barco: quem, eu?
O IRRITADO jura que não sabe quem são os bons e quem são os maus. Tem cá umas ideias, mas nada ao certo.
Só sabe que o assunto vai levar anos e nunca ficará devidamente esclarecido, como de costume. Grosas de demandas judiciais, de consultores, solicitadores, consultores, revisores, investigadores, procuradores, polícias, advogados, juízes, jornalistas, entrarão em acção, sedentos de sangue e de honorários. Nas redes sociais o fartote vai ser imenso, vai haver milhões de notícias, verdadeiras, falsas, assim-assim, transparentes, opacas, fotografias devidamente manipuladas, a publicidade vai render milhões, um nunca acabar de entretenimento para o povo. No meio disto tudo, ninguém será capaz de imaginar quanto nos vão custar as consequências desta guerra.
…
Olimpicamente, Costa, peremptório, afirma pela décima milionésima vez que “a justiça com a justiça, a política com a política”.
Ainda bem, ficamos descansados, não há problema. Que mais podíamos desejar?
23.1.19

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