IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


LIÇÕES DO MERCADO

 

A Nação tem vindo a assistir, tremendo de indignação, às notícias que dão conta dos salários oferecidos a licenciados e a outros profissionais “menores”, sendo os daqueles inferiores aos destes.

Não faltará quem pense: então andei eu a empurrar a minha filha para tirar um curso de psicologia geriátrica, e agora ou não lhe oferecem nada ou oferecem-lhe menos que à galdéria lá do bairro que é cozinheira? Então queimei eu as pestanas a tirar um curso de integração vertical de tendências publicitárias, e oferecem-me o ordenado mínimo? Então tirei um curso muito melhor que o do Pinto de Sousa ou o do Relvas, e sou posto de lado porque há um electricista que, contra mim, é preferido?

A vida, às vezes, dá terríveis lições a quem as não merece.

A demagogia “social” e “democrática” do 25 de Abril acabou com os cursos técnicos. Era preciso acabar com as “diferenças”, com as injustiças, com os abismos de oportunidades, que separavam o “povo” dos “fascistas”.

De um ponto de vista formal e politicamente correcto, as opções não estariam erradas. Mais ensino obrigatório, mais acesso ao ensino, mais alunos e… mais universidades.

O resultado, do lado bom, foi um alargamento nunca visto do número de alunos, o fim do analfabetismo, a extensão do sistema. Do lado mau, o facilitismo na formação de professores e, sobretudo, a monomania das licenciaturas.

 

No tempo da ditadura, de um modo geral, uma licenciatura dava acesso ao mais magnânimo e menos exigente – como ainda o é – de todos os patrões: o Estado. Os mais dos cursos acabavam por gerar técnicos públicos, fossem eles médicos, professores (com 4 anos de licenciatura e dois de “pedagógicas”, note-se), engenheiros, etc.. Era quase automático. Para a privada iam os que sobravam, os que tinham “ligações” e os bons demais, ou mais ambiciosos. Por outro lado, os cursos ditos técnicos, o comercial e os industriais, destinavam-se a preencher os lugares onde saber uma profissão era condição primeira. Acrescente-se que a nenhum diplomado num desses cursos “inferiores” ao dos liceus era negado o acesso à universidade. É o caso, por exemplo, do actual Presidente da República.

 

Abolidos os cursos profissionais e espalhada sobre o país uma autêntica diarreia de universidades e de cursos mais ou menos malucos, eis que uma brutal distorção se abate sobre as novas gerações. Foram convencidas da excelência de futuro que iriam buscar à universidade, de que passariam a “doutores” – coisa que acaba em Badajoz mas que a grei muito preza – sem que ninguém soubesse ao certo para que viriam a servir tais “doutores”.

O resultado está à vista. Acabado o poço sem fundo dos lugares no Estado, chegada a crise, tornado insustentável o “Estado social” – invenção do professor Marcelo Caetano, é bom não esquecer – restou o mercado com o seu realismo, talvez cruel, mas com uma autenticidade a que o “sistema” oferecido às gentes nem sequer vislumbra.

É evidente, dir-se-á, que há escolas universitárias de excelência e formados de excelência que encontram saídas cá dentro e lá fora. Mas não passam da excepção que confirma a regra.

Por isso que seja de uma naturalidade cristalina esta história “escandalosa” de haver “doutores” a ganhar menos que serralheiros ou armadores de ferro.

 

Como se sai disto, não me perguntem. A solução, se a houver, se alguém perceber os evidentes sinais que por aí andam e agir em conformidade, terá efeitos daqui a dez anos.

Entretanto… entretanto os novos “doutores” ou apendem a fazer alguma coisa, ou serão uma geração entregue à bicharada.         

 

23.7.12

 

António Borges de Carvalho



11 respostas a “LIÇÕES DO MERCADO”

  1. Tem piada, quando podia dizer o que agora diz, não o disse. Na verdade, não lhe conheço um só discurso na AR sobre as questões que agora “fala”!Grande deputado que o sr. foi!!!

    1. Por acaso até disse, onde podia dizer. O problema é que ter razão fora do tempo ou contra o tempo, é uma chatice. Também fui, nesses remotos tempos, contra os juízes de aviário, por exemplo. E algumas outras coisas que, ao tempo, não cabiam em nenhum saco.Não quer isto dizer que tenha tido sempre razão ou que não tenha mudado de ideias várias vezes. C’est la vie.

  2. É claro que tem razão; mas e quanto a responsáveis? O fim dos cursos técnicos foi o primeiro prego, mas o verdadeiro regabofe começou em meados da década de 80, no ínício da era Cavacal: universidades privadas e cursos a martelo. Desde então, cresceu imparável durante os governos de Guterres, Barroso, Santana Lopes, e Pinto de Sousa. Só no último foram encerradas duas anedotas, a Moderna e a Independente, pelos motivos conhecidos. Mas quantos “doutores” despejaram no mercado? E são ainda despejados? Somando a isto os cursos esotéricos que se tornaram um “must” mesmo nas univ. públicas, quantos Ministros da Educação serão precisos para antever o desastre? Aparentemente, mais ministros do que os que tivemos em todos estes governos. Políticas feitas com os pés, “desígnios nacionais” da treta, “paixões” ao som de Vangelis… tal como no resto, os resultados estão à vista. De Cavaco a Pinto de Sousa, um chumbo a toda a linha. E NINGUÉM é responsável. Porém, sejamos justos, nem tudo foi mau: que teria sido de grande parte da nossa classe política, e de muito bom “gestor”, sem tantas fábricas de canudos-na-hora?

    1. Caro Filipe, fui “continuando por aqui” (glosando PSL ) por desafio seu (certamente se lembra – caso contrário, os seus “registos” trarão memória).Isto postoQUAIS AS SUAS MOTIVAÇÕES? (conquanto, nas indeléveis “curvas”, acontece “encostos sublimes”).

      1. Avatar de VICIADO (no jogo)
        VICIADO (no jogo)

        “…será natural … Seguro como candidato a PM … “. Admira-se o Irritado, porquanto entende que deveria ser: DESEJÁVEL … ENTUSIASMANTE … e outras porcarias !!!Não estaremos já FARTOS de Jotas pinóquios “desejáveis” e “entusiasmantes” ?O Sócrates começou a “festa” das licenciaturas.Por seu turno, como PPC aprendeu a “fugir da verdade” e fez a licenciatura em Economia na Universidade mais dificil do mundo (Lusiada – daí só ter concluiudo aos 40 anos) que afastou qualquer SUSPEITA, empurror os “malandros” dos dos jornalistas para a sua “Relva ajardinada”.Assim sendo, quem resta? O Seguro!!! na (in)seguranaça da sua brilhante licenciatura (muito esforçada, diga-se) outorgada pela melhor uNIVERSIDADE do mUNDO (a independente).Por isso o PPC disse: QUE SE LIXEM AS ELEIÇÕES.Vou traduzir: os Partidos do Arco do Poder (estranha form de pronunciar o “f”) JÁ SE ENTENDERAM!!!

  3. Avatar de 'Filipe Bastos '
    'Filipe Bastos '

    Isto tresanda tanto que até o merdelão já não frequenta este sítio.

  4. A visão colorida dos Homens depende de três foto pigmentos da retina e dos circuitos neuronais associados.Na verdade, Thomas Young (1773–1829) disse que o olho humano tem receptores para três cores primárias (vermelho, verde, azul). As outras cores são combinações destas três cores feitas pelo cérebro. A combinação de quaisquer duas cores primárias cria uma cor secundária.Esta teoria foi posteriormente desenvolvida posteriormente por Hermann von Helmholtz (1821-1894).Ou seja, a perda da capacidade de perceber uma destas cores, produzirá a incapacidade de perceber qualquer cor que a tenha como componente.DAÍ, A INCAPACIDADE DE LARANJAS E ROSAS ENTENDEREM O PAÍS, PORQUANTO APRENDERAM A VISÃO DE JOTAS ” – nunca ninguém lhes explicou as CORES SECUNDÁRIAS!!!Não seja “JOTA”.

  5. LIÇÕES DO MERCADOÉ o titulo!Pois é, o mercado das eleições está fraquinho (é o que diz Cantanhede).Claro que o “mentiroso” está a fazer dieta (ihihiighhiiih – perdoe a risada).

    1. Caro XXI, ultimamente parece tão ou mais irritado que o autor do blog. Entendo os seus motivos. Também sou espoliado, taxado, chulado, e gozado, por uma cambada de oportunistas, tachistas, aldrabões e medíocres, a soldo dos mamões que realmente governam Portugal. E também venho aqui à procura de um autor inteligente, experiente, e lúcido, com quem tantas vezes aprendi, e concordei. Infelizmente, desde que o clube dele chegou ao poder, também pouco o tenho visto. É natural sentirmo-nos decepcionados e irritados. No entanto, sejamos justos, este nunca foi um blog ISENTO. Nunca, jamais, em tempo algum. O autor é o primeiro a admiti-lo. E todos sabíamos que, chegado o PSD/CDS ao poder, o seu tom mudaria. Ou vai dizer que não sabia? Irritarmo-nos agora com isso pode ser humano, mas não é muito coerente. Já sabíamos ao que vínhamos, nada mudou, e ninguém nos obriga a cá vir. Deixe de chamar palhaço ao autor; o palhaço é o XXI, e sou eu, se vimos cá só para insultar quem se limita a escrever o que pensa, e nos dá canal aberto para o contestar. O autor joga limpo: escreve o que quer, nós escrevemos o que queremos. Nada é censurado, e, ao contrário por exemplo da imprensa, ninguém tem a última palavra. Espero que continue a vir cá, e a contribuir como sempre fazia, de forma crítica e objectiva. Não falta o que criticar.

      1. Caro Filipe,Duplamente … IRRITADO…. É como estou (não pareço, ESTOU!)

      2. Caro FBTem razão. Os que me irritam agora são os mesmos que me irritavam nos bons tempos em que v. gostava das minhas opiniões, ou de algumas delas.A gente actual tem boa desculpa. É que os outros faziam o que queriam. Estes limitam-se a fazer o que os outros levaran a que tivesse que ser feito. Quem estava à espera de melhor, ou se enganou ou vive noutro planeta. Os outros, para encontrar os “buracos”, mandaram fazer um orçamento imaginário. Estes tropeçaram nos buracos que foram encontrando e que lhes reduziram a cinzas as intenções eleitorais.A procissão ainda vai no adro. Para além da nossa desgraça doméstica, estamos testemunhar e a participar na ameaça do fim de uma civilização, o que é sempre doloroso e injusto.Feita esta declaração, agradeço a sua presença assídua e espero que os nossos “diferendos” não o levem a irritar-se em demasia.Agradeço a “crítica construtiva” que faz do Irritado, para esclarecimento do XXI.

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