Dando evidente satisfação a uma inegável encomenda do poder, três altíssimos representantes da nata da nossa imprensa, todos funcionários do semanário chamado “Expresso”, juntaram-se para, com pompa e circunstância, entrevistar o cidadão dito primeiro-ministro.
O que o homem disse não interessa, já que não passou do habitual optimismo bacoco e propagandeiro que o caracteriza e com a repetida repetição de estar pronto para tudo, isto é, para toda e qualquer trapalhice que o aguente no galarim. Nada de novo.
O que merece referência é o tratamento dado à verborreia do artista. Fotografia a toda a altura da primeira página, mais duas no caderno principal, primeira página da Revista, com capa integral e mais 12 páginas e um sem número de fotografias. Um autêntico fartote.
Mas o “Expresso” não é parvo. Para dar um ar de independência, põe, em cantinhos da primeira página, uns mimos: “IPO paralizado”, “Doenças de adultos disparam em crianças”, “Falhas em 96 carros de combate aos incêndios”, “Realizados só 20% dos corredores anti-fogo”, “INEM sem capacidade para chamadas de emergência”…
Por outras palavras, a fim de disfarçar o formidável tratamento da encomenda da central de propaganda do governo, vai de pôr umas verdadinhas que a contrariam.
É a mestria dos jornais sem cara.
12.8.18

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