IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


MADURICES

 

Nos idos de 74, o generalato português reuniu com o chefe do governo da ditadura para lhe manifestar o seu incondicional apoio, em brilhante cerimónia que ficou conhecida como da brigada do reumático.

Alguns dos participantes, semanas depois deste solene compromisso de honra, estavam por dentro, por trás ou ao lado do golpe que destronou o  senhor que tão vigorosamente tinham apoiado.

Ontem, as forças armadas da Venezuela declararam o seu apoio ao tirano local, camarada Maduro, homem que, em sábias palavras, declarou que “ama a Deus e que Deus o ama”. O caso, se pensarmos no que se passou por cá, pode trazer alguma esperança. Se a brigada de lá for como a de cá, a ditadura tem os dias contados.

É claro que há outra solução: aquela que o próprio Maduro (antigo camionista gay) e o professor Boaventura, burro local, preconizam: a invasão americana. Tal coisa nem pela cabeça tonta do Trump passa, mas é óptima para manter os adeptos contentes, prenhes de patriotismo e justo ódio.

 

Já agora, outro nacional paralelismo com a saga venezuelana. Quando a malta começou a perceber que a revolução dos cravos estava a ser tomada de assalto pelos soviéticos do PC e pelos ignorantes do MFA, um amigo meu, autodidata e boa pessoa, olhava o mar salgado e, avistada uma lancha da marinha ou equivalente, dizia: aí estão eles (os russos), que vêm invadir o país! Tempos depois, eram os do PC/MFA que espalhavam a notícia de que Kissinger, ajudado pelo Carlucci e pelo Mário Soares, se preparava para ordenar uma intervenção.

O inimigo externo sempre serviu para alimentar ditadores e maluquinhos de vária ordem. Pode ser que isso sirva de inspiração à brigada do reumático de Caracas.

 

2.8.17      



4 respostas a “MADURICES”

  1. “Se a brigada de lá for como a de cá, …”, conjetura o sr- António que a besta madura terá os dias contados. Para o efeito, proclama uma série de PALERMICES acerca dos portugueses, como se estes fossem tontos. Porém, o único tonto palerma é o próprio sr. António (acompanhado pelo raivoso Josepvs e duque abichanado), porquanto apoia um ditador malfeitor (fez as coisas mal feitas), cujo mérito foi a mentira e burla politica.

  2. Por falar em regimes decadentes, Irritado, notícias da monarquia: o Principe Philip, marido da Rainha de Inglaterra, decidiu reformar-se (uma surpresa para mim: pensava que era preciso trabalhar primeiro). A bem dizer, não é bem uma reforma, apenas deixa de aparecer em eventos oficiais. Tem 96 anos. Without further ado, comentários – todos britânicos – à notícia: I’ve never been able to work out how you can consider to be a democracy with these anachronisms still limping along. I didn’t used to think the monarchy was any harm. I was wrong. The whole hierarchical set of nobles, peers and sovereigns born are incongruous in a democratic society valuing merit over inheritance. They are just disguising this FEUDALISTIC CASH COW in a more modern way. Royalists talk about what a difficult job they’re doing, but try working at 96 on a building site or surviving to 96 in a minimum wage job, assuming they even know what one is. Este é especialmente bom: The Head of state is merely a hand-shaker, ribbon-cutter, plaque unveiler. The UK is awash with people who could do the hand-shaking bit for a year at a time. The job description – “Monarch wanted. Ability to cut ribbons, read a speech written by someone else, salute, open roads-bridges-schools-hospitals that were already open anyway, essential. If you believe you could do this for a year, staying in the plushest palaces, riding in the most expensive cars, being waited on hand and foot, eating and drinking to your hearts content, all for a salary of tens of millions of pounds, then apply to…” E o meu preferido, devia ser afixado em todas as monarquias: The monarchy fulfils the ceremonial, Ruritanian, aspect of the State, the circus that transcends politics and party, the peak of a mountain of privilege and wealth, the distraction to help alleviate the emptiness of so many people’s lives. The monarchy is not a relic from the past, but an essential attribute of the way in which the social and political elites maintain their control through displacing the attention of people away from fundamental questions about the nature of society, onto the soap opera of the Royal Family, itself a relatively recent and media-friendly creation. Those at the bottom of society are those that love the bright lights of the circus the most, while those at the top consider it a silly pantomime that nonetheless preserves a status quo on which they so richly depend…

    1. Já ouvi, no Reino Unido, um ou outro especialista nas inanidades fáceis de que v. faz orgulhoso e primário eco. Também os ouvi ser esmagados por audiências plurais de seus fellowcountrymen. Felizmente, para os britânicos e para a humanidade, não passam de “especialistas” tipo Boaventura, com a vantagem de, por lá, serem meia dúzia, e uma meia dúzia desprezada pela sociedade em geral, que compreende a excelência das instituições do seu país.

      1. Inanidades? O comentário do meio é válido não só para monarcas, como para qualquer presidente corta-fitas. O de baixo é talvez o comentário mais “spot on” que já li sobre a monarquia. Ora releia: those at the bottom of society are those that love the bright lights of the circus the most; those at the top consider it a silly pantomime that nonetheless preserves a status quo on which they so richly depend… Eis as suas «audiências plurais».

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *