Segundo me é dado pensar, ASAE quer dizer autoridade para a segurança alimentar e económica.
É nessa nobre e higiénico-policial missão que a dita organização manda fechar as tendas dos ciganos, fecha restaurantes e bares onde caça baratas e toma drásticas medidas contra antros onde há quem seja autorizado a cometer o gravíssimo crime de fumar um cigarrito. Muito bem!
Vem nos jornais que um conhecido carteirista, após ter feito fortuna a aliviar turistas dos seus tostões na carreira 28, abriu um restaurante, actividade legítima e presenteada pelo Estado, mercê de mui elogiada iniciativa da esquerda e do CDS, com IVA a 13%.
Tudo óptimo. É um alegria ver um trabalhador abandonar a economia paralela e entrar, todo lavadinho, nos negócios legais. Um espécie filho pródigo que regressa a casa cheio de boas intenções. Louve-se, admire-se, aplauda-se.
Ora o estabelecimento do referido camarada usa uma lista sem preços e cobra 150 euros por um bife com batatas e 250 por uma “mariscada” “à la manière”.
E é aqui que a ASAE não entra, e com razão. Os preços não estão tabelados, se a tasca está limpinha, nada a dizer ou a fazer. É de pensar que ASAE acha que, a haver intervenção, tal competirá à AC, autoridade da concorrência. Mas como? O filho pródigo não faz concorrência a ninguém, neste aspecto até é um benemérito!
E como ainda não há autoridade para o preço dos bifes e dos camarões, que há-de o Estado democrático fazer?
Recomenda-se vivamente a solução: o BE que faça um projecto de lei, com agendamento potestativo, destinado proibir estas arrancadas capitalistas, especulativas e neoliberais, não se esquecendo de, no respectivo preâmbulo, apontar o dedo aos verdadeiros culpados destas situações: o governo anterior e o Dr. Passos Coelho.
6.8.17

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