IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


“JUSTIÇA” SOCIAL

 

Conheci um economista americano que, como a empresa onde trabalhava faliu, andava a distribuir jornais porta a porta. Perguntei-lhe se não se sentia diminuído com a situação. Disse-me que sim, mas que se sentiria muito pior se andasse a viver à custa da caridade dos outros ou de um subsídio a que até tinha direito, mas que preferia “capitalizar”. Mais tarde ou mais cedo, dizia, há de aparecer um job em que possa aplicar os meus conhecimentos e ganhar em conformidade. Entretanto, não me penduro seja em quem for, nem no Estado, nem nas companhias de seguros, nem noutro esquema qualquer.

Compaginemos este exemplo com um dado que apareceu cá no burgo, aqui e ali, em letra miudinha: só em Janeiro deste ano, em Portugal, houve 19.000 (dezanove mil!) ofertas de emprego que ficaram por preencher. Números oficiais. Quer dizer: houve 19.000 portugueses – só num mês – que preferiram continuar a receber o subsídio de desemprego a ocupar-se de um trabalho desagradável. Na certeza, pensarão, que, quando o subsídio de desemprego chegar ao fim, entrará em acção o subsídio de inserção ou outra marosca qualquer que lhes permita continuar a não fazer nenhum ou prosseguir em biscates paralelos.

 

Quando se diz, aos gritos, que há não sei quantos mil jovens licenciados à procura de emprego, lembro-me de, já lá vão muitos anos, ter andado, às tantas da manhã, em Munique, num táxi conduzido por um jovem advogado que me explicou que, enquanto procurava uma situação melhor, tinha aceite ser taxista das sete da noite às sete da manhã, já que os horários de dia eram para os “profissionais”. Não se sentia menos digno por causa disto.

Vá-se lá dar este exemplo aos nossos ilustres “doutores”, quantas vezes “licenciados” em coisas que nem eles sabem o que são nem para que servem.

 

Se o camarada Louça lesse estas linhas chamar-me-ia os piores nomes. Para ele, há que dar tudo a quem nada faz, porque a “sociedade” deve a todos a satisfação do direito a uma sobrevivência digna e próspera.

O problema não é o do camarada Louça ou o do camarada Jerónimo, ou do aldrabão Pinto de Sousa – este só quando dá para a propaganda – terem opiniões tão miríficas, para não dizer estúpidas. É, outrossim, o de se ter instalado em Portugal, via um socialismo já endémico, a ideia de que há um semideus, o Estado, que deve tudo, incluindo o que não pode pagar. Como tal semideus lá está, poderoso e inamovível, alguém há-de pagar. O que implica, como é evidente, a ruína do Estado e a miserabilização da sociedade.

 

Os que precisam “mesmo” da solidariedade dos demais, vão, como não podia deixar de ser, morrendo de fome e de tristeza e de abandono.

Isto, por exemplo, para que os pilotos da TAP, mais o Picanço, mais a Avoila, mais o xarroco dos bigodes, mais o Carvalho da Silva & Cª Lda possam continuar a fazer as suas greves, as suas manifestações e outras sofisticadas formas de fazer troça de quem precisa.      

 

18.3.10

 

António Borges de Carvalho


21 respostas a ““JUSTIÇA” SOCIAL”

  1. O verdadeiro problema não se coloca nesses “indigentes pregiçosos” (embora também aí esteja o problema) que recusam trabalhar, vivendo à custa desses subsidios.A questão mais grave, nos subsidios dependentes, está na panóplia de “profissionais” que pululam pelos departamentos quer reguladores, quer fiscalizadores, quer atribuidores.Já reparou que se acabarem com os subsidios não saberão o que fazerem a esses “profissionais”?

    1. Nos países mais desenvolvidos, ou anglo-saxónicos, o subsídio de desemprego é diminuto, a fim de incentivar a procura de emprego e a aceitação das oportunidades disponíveis.Por outro lado, como procurei demonstrar com exemplos, a “cultura” do povo é outra. Não trabalhar, ou trabalhar e receber o subsídio ao mesmo tempo, não é coisa que atraia, como entre nós, a generalidade dos cidadãos.Conheço o caso de um consumidor de drogas duras que correu com a avó à pancada e lhe ocupou a casa. Posto na rua pelo senhorio ao fim de quatro anos de tribunal, não saíu. Acabou por sair à pancada, como tinha entrado. Agora, vive em instalações do Estado e vai, todos os meses, à ex-caixa do correio da avó buscar o subsídio social de inserção “a que tem direito”! Enquanto a demagogia “social” se regular por este tipo de “critérios”, a pagar por quem trabalha, continuarão os cidadãos a empobrecer e o Estado a caminhar a passos largos para a falência.

      1. Caro irritado, quando disse “Conheço o caso de um consumidor de drogas duras que correu com a avó à pancada e lhe ocupou a casa.”, eu tenho de replicar: CONHEÇO CENTENAS, e de há muito venho, profissionalmente, alertando para este verdadeiro flagelo, infelizmente sem resultados.

        1. Neste preciso momento,desce a avenida da liberdade em protesto uma multidão de velhinhas que foram espancadas pelos netos, á frente segue o bispo de Braga.O transito como se deve calcular está complicado,portanto é um local a evitar!!!

          1. Uma tristeza, este seu desprezo pelas velhinhas, como se as velhinhas e equiparados tivessem forças para se juntar e descer a avenida. Quem a tem são os os xarrocos dos bigodes que, depois de ter sido contemplados com 400 milhões de euros dos nossos aumentadíssimos impostos, continuam a manifestar-se a favor dos seus interesses mais imediatos e primários. São os pilotos da TAP, pobre gente sem poder de compra nem “direitos sociais”. É toda a porcaria que por aí anda a fazer troça de quem não tem com que viver e a quem o socialismo diz proteger quando faz todos os possíveis para enterrar cada vez mais.Entretanto os socialistas, jacobinos e companhia ilimitada lembram-se de se atirar à inquisição, às velhinhas e ao arcebispo de Braga. Bonito.

          2. Você está deveras irritado,não é caso para tanto,nem me julgue insensivel aos dramas de muitos velhos deste país.O exemplo de um safardana qualquer que bate na avó e lhe rouba a reforma para comprar droga só serve para emprestarmos á nossa dissertação um ar melodramático,não tem outro objectivo.Toda a gente sabe que desgraçadamente essas histórias existem e repetem-se.Depois aparece o olheiro oportuinista,que só sabe consumir oxigénio,mas está sempre disponivel para cantar no coro das velhas,a dizer todo prazenteiro que conhece centenas de casos,o caraças!E le não conhece nada,só dá ao rabo como o cãozinho amestrado.É aí que entra a rábula da manif das velhas.Por favor deixe-me ser criativo!!!

          3. “O tecelão é o meu pai”!!!

          4. Acho que não,apesar de nos meus tempos de moçoilo ter feito por aí algumas habilidades,os genes não atraiçoam!!!

          5. Ó homem, crie à vontade! Não precisa da minha autorização!

  2. Como me vou tornando “famoso” por estes lados, à conta da minha loquacidade, serei hoje enxuto em considerações.Os governantes deste regime têm do Estado um entendimento perverso. Serviu no passado recente para roubar, por isso também serve para ser roubado.Os outros povos consideram que ele serve para, com economia, organizar melhor a vida colectiva. Por cá é colectivamente considerado para melhorar a vida económica de cada qual.E quando os Varas e Penedos arrecadam não sei quantos milhões, fora o que juntaram em negócios esconsos – precisam egitimar (no seu entender) essa prática com atribuições de “panem” à população.No meio fica a pobre – e aqui o adjectivo aplica-se melhor que nunca – classe média, que tem que pagar o regabofe acima e abaixo.Basta ver como Sócrates fala agora dos impostos que não aumentou, para sustentar este Estado esmagador: limitou-se a “retirar deduções fiscais”. Mas essas pessoas bem o merecem: “Mentiu? Pois mentiu, mas voto nele de novo!”. E se elas convivem tão expressamente e bem com a desonestidade e o roubo, porque não há-de ser apenas razoável que cometam também todas as frades que estejam ao seu alcance?

  3. O subsidio de desemprego não é uma esmola do estado,é um direito do trabalhador que fez o seus descontos para o efeito.O subsidio de desemprego para alem de assegurar alguma dignidade de vida a quem perdeu o emprego,evita que a remuneração do trabalho se degrade.Porque será que muitos trabalhadores não aceitam certos emprego?Porque a remuneração que lhe oferecem é inferior ao subsidio de desemprego.Será que o subsidio é alto,ou os empregadores servindo-se da situação querem explorar ainda mais o trabalhador?É referio o Louçã,o Jerónimo e o aldrabão Pinto de Sousa,é revelador este pormenor,mas os que não foram referidos,têm na sua base social de apoio os maiores xulos do estado,e não recebem o subsidio de desemprego.Quem será que está por detrás dos pilotos da TAP?

    1. O perspicaz Tecelão expende teorias como punhos. O que é pena é que esses punhos sejam só teoria – e não acertem em nada.Com que então “o subsídio de desemprego não é uma esmola do Estado, mas um direito do trabalhador que fez os seus descontos para o efeito”?Não sei se já percebeu que as nossas reformas, sustentadas nos descontos que fizemos ao longo da vida, vão ser isso mesmo que o Tecelão pretende denegar: uma esmola. E o termo assenta como uma luva nos punhos que tão dialecticamente brande. Porque o Estado socialista reserva-nos uma velhice de miséria, ou tem dúvidas?Excepto para os camaradas (é curioso como na antiga URSS, os aparatchiks desfrutavam de mil privilégios mais que o resto da população e ao longo de 70 anos conseguiram manter a aparência de igualdade social com nada mais que o uso deste termo) e os palonços que neles ainda acreditam, o nosso futuro como reformados é uma triste certeza de indigência. Aliás o “pai da democracia” Soares deu o mote, através de uma irresponsável inflacção para atender o “caderno reivindicativo” daqueles na força da idade, depreciando o valor dos proventos dos que já não podiam protestar. Que naqueles tempos de batalha da produção (para se ter a correcta ideia das coisas, convém considerá-las sempre ao invés do que propalam, não foi batalha e muito menos produção) o entendimento dos direitos era tão inflacionadamente lato que as reivindicações surdiam em cadernos. Há uma teoria, por certo bizarra ou não tanto, que os peixes não serão infelizes quando presos num aquário porque a memória deles é de tal forma fugaz que os impede de realizar o seu estado.Mutatis mutandis, o benigno Tecelão parece incapaz de comparar a sustentabilidade da previdência do antigamente com o calamitoso porvir dela e nosso. Como estes socialistas são muito criativos em mudar o nome aos organismos para mostrar serviço, sugiro daqui que se passe a chamar “Caixa da Imprevidência” por tão irresponsavelmente delapidar o fruto do nosso esforçado trabalho do passado com hodiernos mandriões niquentos em matéria laboral.A eles, cheios de direitos a muita “dignidade de vida” (o Tecelão anda opíparo em conceitos), deveremos o dúbio prazer de ir viver para debaixo da “3ª travessia” do Coelho e ver passar o TGV do Sócrates, acenando aos surfistas espanhóis.Desde a noite dos tempos tem sido assim: uma geração planta as árvores, a seguinte usufrui da sombra. Nos sentidos directo e figurado, a nossa queimou-as. E o Tecelão anda muito feliz com mais este grande avanço civilizacional do regime, sem se dar conta que a propaganda serve para ensinar aos povos a forjarem entusiasticamente as suas próprias grilhetas.

      1. Porque “dá pérolas a porcos”?

        1. Caro XXI,Eu teria talvez preferido responder-lhe particularmente mas fazendo nós parte de uma tertúlia virtual, não é pior que nos habituemos a dirimir as nossas divergências sem grandes recatos.Sugiro-lhe que não afronte o Tecelão. Muitas (não todas) ideias que ele normalmente defende são incontestavelmente erradas e mesmo execráveis. Mas ele não é. O Irritado descreveu-o na perfeição quando disse que o Tecelão era sobretudo vítima do ensino e mentalidade actuais. Entre outras qualidades, ele tem – falo com a maior sinceridade – a de ser corajoso, ao arrostar com o nosso antagonismo. Podia calar-se ou passar ao largo, como com toda a certeza eu faria num site do Bloco de Esquerda. Mas vai à luta e isso é sinal de nobreza. É também útil a este blog, porque faz o contraponto das nossas opiniões e personifica a política que aqui se desaprova.Será portanto melhor para todos que deixemos de lado remoques e agravos. É muito conhecido o pensamento de alguém que relatava a sensação de perdoar a outrem: “É uma sensação de libertação, como a de soltar um prisioneiro. E só então percebi que o prisioneiro era eu”.O Tecelão não tem propriamente que ser perdoado. Mas havemos de persuadi-lo a abrir os olhos a realidade, fechando os ouvidos à propaganda. O facto de ele redarguir-nos é já indício que intui razão no que lhe dizemos. Como se diz em marketing, “dá sinais de querer comprar”.Vamos irritar-nos com o que verdadeiramente merece, esta opressiva situação do País. Não uns com os outros, que a sofremos afinal.Um abraço amigo doManuel

          1. Conseguiu convencer-me com a sua argumentação. Deixarei de afrontar o tecelão (não as suas ideias, que contrariarei sempre que delas discordar).Acredite, com a devida consideração doJorge

          2. That’s the spirit! :-)Um grande abraço doManuel

      2. O mote era o subsidio de desemprego,mas você virou-se para as reformas. Não contrariou o direito que o trabalhador tem ao subsidio de desemprego.Ao abordar a questão das reformas fiquei á espera que atacasse os verdadeiros parasitas da Seguraça Social,que acumulam obscenas reformas,começando por Cavaco que papa TRÊS!!!

        1. Oh caro Tecelão, francamente, isto nem parece seu! Então resolveu imitar o Newton e pôr-se a brincar com as tais conchinhas, abstraindo-se do enorme oceano perante si? Ou seja, vamos reduzir a conversa (ou atribuir-lhe a ruína) da Segurança Social às pensões que Cavaco recebe? Claro que é injusto e muito. Tal como são as do Pina Moura ex-PC (o Soares também foi militante do PC, lembra-se?), Mira Amaral, Constâncio, do Coelho (ex-MES), tutti quanti que andam por aí a trabalhar enquanto recebem a reforma, coisa absolutamente interdita à minha mulher-a-dias.Quando começou por nomear Cavaco, ainda julguei que iniciasse a lista por ordem alfabética, mas depois lembrei-me do Alegre (que consta arrecada 3 também) e vi que não podia ser. Então seria porque Cavaco as tinha mais copiosas que ninguém? Ocorreu-me o montante ciclópico que aufere o gonçalvista Silva Lopes (leia o comentário do XXI s.f.f) e achei que por maioria de razão deveria tê-lo mencionado em vez do presidente Afinal talvez fosse porque são imerecidas – pois não acredito que o refira antes de todos apenas por animadversão pessoal – e disso não sei, com toda a honestidade, não sei pronunciar-me.Cavaco Silva não é propriamente um homem a quem eu preste culto ou devoção, porque está longe de ser um estadista a sério, se é que ainda os pode haver nesta Europa que se afunda em perplexidades existenciais. Errou em muitas opções da governação. Mas é para mim incontroverso que em competência, autoridade e lisura (os 3 principais requisitos de um chefe) ficou muito além de Soares, Guterres, Durão, Santana e este de agora. Sem comparação.E não fez melhor porque Soares se serviu das suas presidências abertas para sabotá-lo quanto pôde e pelo PSD também foi torpedeado não poucas vezes, por motivos que seria moroso e até desnecessário mencionar, de tão óbvios e actuais que são.No que respeita ao âmago da questão, também me parece que o Tecelão se refugia em especiosidades que não lhe conhecia. Então as reformas nada têm a ver com o subsídio de desemprego? De onde pensa que procede o dinheiro para este, não é do que se junta para aquelas?A não ser que também acredite que ele vem trazido pelos ventos do deserto, como parece suceder ao nosso primeiro-topmodel, que anda de mão estendida no Magreb, convencido que o Kadafi e os outros nasceram ontem.(Conhece o episódio do Soares com o Kadafi, recentemente narrado pelo Medina Carreira? Se não o ouviu ainda, peça que lh’o conte, porque é eloquente de como Soares governou).

          1. ’touché’!O Senhor é… um SENHOR (leia-se Líder).Tenho de reconhecer, por muito que me custe, que além de culto, é sóbrio, equidistante na análise (isento) e, sobretudo, transparece humanidade.Parabéns!

          2. Peço desculpa,mas o senhor está a tomar a medicação que o seu médico lhe prescreveu?Eu acho que aquele alemão de nome arrevesado anda por aí a fazer das dele,não se alarme,isso pode acontecer a qualquer um,mas para seu bem tome os remédios.Só referi Cavaco,por ele ser um simbolo da Nação,como tal deveria ser um exemplo.Tudo o resto deve-se á falta da medicação!!!

          3. Prezado ManuelB, Certamente já se apercebeu que há personalidades cuja “formatação” é defeituosa, sem qualquer possibilidade de “recuperação”.Disse-lhe, outrora, que não afrontaria “bestas”, mas tão somente discutiria ideias. Mantenho o prometido.No entanto, não posso omitir que um “chouriceiro” (dedicava-se à “venda” de chouriços e “enchidos”) que exercia a sua “actividade” entre Tábua e Penalva do Castelo é uma “grande besta”!Um abraço.

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