IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


MALTA FINA

 

Após três dias, pelo menos, de impiedosa perseguição movida pelo jornal do amigo Oliveira, devidamente secundado pelo “serviço” público de televisão e por outros que tais, a coisa começou a dar resultado:

– Há políticos que já abdicaram de subsídios e outras coisas a que legalmente têm direito mas que causam a maior das impressões ao povo.

– O PSD e o CDS, consta, vão inserir no orçamento umas emendas destinadas a lixar os ex-colegas, dos seus partidos e dos dos outros, pelo menos aqueles que, para além da pensão ou subsídio, recebem “altos vencimentos”.

– O povo viu os seus mais profundos sentimentos de rancor e inveja devidamente respeitados.

– A política em geral viu-se, a prazo, servida por cidadãos de ainda pior qualidade que os actuais.

 

Animados por estes desenvolvimentos, os anónimos do costume, pelo menos na Net, descarregaram uma saraivada de mensagens e iniciativas “moralizadoras”, vituperando inúmeros senhores a quem os respectivos patrões (privados) pagam o que combinaram, como se os respectivos patrões fossem parvos e como se alguém tivesse alguma coisa com isso.

 

É curioso notar que, durante o domínio do PS, nunca tais iniciativas tiveram lugar, isto é, para além das justas bocas sobre as malfeitorias universitárias, imobiliárias e várias do senhor Pinto de Sousa, não se assistiu a uma perseguição generalizada como a actual. Há quem diga que a grande “fundação” do PS – a central de informações e contra informações – continua a funcionar em pleno, mesmo que isso venha a afectar um ou outro camarada.

 

Sem prejuízo da alegada necessidade de moralização e de poupança orçamental, o que estes desenvolvimentos revelam é a qualidade e a nobreza de sentimentos dos media, a suplantar com afinco os do anónimos do costume, usando os mesmos critérios e acrescentando ao virtual oportunismo dos políticos o de uma série de cidadãos que não têm nada a ver com o assunto.

 

Dirá quem isto ler que o IRRITADO acha muito bem que se acumule, à fartazana, reformas e outras mordomias.

Não acha. Acha que o que é legal, é legal. Acha que quem se aproveita do que é legal defende legitimamente os seus interesses. Acha que a lei devia ser alterada, deveria haver limites, como em noutros países que bem conhece, sobretudo por via fiscal.

E acha mais três coisas, pelo menos:

– Que tais limites se deviam aplicar a rendimentos públicos, a partir de certos montantes, jamais a rendimentos de trabalho privado ou de previdência pessoal, sendo que esta devia ser fiscalmente premiada;

– Que o governo se devia ter preocupado a tempo e horas com o assunto – para além das monumentais bordoadas que já deu no IRS e noutras coisas – isto, ainda que não se saiba se já o fez nem em que termos;

– Que os promotores da campanha ora em curso estão mais preocupados em dar vazão às suas raivas e invejas que em moralizar seja o que for, estão mais preocupados em vender jornais que em melhorar o orçamento, estão mais preocupados em potenciar a “rebelião das massas” que em melhorar seja o que for.

 

Uma malta do quilé.

 

24.10.11

 

António Borges de Carvalho



4 respostas a “MALTA FINA”

  1. Vamos por pontos [longo suspiro]: 1) A noção de que a qualidade dos políticos depende de quanto lhes pagamos, é uma FANTASIA dispendiosa, e até contraproducente. Como exemplo de topo, basta recordar o nosso ex-Governador do Banco de Portugal (não me venham dizer que o cargo não era político), que recebia o dobro do congénere americano – com os resultados conhecidos. 2) Mesmo admitindo que mais pessoas competentes pudessem interessar-se pela política, a escumalha partidária jamais lhes daria o lugar. Recordo que as listas são feitas pelos partidos, segundo os seus próprios critérios. 3) Qualquer remuneração deve ser aferida em função do país onde se vive. Para um país com um ordenado médio de 800/900 euros, receber uns 4000, faça Sol ou faça crise, não soa propriamente trágico. 4) Além do ordenado, e do subs. alojamento agora em causa, os políticos têm muitas mordomias e regalias: cartões, refeições, carrões, comunicações, etc. O que não ganham num lado, poupam noutro. 5) Para os menos escrupulosos, e não são poucos, há que somar o que ganham ilegalmente. Este Governo não parece muito dado a isso, pelo menos até ver, mas nos anteriores foi fartar vilanagem. 6) Seja o dinheiro muito ou pouco, traz agradáveis bónus: é tranquilo, garantido, sem qualquer sombra de escrutínio, de exigência, ou de vínculo a resultados. E se se fizer bosta, tem-se IMPUNIDADE GARANTIDA. 7) E mesmo tudo isto, não é o mais importante. Só o Irritado parece não saber que é o PODER, e os conhecimentos / influências que vêm com ele, que levam tanta canalha à política. 8) O verdadeiro prémio vem depois: no PRIVADO. Exactamente, o tal que o Irritado afirma não poder ser questionado. Devemos portanto acreditar que os Srs. políticos e ex-políticos, são lá pagos principescamente pela sua competência, ou pelos seus lindos olhos. Estranhamente, a sua competência, ou os seus olhos, ficam bem mais lindos após acederem a certos círculos, onde passam a influenciar decisões, adjudicações, e outras lobbísticas situações. —————————– Diz o Irritado que tudo isto, incluindo os cobres de que os indigentes Srs. Aguiar Branco e Macedo abdicaram, é tudo “legal”. Não duvido. E quem fez estas leis? Ufa! Como dizem os brasucas, tem pai que é cego.

    1. Remeto a resposta a este comentário para post a publicar.

  2. Legal? Ainda se ousa mencionar lei, legalidade e justiça? Sim, seria bom alterar esta lei … É repulsiva a ideia de o Estado pagar o que seja aos Varas da vida. E há muitos, muitos mais que os mencionados na comunicação social, alguns até com suspeita de crimes. Defende que se pague por ser legal? Não por mérito, presumo …

    1. Remeto a resposta para post a publicar.

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