IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


CRIMES BUROCRÁTICOS

 

A distinta câmara de Lisboa, grande propagandista da “mobilidade” – até tem um vereador para a mobilidade, o qual, como que por acaso, só faz asneiras – vem espalhando a sua benéfica influência sobre a cidade, arranjando as maiores confusões de tráfego jamais registadas, impulsionando o uso da bicicleta a fim de haver mais acidentes – isto entre outras modalidades de serviço público a que vimos assistindo – PROIBIU a construção se uma rampa de acesso a cidadãos vítimas de paralisia cerebral residentes ou assistidos numa instituição privada que os apoia.

Durante três anos – o que é isso perante a grandeza do socialismo camarário? –, a Associação de Paralisia Cerebral de Lisboa pediu autorização  para construir a tal rampa. A coisa foi liminarmente recusada, como é timbre da nobre autarquia. Durante três anos, a associação lutou pela rampa. Durante três anos, os doentes foram carinhosamente levados em braços, com cadeira de rodas e tudo, da via pública para as instalações.

Até que o Provedor de Justiça entrou em acção e a notável autarquia acabou por autorizar a coisa, vergando-se a contra gosto aos conselhos do dito.

 

Isto quer dizer que, se você não tiver paralisia cerebral ou coisa parecida, como não tem o auxílio do Provedor, se arrisca a andar a vida inteira a pedir batatinhas para uma alteração qualquer que queira fazer naquilo que é seu.

Se lhe chegar a vida inteira para chegar a uma solução, se ultrapassar todos os escolhos que, para além de engenheiros, arquitectos, juristas, burocratas, regulamentos, portarias, decretos, etc., a câmara lhe põe no caminho, mais um pelotão de parasitas – o Instituto da “Qualidade”, a Certiel, a EPAL, os tipos da energia ou lá o que é, se a porca de três oitavos não estiver no lugar da de meia polegada, se, se, se, talvez consiga a almejada licença.

Se vir que a vida lhe não chega, em alternativa à desistência você pode tentar, com eventual sucesso e indiscutível legitimidade, pôr-se na posição de corruptor activo. A corrupção não será sua. Corrupto é o sistema, do princípio até ao fim. Corruptas são as mentalidades que o geraram, que o sustentam e que se sustentam dele.

 

Ao contrário do que pensa o IRRITADO, tudo não passa de uma questão social. Se os batalhões de empatas não dispusessem de um sistema adequado à sua nobre actividade, ficavam desempregados!

 

Vêem como o IRRITADO não tem razão? Vêem porque é que a rampa da paralisia cerebral jamais devia ter sido construída?    

 

10.8.11

 

António Borges de Carvalho



6 respostas a “CRIMES BUROCRÁTICOS”

  1. Se tivéssemos um euro por cada episódio de corrupção numa autarquia deste país, pagávamos três ou quatro submarinos – a pronto. A CML, sozinha, pagava pelo menos um. No meu ideário de taxista, sempre maldizente como o Irritado bem sabe, hesito entre quais serão os maiores CORRUPTOS deste país: se alguns (ex-)governantes, se a maioria dos autarcas. É uma competição difícil, um duelo de titãs. Eu até tenho um remédio, uma solução parcial, mas o Irritado considera-a certamente fascizóide, ou comunóide, ou até debilóide: manter toda a CANALHA POLÍTICA sob suspeita, e investigação, permanente. Refiro-me também à multidão de vereadores, assessores, e outros mamadores. Complementando esta medida com uma investigação detalhada a todos os bens de luxo, desde popós a casinhas, então teríamos meio caminho andado. Talvez as licenças deixassem de ser tão empatadas, talvez algumas adjudicações fossem menos directas, talvez muito boa gente perdesse o tacho, talvez o Estado recuperasse mais dinheiro do que em cinco subsídios de Natal subtraídos à malta, talvez o país funcionasse melhor, talvez ficasse mais limpo. Talvez. No lado negativo, talvez as vendas da Mercedes caíssem bastante.

    1. V. tem uma certa razão. Só que a sua bomba atómica não é praticável, nem daria bom resultado.Para mim, a solução é a simplficação dos processos, é a fiscalização do trabalho dos funcionários e dos autarcas, é a perda de mandatos e de empregos faciltada, etc.A substituição do Pinto de Sousa pelo Passos Coelho foi um bom passo no que a alguma decência se refere. Prouvera que tivesse efeitos profundos nos hábitos da malta…

      1. Se tiver tempo, e pachorra, queira explicar-me por que é que estas medidas dariam mau resultado. Não é uma pergunta retórica, gostaria realmente de saber as suas razões. Se quem não deve não teme, qual é o seu receio/pudor, e qual é a possível “radiação” desta «bomba atómica»? Não vejo a grande bomba, muito menos atómica, vejo mais a credibilização dos cargos públicos, e uma VASSOURADA há muito adiada. Os resultados estão à vista – não estão?

        1. Julgo fácil de perceber que quanto mais complicada for a coisa, e quanto mais “instâncias” houver, mais gentinha anda por lá a dificultar a vida aos outros. Não será?Aquilo a que chamo bomba atómica (a sua vassourada) só seria possível, de forma radical, como prefere, se estabelecido fosse um sistema político com poder de vassourar a torto e a direito. O que, historicamemte, se prova corresponder a uma ditadura qualquer, que colocaria outros, ainda mais corruptos, por excesso de poder, no galarim da política.Assim, o IRRITADO areve-se a ter esperança que um poder honesto se instaure, que mentalidade administrativa se altere e que perceba onde é preciso mexer para evitar que haja tantas ocasiões para fazer os ladrões.A humanidade é de uma imperfeição congénita, e não há volta a dar. A não ser que se tenha a utopia do “homem novo”, “dos amanhãs que cantam” ou do “tudo pela Nação nada contra a Nação”…Conheço o caso de um fulano que comprou uma empresa que funciona há anos sem licença. Cidadão exemplar, quis pôr tudo no são. Anda nisto há cinco anos. Disse-me que há 32 “entidades” com jurisdição sobre a matéria. Não me disse se já “entrou” com gorjetas, mas é-me legítimo pensar que, sem elas, daqui a outros cinco anos estará tudo na mesma… a não ser que, por cima, alguém altere o “sistema”.Como vê, tive pachorra e arranjei tempo.

  2. Assisti a esta cena que não resisto a contar. Um velho conhecido de meu Pai, funcionário público exemplar, chega a casa, todo satisfeito, reune os filhos e comenta; meus filhos – o Pai foi promovido lá na repartição; passou a ser alguém importante; agora já pode INDEFERIR…Isto passou-se antes de Abril, mas as mentalidades não se alteraram, quiçá peoraram. (Este texto não respeita o acordo ortográfico, e ainda bem)

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