Ontem à noite, quando carreguei no fatal botão que abre o fatal aparelho, vi com com espanto que devia, de surpresa, ter chegado o Biden, o Xin Ping, o Rei de Marrocos, ou coisa parecida. Não era nenhum destes. Quatorze motociclistas da Polícia, dois operacionais em cada moto, um em pé poutro escarranchado, uma dúzia de viaturas cheias de luzinhas azuis, um estardalhaço dos diabos, umas carripanas pretas, tudo a brilhar, novas em folha, polidas, estralejantes, atravessavam a cidade, passavam sinais vervelhos, seguiam pela esquerda ou pela direita, afastavam o trânsito, um quarto de hora de interminável exibição policial acompanhada por todas as cadeias de televisão. Seria o Papa? Não. Era o Vieira a caminho do calabouço.
Porquê uma exibição de tal ordem? Nem o Sócrates teve honras destas! O Vieira, que se saiba, não estava ameaçado de morte por nenhum lagarto, não tinha sido o Pinto da Costa a dar ordens, não havia hooligans à vista, nem um só cidadão estava interessado em cortejos de carnaval, nada. Era o Vieira que ia para a prisão.
Quem mandou formar tal cortejo? O juiz? O Costa? O Merdina? O Camões? Não sei. A que ponto pode chegar a exibição da “justiça” ao serviço dos media (mídia, em versão da analfabetocracia) e o gozo de tais media (ou “meios”, em português de antanho) são coisas que causam vómitos, para não dizer revolta, nojo, indignação. Isso sei.
E pronto, aqui fica uma opinião inútil. Não há nada a fazer. Manda quem pode e que, manda a moda em vigor, pode tudo.
9.7.21

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