IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


MARAVILHAS DA NOSSA REPÚBLICA

O dito que se segue é atribuído a Albert Einstein. Verdade ou mentira quanto à autoria, é bene trovato:

Se você correr, todo nu, à volta de uma árvore, à velocidade de 298 kilómetros por segundo, há a possibilidade de se sodomizar a si mesmo.
Mas, se não for desportista, pode votar socialista para obter exactamente o mesmo efeito!

O nosso abominável Costa vai contribuindo com a sua triste cabeçorra para confirmar o bene trovato da frase do sábio. Desta vez, decidiu dizer que o PR, marcando eleições para Outubro, está a “prolongar a legislatura”, para favorecer o governo. Ou seja, na desmesurada ânsia de atacar tudo o que não seja ele próprio e a parte do PS que o apoia, resolveu acusar Cavaco, pela milésima vez, de estar “ao serviço da maioria”. Está-se nas tintas para a mentira do argumento: marcar eleições para Outubro tem sido prática corrente de toos os presidentes, incluindo os que sempre estiveram de serviço permanente aos interesses do PS: os seus ilustres militantes Soares e Sampaio.
É muito grave que um tipo que se intitula, “candidato a PM” – coisa que não existe no nosso sistema – cometa bojardas deste calibre ou debite mentiras em plena consciência. Mas, como outra coisa não seria esperar.

Adiante, já que…
Ocorre pensar dois minutos na floresta de enganos em que todos estamos perdidos há 40 anos, enganos que, de tão repetidos, se tornaram automaticamente aceites pelas pessoas.
Como é que um cidadão, eleito por 50% dos votantes, passa a presidente de todos? Por artes mágicas? Como é que um cidadão eleito por um lado politicamente bem definido da sociedade pode estar ao serviço do outro lado? Como é que um cidadão que passou a vida a defender umas coisas, passa a ter obrigação de defender o seu oposto? Como é que cabem duas verdades no mesmo saco? Como é que um cidadão que não tem poder político se compraz a inventá-lo, para gáudio de uma imprensa acéfala e sedenta de sangue? Onde foram tais cidadãos buscar o “poder moderador”? À Carta Constitucional da Monarquia? Ou à imaginação criadora de cada um?
A presidência da III República é um perigoso embuste. Como é possível a um político de carreira ou a um adepto do Vasco Lourenço passar a “independente”, ainda por cima com uma legitimidade proveniente do sufrágio universal? Então um tipo eleito por uma maioria de votos de esquerda vai apoiar as políticas da direita? E outro, eleito por uma maioria de direita, vai ser um fiel defensor do socialismo?
Querem coisa mais absurda, mais ausente de sentido? Como é que o poder político pode estar entregue a duas legitimidades igualmente eleitas, mas de sinal contrário? O poder político que, por definição, é só um, pode ser entregue a duas entidades opostas? Então a oposição é oposição ou pode ser também poder? Onde foi parar a separação de poderes?

Voltando ao tema supra, se admitirmos que Cavaco Silva “protege” a maioria, haverá que perguntar que mal há nisso (eu não admito; mal, muito mal, houve quando protegeu o Pinto de Sousa!). Que mal há em que se mantenha ao lado de quem o elegeu, se é que se mantém? O garantido antes das eleições é para deitar fora?
A nossa III República, pelo menos no que à Presidência diz respeito, é um manicómio onde os psiquiatras decretaram greve permanente.
Quando e como descerá sobre nós um mínimo de bom senso para acabar com as nossas constitucionais idiotices?

11.5.15



11 respostas a “MARAVILHAS DA NOSSA REPÚBLICA”

  1. Avatar de Filipe Bastos
    Filipe Bastos

    O Irritado levanta boas questões, mas por motivos óbvios (i.e. quer um Rei) limita-as ao PR. Então e o Governo, o Paralamento, os governos regionais, os autarcas… toda a “democracia representativa”? Por exemplo: como é que Passos Coelho, eleito por 39% dos votantes, e 20% da população, passa a PM de todos? Por artes mágicas? Se 80% da população, e 61% dos votantes, não votaram nele, que legitimidade tem ele para representar todo o país? E como se pode esperar que ele governe de acordo com a maioria – a base de qualquer democracia – se a maioria demonstrou que NÃO o quer lá? Quem diz Passos Coelho, diz outro PM qualquer – quer use ou não aldrabices para ganhar as eleições. P.S. Essa suposta citação de Einstein surgiu nos EUA, ironicamente aplicada aos republicanos. Ou seja, em vez de votar socialista dizia para votar na direita de lá… claro que é falsa, está ao nível das piadas de alentejanos (ou polacos).

    1. Por acaso, apanhou-me no Canadá, onde o Chefe de Estado é a Rainha de Inglaterra. Está nas moedas e nas notas, tem um governador que a representa, é saudada e brindada em todas as ocasiões solenes, públicas e privadas, simboliza a unidade, a independência e a soberania e o passado histórico do Canadá. Os canadianos tiveram o bom senso de criar um sistema de democracia parlamentar sem precisar de pôr, com poder ou sem ele, um politicão no topo. o chefe circunstancial é o PM, com legitimação parlamentar. O chefe substancial (do que não se discute) não pode ser sufragado.Na Europa, os países onde as Monarquias se mantiveram ou voltaram a ela são, de longe, aqueles onde melhor funciona a democracia. Entre parêntesis diga-se que, à excepção da Bélgica (onde o Rei é “dos belgas”) os reis são dos países, dos reinos, dos povos, não das pessoas como querem ser os nossos primários presidentes.Quanto ao resto, é simples: vota quem quer, quem não quer não vota. Quem não vota sujeita-se ao que disser a maioria dos que votaram. A alternativa é a “democracia” orgânica, “popular”, piramidal, referendária, isto é, a ditadura.

      1. Se os canadianos preferem ser eternos súbditos de um monarca distante, pois que lhes faça bom proveito. Não tenho a presunção de dizer aos outros como se devem governar. Parece-me absurdo e pacóvio, mas é lá com eles. As democracias que funcionam melhor são, não por acaso, os países mais desenvolvidos da Europa (e do mundo). A menos que diga que isso é mérito da monarquia, esta parece menos importante do que os povos que lá vivem… e trabalham. A monarquia é intrinsecamente parasítica, nada produz, nada contribui, nada evolui, é tão ópio do povo como a religião ou a bola.Só na sua cabeça uma democracia popular, ou directa, é uma ditadura. Até parece que nunca viveu numa ditadura. Eu, que não vivi, é que devia dizer disparates desses.

        1. Cite um caso de uma democracia “dessas” que não seja uma ditadura. E não me venha outra vez com a Suíça!

          1. Não posso citar, porque não existe nenhuma democracia “dessas”. Existem democracias representativas melhores e (como a nossa) piores, e existem ditaduras. Dirá: está a ver? Não há porque não pode haver! É utópico, etc. Neste caso, recordo-lhe que a democracia actual também era utópica. Ninguém votava. Havia a aristocracia, o clero e a plebe, lembra-se? Havia senhores e havia servos. A monarquia – isso sim – era uma completa ditadura.

  2. E um rei representaria o interesse dos republicanos? Seria também rei dos republicanos?Os reis não têm convicções políticas? Defenderiam os que têm convicções diferentes?Quando um rei fosse impopular, que percentagem dos cidadãos ele representaria?Parece-me uma falsa questão.Quanto a mim, por enquanto ainda me permitem ter uma opinião, não gostaria de viver num país em que a liderança se transmitisse pelo sangue.Na longa história da monarquia, nem todos os monarcas deixam boas recordações. O panorama teve altos e baixos.Não me parece relevante que alguém seja eleito por uma minoria da população. Nunca se viu unanimidade a não ser quando as eleições são aldrabadas, como nas “democracias” populares.O PR perde a independência? Não. O cargo tem as suas obrigações e dependerá sempre da integridade do seu ocupante. Tal como um rei pode ter zero de integridade.Por mim, proibia-se os partidos de participar nas campanhas presidenciais. Só conspurcam a dignidade o acto e deixam sempre a sensação que os candidatos apoiados não têm a independência desejada.

    1. Os reis, por regra, estão para além da política. As suas únicas preocupações são festarolas, intrigas familiares, e rituais bacocos. São mais ou menos como a Paris Hilton, mas com melhores maneiras à mesa. Para um rei ou rainha, os políticos são meros plebeus engravatados. São funcionários como os jardineiros ou os mordomos lá do palácio, só que é a ralé que os escolhe. Sua Alteza faz-nos o grande favor de os aturar. Numa democracia, é natural e saudável que não haja unanimidade. O que está em causa é ser uma MINORIA a escolher quem manda, e não a maioria. Mas o pior é que mesmo que fosse a maioria, não seria esta a mandar: seria esta canalha pulhítica, cujos programas só servem como papel higiénico, e que só se representa a si própria. P.S. Só para clarificar: os “republicanos” a que me referi acima são os do Partido Republicano – que não tem nada a ver com a discussão República / Monarquia, é simplesmente a direita nos EUA, em oposição ao partido Democrata. Curiosamente, chamam “liberais” aos esquerdistas, quase em tom insultuoso… certamente para deleite do Irritado.

  3. Quanto ao cenário macroeconómico dos socialistas, Eduardo Catroga elogia-o como uma “boa metodologia”, considerando-o como “uma viragem do PS a caminho do centro político e de uma política económica de rigor que nunca teve enquanto conduziu o Governo”Diz ainda, o antigo ministro das Finanças de Cavaco Silva, que o PSD atrasou-se no processo de redução da despesa pública e, por isso, devia pedir desculpa aos portugueses”.in:http://expresso.sapo.pt/politica/2015-05-11-PSD-devia-pedir-desculpa-aos-portugueses-diz-Catroga

    1. Avatar de Filipe Bastos
      Filipe Bastos

      O mamão Catroga passou de besta a bestial por elogiar o Partido Sucateiro, é isso? “É uma viragem da política económica do PS a caminho do centrão político”, diz o mamão… sem se rir! Como se o PS não fosse há décadas o focinho escarrado do Centrão… o maior ESGOTO do país.

      1. A conclusão é sua, sem qualquer correspondência no meu pensamento. Não passou de besta a bestial, somente introduzi, neste post, o pensamento diferente do irritadiço de um “pater familia” PSD. Não olvide que Catroga foi o “negociador fotógrafo” no célebre memorando.Quanto ao resto,… é o Filipe igual a si mesmo (sem soluções, só conclusões baseadas em pré-conceitos).

  4. Muito bem escrito e muito bem pensado.As premissas são verdadeira e as conclusões são lógicas.Mas, 40 anos depois, muitos não conseguem tirar as palas fora

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