Nos idos de 74, o generalato português reuniu com o chefe do governo da ditadura para lhe manifestar o seu incondicional apoio, em brilhante cerimónia que ficou conhecida como da brigada do reumático.
Alguns dos participantes, semanas depois deste solene compromisso de honra, estavam por dentro, por trás ou ao lado do golpe que destronou o senhor que tão vigorosamente tinham apoiado.
Ontem, as forças armadas da Venezuela declararam o seu apoio ao tirano local, camarada Maduro, homem que, em sábias palavras, declarou que “ama a Deus e que Deus o ama”. O caso, se pensarmos no que se passou por cá, pode trazer alguma esperança. Se a brigada de lá for como a de cá, a ditadura tem os dias contados.
É claro que há outra solução: aquela que o próprio Maduro (antigo camionista gay) e o professor Boaventura, burro local, preconizam: a invasão americana. Tal coisa nem pela cabeça tonta do Trump passa, mas é óptima para manter os adeptos contentes, prenhes de patriotismo e justo ódio.
Já agora, outro nacional paralelismo com a saga venezuelana. Quando a malta começou a perceber que a revolução dos cravos estava a ser tomada de assalto pelos soviéticos do PC e pelos ignorantes do MFA, um amigo meu, autodidata e boa pessoa, olhava o mar salgado e, avistada uma lancha da marinha ou equivalente, dizia: aí estão eles (os russos), que vêm invadir o país! Tempos depois, eram os do PC/MFA que espalhavam a notícia de que Kissinger, ajudado pelo Carlucci e pelo Mário Soares, se preparava para ordenar uma intervenção.
O inimigo externo sempre serviu para alimentar ditadores e maluquinhos de vária ordem. Pode ser que isso sirva de inspiração à brigada do reumático de Caracas.
2.8.17

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