IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


LA GRANDEUR DE LA FRANCE

 

Os franceses, do Presidente ao mais pequeno cidadão, são uns tipos cheios de grandeur. A coisa tem alguma justificação: aquilo é um grande país, uma grande economia, um grande produtor de ciência e de cultura.

Para além disso, trata-se de gente que faz das fraquezas forças, ou que ignora o que não lhe agrada. De Vercingetorix a Napoleão, de Alesia a Watterloo, os seus heróis vencidos são comemorados como se de vencedores se tratasse. Os franceses são, todos, vencedores da II guerra mundial, mesmo tendo começado por se render e por apoiar o inimigo. De Gaulle foi, por exigência própria, o primeiro a entrar em Paris em 45, recusando-se a reconhecer que o mérito da vitória era mais de outros que dele, mais de britânicos e americanos que dos seus.

A grandeur de la France está presente em todos os franceses, é uma verdade adquirida e inultrapassável, mesmo que o império se vá, mesmo que a língua se perca, aconteça o que acontecer. Ao contrário dos portugueses, que sabem que foram gente em tempos que já lá vão, mas interiorizaram que pouco lhes resta de tais eras, os franceses são grandes porque sim, haja o que houver.

 

Vejam o senhor Sarkozy, coitado, metido numa camisa de onze varas, com a economia a esvair-se aos poucos, o desemprego a galopar, a inquietação nas ruas, as finanças a fingir que são o que já foram, as agências a ameaçar, e ele, tão pequenino, sinceramente convencido que é enorme!

Vejam como ele se arrasta atrás da alemã, mero chevalier servant da gorducha teutónica. Nariz arrebitado e salto alto, fingindo não dar por nada ou não dando mesmo por nada, aí vai ele a gritar “eu também, eu também!”. A gorducha precisa dele, é verdade, não podia apresentar-se sozinha a dar ordens, o escândalo seria enorme ou maior do que já é, se aparecesse sem a bengalinha francesa, convindo-lhe o patético convencimento de grandeur do homenzinho.

 

E daí, meus amigos talvez os franceses, bem representados pelo seu Presidente, tenham razão. Quem se abaixa mostra o rabo, diz o povo. Num tempo em que parece que mostrar o rabo está na moda – é o que se vê nas ruas – é capaz de não ser estúpido andar a escondê-lo atrás do da dona Ângela, que é francamente mais largo.

 

29.12.11

 

António Borges de Carvalho



2 respostas a “LA GRANDEUR DE LA FRANCE”

  1. O Presidente é pequeno. Tanto é assim que, para a fotografia, procura ficar acima um degrau daquele que está mais próximo, onde se inclui a gorducha teutónica que é mais grande, ou, se quiserem, maior.

  2. A enorme dívida pública francesa tem uma explicação simples, tal como quase todas as dívidas soberanas, mas o Irritado não quer admiti-la, ou sequer entendê-la: http://www.youtube.com/watch?v=f7cJ_ZBiU-I&sns Dito isto, é verdade que o palhacito Sarkozy está à rasca. Óptimo! O problema é que depois deste palhacito virá outro qualquer, na já longa tradição de líderes medíocres e/ou trafulhas que assola esta pobre Europa. Tal como nos EUA, que já foram liderados por gente relativamente capaz e decente, esta é a nossa verdadeira crise, e não se vê forma de nos libertarmos dela. A canalha financeira continua a mandar no mundo, e nestes palhacitos temporários, e nada parece capaz de detê-la. Não temos governos, temos capatazes da alta finança. E a carneirada continua a eleger os Sarkozys e Passos da vida, na ilusão de que está a escolher alguma coisa. Não está. Longe de mim fazer a apologia de ditadores como Hitler, mas a verdade é que a sua visão e a sua fibra estavam a milhas dos líderes medíocres de hoje. Já não se fazem políticos assim. Por um lado, ainda bem; por outro, estamos bem lixados.

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