IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


EXIBIÇÕES

Ontem à noite, quando carreguei no fatal botão que abre o fatal aparelho, vi com com espanto que devia, de surpresa, ter chegado o Biden, o Xin Ping, o Rei de Marrocos, ou coisa parecida. Não era nenhum destes. Quatorze motociclistas da Polícia, dois operacionais em cada moto, um em pé poutro escarranchado, uma dúzia de viaturas cheias de luzinhas azuis, um estardalhaço dos diabos, umas carripanas pretas, tudo a brilhar, novas em folha, polidas, estralejantes, atravessavam a cidade, passavam sinais vervelhos, seguiam pela esquerda ou pela direita, afastavam o trânsito, um quarto de hora de interminável exibição policial acompanhada por todas as cadeias de televisão. Seria o Papa? Não. Era o Vieira a caminho do calabouço.

Porquê uma exibição de tal ordem? Nem o Sócrates teve honras destas! O Vieira, que se saiba, não estava ameaçado de morte por nenhum lagarto, não tinha sido o Pinto da Costa a dar ordens, não havia hooligans à vista, nem um só cidadão estava interessado em cortejos de carnaval, nada. Era o Vieira que ia para a prisão.

Quem mandou formar tal cortejo? O juiz? O Costa? O Merdina? O Camões? Não sei. A que ponto pode chegar a exibição da “justiça” ao serviço dos media (mídia, em versão da analfabetocracia) e o gozo de tais media (ou “meios”, em português de antanho) são coisas que causam vómitos, para não dizer revolta, nojo, indignação. Isso sei.

E pronto, aqui fica uma opinião inútil. Não há nada a fazer. Manda quem pode e que, manda a moda em vigor, pode tudo.

 

9.7.21



4 respostas a “EXIBIÇÕES”

  1. E como diria o outro, irritou-se o irritado e vai-se a ver e nada.As TVs até se esqueceram do covid e cia, e o moerdas ficou sem palavras quando soube que o músculos revisteiro também esteva na jantarada d’honra

  2. Este circo, Irritado, confirma que os media não se limitam a ‘dar ao público o que este quer’: moldam activamente o que o público pode ter, e o que acaba por querer. Apelam aos piores instintos, fomentam o carneirismo e a rasquice. Horas sem fim a seguir o mafioso Vieira no carro, a abrir a porta, a subir as escadas, a coçar o nariz. Em todos os canais. Quando há bola é a mesma coisa: dias a fio a seguir o autocarro da selecção, o avião da selecção, o hotel da selecção, o cão da selecção, a capelinha do seleccionador, o papel higiénico do bronco Ronaldo. Em todos os canais. Quando não há selecção há o Benfica: como jogou, como devia jogar, quem entra, quem sai, quem talvez venha a sair, quem afinal não saiu, o que disse fulano, o que dirá beltrano. Semanas, meses, anos disto. Entre a bola, as novelas, os concursos e comentadeiros, não estará aqui a raíz do nosso triste presente e pior futuro? Pense no seu tempo, no que havia na TV e na rádio. Pense na TV americana dos anos 50/60, hoje disponível no Youtube: pessoas inteligentes, debates civilizados. Vendo qualquer canal hoje, é o dia da noite. Parece outro planeta. Ora isto é o ‘mercado a funcionar’, Irritado. Que solução vê além de intervenção estatal?Que solução além de limitar, proibir, impor… de rejeitar de vez o ‘mercado’?

    1. Bem visto, excepto a conclusão. É verdade que, na chamada informação, o mercado está podre, vítima dos tempos políticos que decapitaram os seus agentes e a sociedade em geral. O que não é verdade é que o remédio seja a “intervenção estatal”. O remédio seria a imposição, não estatal, de um código deontológico com pés e cabeça, aceite e praticado. Não há disso, dirá com razão. Mas o remédio nunca foi a ditadura, que é o que “intervenção estatal” quer dizer.

      1. E quem pode impor tal código deontológico, Irritado, senão o Estado? Isso lembra uma velha fantasia liberal: a da espontânea bondade e sabedoria dos agentes económicos. Os liberais esperam sempre o pior do Estado, com boas ou más razões, mas gostam de fazer de conta que os privados são imunes aos mesmos impulsos, tentações e abusos. Sobretudo os grandes mamões. Ainda que os privados tivessem tão boa natureza, simplesmente não é rentável: se a empresa X decide ser ética, jogar limpo, pagar impostos, promover cultura em vez de lixo, etc., fica logo em desvantagem. É este o dilema não só dos media como de todo o capitalismo, Irritado. Não tem princípios; não visa o bem comum.

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