Uma preocupação social que muito tem afligido este conservador liberal é a de saber qual a designação dos cônjuges nos casamentos homossexuais. Quando se trata de homens, chamar-se-ão marido A e marido B, ou há um que faz de fêmea, designando-se por “esposa”. Mutatis mutandis, sendo duas as consortes, conhecer-se-ão por Mulher A e mulher B, ou há uma que faz de macho, e será o “esposo”?
Vem isto a propósito de uma “boca” do impossível Rodrigues do Santos que, ao referir-se ao cabeça de lista do PS no Porto, reconhecido pederasta, disse que o dito tinha sido “eleito ou eleita”. Coitado do Rodrigues dos Santos, a braços com a falta de nomenclatura apropriada. É que o tal respeitável senhor é casado com um americano do sexo masculino. Serão os dois “esposos”, ou “esposas”? Legítima dúvida que terá assaltado o pivô e o terá levado a dizer o que disse.
Facto é que anda para aí um charivari dos diabos, que o tipo foi ofensivo, homofóbico, de “uma indignidade chocante e absolutamente inadmissível”, que estão em causa os direitos humanos, etc.
Tanto barulho quando o que está em causa são imperdoáveis omissões lexicais e dificuldades de a língua se adaptar aos novos tempos. A indignação do IRRITADO vai toda para os nossos linguistas, que são capazes de parir o acordo ortográfico mas não conseguem expressões que evitem problemas como o do Rodrigues dos Santos e, afinal, de todos nós.
9.10.15

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