Numa importante entrevista dada ao “Diário de Notícias”, o juiz Rui Rangel deixou muitas dicas dignas de nota.
Seja-me permitido destacar duas:
1. O jornalista repara que, em cima da secretária do senhor, há meia dúzia de papéis. Perguntado porquê, o juiz responde que não deixa atrasar processos, mesmo que tenha que trabalhar fora de horas;
2. O juiz é presidente de uma organização, de seu nome, salvo erro, “Juízes pela Cidadania”, que se preocupa com a competência e a celeridade da justiça, sendo, nas suas palavras, “corporativa” no bom sentido.
Do dito em 1., conclui-se que, se os juízes trabalhassem mais um bocado, as coisas estariam muito melhor. A culpa do estado calamitoso em que a justiça está, afinal, não é, ou não é só, do “processo”, dos advogados, da sociedade…
Do dito em 2., conclui-se que, se os juízes se preocupassem mais com a qualidade e a celeridade dos serviços que prestam ou deviam prestar à sociedade, em vez de se multiplicar em sindicatos e reivindicações (como se fossem os metalúrgicos ou os electricistas), é óbvio que a situação seria muito melhor. As palavras do juiz Rangel, mesmo não o dizendo, são uma condenação das organizações sindicais de magistrados.
Só é pena que o juiz Rangel, embora ache que, na próxima, não vai votar PS, ainda ponha algumas reticências a esta decisão…
António Borges de Carvalho

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