Têm sido recorrentes os elogios, umas vezes merecidos outras nem por isso, aos mui justamente chamados profissionais da saúde, que vão de catedráticos a médicos especialistas, generalistas e outros istas, aos enfermeiros e a muitas outras especialidades, matemáticos e geógrafos incluídos, todos pertencentes a uma longa lista que acaba nas mulheres da limpeza (auxiliares operacionais!).
Muito bem. De acordo.
A esta gente toda vem juntar-se agora uma nova classe: a dos tasqueiros, hoteleiros e similares. Você apresenta-se, faminto, para comer qualquer coisinha, ou para dormir uma noitinha. O patrão, o funcionário dos copos, o porteiro ou outro novo especialista diz: alto lá, e o teste? Você não tem teste nenhum, nem vacina, nem similar. Daí: não pode entrar. Mas aqui tem, a mando das autoridades, por meros 2 euros e à escolha, o teste, o autoteste, o contrateste, o antiteste, o parateste, o fisioteste e o aldraboteste, todos devidamente aprovados por quem de direito. Deseja meter o coiso nas ventas (tem que esfregar cinco vezes de cada lado), cuspir na sopa, perdão, no tubo se ensaio, ou outra modalidade das que constam do menu?
Você, como é parvo ou tido como tal pelas autoridades, cede. Faz um teste qualquer. E agora? Agora espera que o lavador de pratos ou a menina do bengaleiro digam de sua justiça. O lava-pratos sai das entranhas da tasca a limpar as mãos a uma coisa que já foi toalha, aproxima-se, olha para o resultado e dá o seu douto parecer: está infectado! Quem, eu? Mas estou de perfeita saúde! Pois está, mas não devia estar, diz o lavador, a mando do governo. Vem o patrão. Pois é, caro amigo e pretendente a cliente, o seu teste, uma vez devidamente analisado pelos nossos especialistas, deu positivo, tenho muita pena, mas terá que se ir embora. A não ser que queira que nós, cumprindo as instruções do senhor Costa e da rapariguinha das conferências de imprensa, o denunciemaos às autoridades e o mandemos para casa, com a família, os amigos e outros com quem, irresponsavelmente, contactou nos últimos quinze dias, todos bem fechadinhos, durante umas semanas. Lá na escola dos seus miúdos, as repectivas turmas, sem excepção, também. Sob pena de desobediência civil e sem prejuízo das coimas a aplicar. Adeus e as melhoras.
E pronto. O IRRITADO propõe que estas novas classes de especialistas se juntem às demais quando chegar a altura dos elogios. É de elementar justiça.
11.7.21

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