IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


MUDANÇAS E FICANÇAS

 

Nos negregados tempos da troica, e mesmo depois dela – estando no poder o Primeiro-ministro eleito -, se faltasse uma aspirina num hospital caía o Carmo e a Trindade, era o requiem pelo estado social, o fim do SNS, a prepotência do neoliberalismo, o diabo a quatro. Se faltasse um rolo de papel higiénico numa escola saíam à rua hordas indignadas a clamar que era o fim do ensino público, vítima do capitalismo de casino, era a submissão das escolas às multinacionais, era os ataques aos direitos humanos (existentes, “adquiridos” ou inventados ad hoc), havia manifestações, comícios, outra vez o diabo a quatro.

Enquanto o governo, peado pelas consequências da governação do PS, fazia das tripas coração para manter tudo em funcionamento (e o conseguia), a esquerda, por definição proprietária da verdade, dos bons costumes, da razão, da correcção, dos “valores”, da autoridade moral etecetera e tal, berrava as mais desbragadas aleivosias, vinha para a rua aos gritos, desestabilizava, ofendia, maltratava, ignorava.

O ambiente era de chumbo, alimentado pelos media que, na generalidade, sempre foram, e são, arautos da correcção esquerdista.

Hoje, tudo é diferente, mas há o que é igual. Temos, pela primeira vez na história da III República, um primeiro-ministro não eleito. Temos, também pela primeira vez, os radicais de esquerda (cuja  influência é a mais evidente marca do nosso atraso político, social e cultural) no poder, temos a verdade substituída pela mentira e pela irresponsabilidade (olhem os incêndios, olhem o que se passa com a tropa, olhem as aldrabices do Centeno), temos a política substituída pela propaganda, e temos o milagre da domesticação da esquerda radical, à qual o outrora PS social-democrata, ora renegado, se submete, lambendo. Tudo diferente, como vêem.

Os media, esses, estão na mesma. O que for contra a moral da esquerda é fascista, xenófobo, racista, e mas o que lhes der na cabeça, como, quase sem excepção, se pegou numa intervenção sensata de Passos Coelho para o crucificar. Tudo igual.

De resto, o poder de esquerda em Portugal é o que sempre foi: mera oposição a quem à esquerda se não submete. Sendo a dona da razão, tudo o que não for ela, ou dela, é para insultar, seja lá como for e porque for. Se não for, inventa-se. Conceitos altamente democráticos, como é de ver.

Mal seria se não falássemos noutra diferença, desta vez positiva porque igual, passe a contradição: já não há, no galarim da Justiça, tipos como os amigos do chamado Sócrates. Tem-se visto que, onde não entra o governo do primeiro-ministro não eleito, as coisas ainda não foram revertidas. Está-se na página que Passos Coelho abriu. Até quando?

 

20.8.17   



6 respostas a “MUDANÇAS E FICANÇAS”

  1. «Temos, pela primeira vez na história da III República, um primeiro-ministro não eleito». Correcção: o seu caro Santana Lopes também não foi eleito. E a Constituição que lhe garantiu o poleiro, pela mão do seu odiado Sampaio, é a mesma que legitima o actual governo. Pois, como sabe melhor do que eu, não há eleições para 1º ministro: há eleições para o Paralamento. E se a Gerimbosta tem maioria paralamentar, então, pelas leis da Partidocracia que v. ajudou a criar e que ainda defende, é natural que o governo seja da Gerimbosta. A menos que, pela lógica da batata, ou da batota, a Constituição só sirva quando lhe interessa.

    1. Sr. António peça (exija) a dissolução da A R. Pode ser que o cuspo lhe caia em cima.

    2. Reafirmo o que disse. Santana era o número dois do partido mais votado.Saiu o nº 1, entrou o nº 2. Tão eleito como o nº 1. O outro não só não foi eleito (como tal ninguém é, como diz, e bem) como perdeu as eleições parlamentares. Está a ver?

      1. Sr. António peça (exija) a dissolução da A R. Pode ser que o cuspo lhe caia em cima.

      2. Mais piruetas de lógica. Ninguém vota no nº2. Acha que em 2011 a malta votou no Passos a pensar no Relvas? Ou em 2015 a pensar no Marco António Costa, ou lá quem era o nº2 da Laranja Podre? O facto é que Santana não foi eleito. O Bosta ficou em 2º nas eleições. O Santana nem isso. Não foi a votos. Quando muito, pode dizer: a nomeação do Santana é constitucionalmente válida. É verdade. Tal a do Bosta. As eleições não são uma corrida, o 1º lugar não leva nenhuma taça. Isso é mera fantasia da laranjada. Se fosse ao contrário, Passos e o Irritado estariam agora a gritar: as eleições são para o Parlamento! O 1º lugar não importa! Leiam a Constituição! Ambos os casos – Santana e Bosta – não são Democracia. São a sua Partidocracia. Não pode louvar um e negar o outro.

        1. Não fosse a linguagem, por vezes, desbragada, faria uma vénia.

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