Os franceses, do Presidente ao mais pequeno cidadão, são uns tipos cheios de grandeur. A coisa tem alguma justificação: aquilo é um grande país, uma grande economia, um grande produtor de ciência e de cultura.
Para além disso, trata-se de gente que faz das fraquezas forças, ou que ignora o que não lhe agrada. De Vercingetorix a Napoleão, de Alesia a Watterloo, os seus heróis vencidos são comemorados como se de vencedores se tratasse. Os franceses são, todos, vencedores da II guerra mundial, mesmo tendo começado por se render e por apoiar o inimigo. De Gaulle foi, por exigência própria, o primeiro a entrar em Paris em 45, recusando-se a reconhecer que o mérito da vitória era mais de outros que dele, mais de britânicos e americanos que dos seus.
A grandeur de la France está presente em todos os franceses, é uma verdade adquirida e inultrapassável, mesmo que o império se vá, mesmo que a língua se perca, aconteça o que acontecer. Ao contrário dos portugueses, que sabem que foram gente em tempos que já lá vão, mas interiorizaram que pouco lhes resta de tais eras, os franceses são grandes porque sim, haja o que houver.
Vejam o senhor Sarkozy, coitado, metido numa camisa de onze varas, com a economia a esvair-se aos poucos, o desemprego a galopar, a inquietação nas ruas, as finanças a fingir que são o que já foram, as agências a ameaçar, e ele, tão pequenino, sinceramente convencido que é enorme!
Vejam como ele se arrasta atrás da alemã, mero chevalier servant da gorducha teutónica. Nariz arrebitado e salto alto, fingindo não dar por nada ou não dando mesmo por nada, aí vai ele a gritar “eu também, eu também!”. A gorducha precisa dele, é verdade, não podia apresentar-se sozinha a dar ordens, o escândalo seria enorme ou maior do que já é, se aparecesse sem a bengalinha francesa, convindo-lhe o patético convencimento de grandeur do homenzinho.
E daí, meus amigos talvez os franceses, bem representados pelo seu Presidente, tenham razão. Quem se abaixa mostra o rabo, diz o povo. Num tempo em que parece que mostrar o rabo está na moda – é o que se vê nas ruas – é capaz de não ser estúpido andar a escondê-lo atrás do da dona Ângela, que é francamente mais largo.
29.12.11
António Borges de Carvalho

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