Uma revista qualquer resolveu publicar a lista dos milionários portugueses, um conjunto de cidadãos que muito têm feito pela vidinha, própria e dos demais.
Observemos.
A primeira coisa a saltar à vista é a pobreza relativa dos listados. Não há uma única grande fortuna que, por critérios globais, o seja. Somos pobres, até em milionários – em número e em riqueza. Poucos e com pouco dinheiro.
É claro que este tipo de listas causa uma onda de “justa” inveja aos servos da gleba. Os camaradas Jerónimo e Louça acham que, se se tirasse o dinheiro a esta gente, ficávamos todos ricos. Uma ideia tão estúpida como as ideologias que a sustentam.
Há muitos anos, dizia o Dr. Soares que, em vez de acabar com os ricos, era preciso acabar com os pobres. E acrescentava que os grupos económicos, destruídos pelo MFA e pelo PC, precisavam ressurgir, como motores da economia e da riqueza geral. É claro que a sua formação de esquerdista burguês o levou a ir dando uma no cravo outra na ferradura e, a bem do poder de que tanto gostava, esquecer-se de tais afirmações.
Adiante. A existência dos negregados milionários, ou do “poder económico” não é, nem um puro bem, nem o mal absoluto, como afirmam as ferozes hostes do socialismo radical.
Mal, é a existência de um Estado fraco e incompetente, incapaz de regular seja o que for. E é-o porque o Estado é parte e não árbitro e juiz, é um agente económico como qualquer outro, um grupo económico se quiserem, o maior de todos, com a diferença que perde dinheiro em vez de o ganhar.
Se o Estado, como postulam as hordas, fosse proprietário de tudo, então o mal seria absoluto.
O storyteller Tavares faz o apelo costumeiro ao poderio económico do Estado, dizendo que o que é nacionalizado é nosso. De todos. O que é de todos é de ninguém. Pior, gerido por multidões de funcionários, tem a ruína garantida.
O IRRITADO, que não tem dinheiro, nem nunca teve, nem é menos feliz por isso, está com o Dr. Soares doutros tempos: acha que quanto mais grupos económicos melhor, quanto mais milionários melhor. Acha que o Estado está aí para fiscalizar, regular, taxar, julgar, legislar, distribuir, etc.. Acha que o problema é o Estado ter-se demitido de tais funções (olhem o caso BPN!) e ter-se metido onde não era chamado, sendo um trabalhão dos diabos tirá-lo de lá e pô-lo a fazer o que lhe compete.
9.8.11
António Borges de Carvalho

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