Os professores não param de nos alimentar com notícias.
Se esperarem que o tempo passe e que o povo pague, lá terão a reforminha. Terão vivido inutilmente, mas não morrem de fome. Talvez de inanição.
O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill
Os professores não param de nos alimentar com notícias.
Se esperarem que o tempo passe e que o povo pague, lá terão a reforminha. Terão vivido inutilmente, mas não morrem de fome. Talvez de inanição.
Sr. Borges de Carvalho Sugiro-lhe que peça dispensa (sem vencimento, claro! Temos que ser justos…) do seu trabalho durante um ano e nesse mesmo período de tempo experimente (tentar) dar aulas numa qualquer escola do país. Só nessa altura perceberá que o que é menos exigido a um professor na actualidade é, por contraditório que pareça, ensinar. Foi precisamente por não ter seguido psicologia, serviço social, secretariado, animação sociocultural , e também por não ter frequentado a escola de polícia, e em vez disso ter concluído o ramo de ensino de Biologia, que actualmente eu integro a lista dos professores que ponderam mudar de profissão. Termino com um tópico de reflexão: e se realmente aqueles 75% de professores deixassem a profissão? Seriam os “treinadores de bancada” que tentam a todo o custo fazer “brilharete” atirando postas de pescada para todas as direcções, que se chegariam à frente para agarrar a tarefa de instruir toda uma geração? Não me parece. E ainda bem. seria caso para dizer – pobres alunos; estão entregues à bicharada. Carla F.
Dona Carla F. Se não se tratasse de um “anónimo”, teria muito gosto em lhe responder. Hoje publiquei mais uma notinha que sublinha a admiração que sinto pela classe. Os casos isolados podem ser interessantes, mas significam o que significam, ou seja, o que interessa é o que se vê.CordialmenteABC
Caro ABC:A não indicação de endereço de e-mail no meu comentário é apenas uma medida que vulgarmente uso para evitar entupir a minha caixa de correio com coisas que não interessam. O anonimato é um direito que me assiste, tal como a liberdade de expressão. Em relação à sua “notinha” publicada, deixe-me que o actualize em termos de política educativa:- já não existe quarta classe há muitos anos, suponho que se estava a referir ao quarto ano do primeiro ciclo do Ensino básico;- medidas como virar os meninos para a parede já fazem parte apenas da memória colectiva de quem ia à escola primária no tempo do Estado Novo; Hoje em dia, mesmo que um aluno chame p**a à professora, garanto-lhe que não lhe será infringida tamanha humilhação, que quase roça a tortura psicológica.E já agora pergunto-lhe o que são para si os “casos isolados”? Parece que a maior parte dos portugueses nos dias de hoje não tem noção da abrangência dos “casos isolados”. Para mim, que conheço a realidade de perto, um “caso isolado” é uma aula em que não tenho que mandar calar uma única vez os alunos que insistem em fazer na aula o prolongamento do intervalo, é uma aula em que não tenho de confiscar telemóveis, mp3, PSPs ou objectos que andam a circular de mesa para mesa, é uma aula em que não tenho de dizer dez vezes que as máquinas de calcular são para fazer cálculos e não para jogar…E já que na sua “notinha” ainda faz um comentário muito interessante do ponto de vista do pensamento democrático, algo como “apenas interessa aquilo que se vê”, deixe-me que lhe responda: o pior cego é o que não quer ver.RespeitosamenteCarla F.
Caríssima Carla F.Compreendo as suas inquietações. De facto, tirei a 4º classe no tempo da ditadura, tempo em que os meninos levavam ponteiradas no toutiço quando punham na terceira pessoa do plural um verbo com sujeito indeterminado, coisa que hoje toda a gente faz e até há quem defenda. A avaliar pelas criancinhas que conheço, hoje já não há sujeitos, ainda menos indeterminados, nem predicados, nem coisa nenhuma.Devo esclarecer que, desde que cheguei à idade de pensar em certas coisas (aí pelos 17, 18 anos) jamais fui adepto da ditadura ou dos seus métodos.O problema, caríssima Carla F., é que, nem tanto ao mar nem tanto à terra. Por outras palavras, est modus in rebus. (Sei que o latim foi banido, se calhar era uma língua fascista…, por isso peço desculpa pela latinada).Com a democracia, veio uma epidemia de experimentalismo educativo, de esquerda mesmo quando praticado por tipos ditos de direita, que tem servido para sustentar legiões de burocratas e de pedagogos feitos à pressa ou educados nas sedes dos partidos ou nas centrais sindicais.O seu comentário (não tenho razão nenhuma para duvidar do que me conta) é bem o sinal dos resultados de um experimentalismo absurdo, centralista e arrogante.As escolas não têm autonomia para disciplinar os alunos. A cadeia de recursos duma pena disciplinar é mais complicada numa escola do que na Justiça. Quem castigar arrisca-se a ser mais castigado que o castigando. Os alunos deixaram de ter a obrigação de aprender, passando a ter uma noção do ensino como coisa lúdica. A memorização, fundamental em qualquer sistema de ensino digno desse nome, é substituída pela “compreensão”. A disciplina é uma coisa que se “aceita”, não uma imposição do sistema.Muito mais poderia acrescentar, mas julgo que não vale a pena.O resultado é o que me conta.O problema que está mais à vista, agora, é o dos professores. Vítimas do sistema, sem dúvida, mas, cheios de vícios, transformaram-se, como classe. no exemplo do que há de pior na função pública. Todos, de uma forma ou de outra, sofremos os resultados de trinta anos de socialismo, coisa há muito abandonada pelos países civilizados. Mas os professores, minha querida senhora, vão longe demais! Se lê o Irritado, sabe que sou a última pessoa a defender o governo que temos. Sabe que considero a “avaliação” do ministério como (mais) uma manifestação de burrice. Mas, peço-lhe, pense um bocadinho. Acha que a brutal bagunça que os professores têm provocado tem alguma coisa a ver com isso? Não acha que o sistema, mais dia menos dia, mais que não fosse com a prática, tinha morte anunciada? Não acha que o que os professores tinham a fazer, para além dos sacrifícios que fazem todos os que têm que ganhar a vida, seria tratar de preparar um futuro com pés e cabeça? Não acha que há muito mais a fazer do que o que se tem feito? E muito diferente? Pense um bocadinho, se quiser, antes de se considerar pura e exclusivamente vítima do sistema e da sociedade.Para fechar esta longa arenga, deixe que lhe diga que não estou de acordo consigo quanto ao anonimato. Chamar-lhe um direito é, para mim, uma coisa abominável. Sei que está na moda, mas não deixa por isso de ser abominável.Talvez fosse uma prática fascista, mas fui ensinado a ter cara e a assumir, com ela, o que digo e escrevo. E daqui não saio.CordialmenteABC
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