IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


MÁS COMPANHIAS


Não se sabe, ou o IRRITADO não sabe, para que serve esta história do “Património da Humanidade”, para além de haver uns cómicos que se fartam de passear à conta da coisa.

Facto é que uns poucos embandeiram em arco com a tal classificação, se calhar convencidos que há um “reconhecimento universal” de “valores culturais” que lhes são caros. Aqui há tempos, o fado obteve tal classificação, de braço dados com meia dúzia de pantominas muito conhecidas de quem as interpreta ou pratica. O IRRITADO, que não é grande apreciador de fadistices, mas não é contra, revoltou-se com as ridículas companhias com que o fado foi irmanado, e achou preferível que a sentimental cantoria lisboeta continuasse entre portas ou a fazer as delícias de públicos ultra-restritos por esse mundo fora.


Desta vez, foi o diário de bordo de Vasco da Gama o classificado como Património da Humanidade. Se não há dúvida de que se trata de preciosíssimo documento, merecedor de todas as honras, já as companhias que lhe arranjaram desvalorizam completamente a distinção da UNESCO. Dando de barato que, no panegírico da organização, o diário de bordo é mimosamente levado à conta de “abertura da caixa de Pandora dos males do colonialismo” – como se tal “critério” fosse aplicável à extraordinária odisseia de Vasco da Gama ou a feitos do Século XVI – não se perde nada em referir os acompanhantes de Vasco da Gama na alta decisão da UNESCO: são eles o manuscrito do manifesto do partido comunista e… valha-me Santa Hermengarda!, os documentos relativos à vida e obra do Che Guevara, assassino, torcionário, revolucionário da pacotilha marxista, que condenou inocentes à morte e torturou quem lhe caiu nas mãos, verdadeira besta do nosso tempo, isto em conjunto com o seu diário da guerrilheiro… lado a lado com o diário da viagem de Vasco da Gama!


Se os promotores da distinção tivessem alguma noção do que é honrar o nosso património, não deixavam que, mais uma vez, o colocassem no mesmo saco de coisas ridículas ou malditas.

 

20.6.13

 

António Borges de Carvalho



Uma resposta a “MÁS COMPANHIAS”

  1. Vejam bem o sacrilégio: misturar o pobre Vasco com comunas! Já imagino o Irritado a rasgar o jornal em mil pedacinhos, bramindo obscenidades, enquanto a esposa ia a correr buscar os comprimidos para a tensão. Nem o bule do chá deve ter ficado inteiro. Deve admitir que o Manifesto Comunista tem um interesse histórico inegável, tal como, por exemplo, o Mein Kampf – embora chamar-lhes “património da Humanidade” seja algo bizarro. Quanto ao Che, nada a fazer: não há crime que supere o fascínio da figura, após milhões de t-shirts e vários filmes apologéticos, incluindo blockbusters de Hollywood. Tornou-se um ícone universal da “revolução”, seja contra o que for, num mundo carente de rebeldes com ou sem causa. O seu segredo, tal como o de James Dean ou Jim Morrison, foi morrer novo. Com 80 ou 90 anos, não se fica tão bem nas t-shirts. Tudo somado, o selo de “património da Humanidade” vale o que vale: um título tão pomposo quanto subjectivo, uma forma de glorificar artificialmente o que devia valer por si mesmo.

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