IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


HÁ A AUSTERIDADE

 

Estamos todos mergulhados na austeridade.

 

Há quem tenha percebido porquê.

Há quem ainda não tenha percebido.

Há quem tenha percebido mas faça de conta que não percebeu.

Há quem aceite por achar que não há outro remédio.

Há quem não aceite porque acha que há outro remédio, embora ninguém saiba, ou diga, de que remédio se trata.

Há quem ponha as culpas para o Pinto de Sousa.

Há quem ponha as culpas para o Passos Coelho.

Há quem ponha as culpas para a dona Ângela.

Há quem ponha as culpas para o servo da dona Ângela.

Há quem ponha as culpas para os dois.

Há quem ponha as culpas para a “Europa”.

Há quem ponha as culpas para o Barroso.

Há tudo para todos os gostos.

 

Há uma vasta série de portugueses a quem a austeridade, pelo menos em parte, se não aplica: os que têm rendimentos mais ou menos miseráveis.

 

Há outra, também vasta, categoria de portugueses que acha que está fora da coisa, isto é, que a austeridade, boa ou má, necessária ou não, se aplica aos outros, não a si.

   Por exemplo:

Há os militares, que recusam ceder um milímetro e se metem na política como se fossem um partido. Os mais deles, se ainda houvesse Forças Armadas dignas desse nome, já tinham sido mandados para a peluda, quisessem ou não, por falta de respeito para com a hierarquia, para com todos nós, para com a Nação que juraram defender (mesmo com sacrifício – da vida (?!), não dos tostões).

Há os magistrados, que chegam ao cúmulo de usar a Constituição para defender os seus interesses corporativos e fazem reuniões e manifestações contra o governo. Ninguém, a começar pelos líderes da corporação, os mete na ordem.

Há médicos e enfermeiros que querem mais horas extraordinárias.

Há secretários de estado que contratam uns tipos e, burros que nem uma casa, dividem o bolo por 14 em vez de dividir por 12.

Há os tipos dos autocarros e os dos comboios, os dos barcos e os dos aviões. Tudo gente a quem, no seu alto critério, a austeridade não se pode aplicar.

Há os tipos da CGTP, da mesma opinião, desta vez com desculpa uma vez que, seja como for e na circunstância que for, estão contra, acham que a sociedade serve para lhe pagar o que eles querem, e para os fazer trabalhar o menos possível, ou nada, sem prejuízo dos aumentos.

 

Há os que “justificam” as atitudes desta malta toda.

   Por exemplo:

Há os ideólogos do PC, que acham tudo mal, e com razão, porque só achariam bem se fossem eles, só eles, a mandar. Mesmo que estivesse tudo a morrer de fome, era em nome da construção do socialismo, e pronto.

Há os teóricos do BE, que postulam ideias gordas com inteligência magra.

Há os tipos do Seguro, que acham que está tudo mal, mas não têm a mais remota sombra de ideia de como poderia estar bem.

Há os malabaristas do Pinto de Sousa, que acham que o Seguro está tão mal como o resto, e que sonham com a manhã de nevoeiro em que o seu padroeiro há-de regressar de Gália no seu cavalo às riscas, cheio de diplomas e de dinheiro.

Há uma menina, completamente tonta, que manda a austeridade para o Tribunal Constitucional.

Há os pachecos pereiras, que são da mesma opinião, ainda que mais “intelectualizada”.

Há, qual cereja no toutiço do bolo, um Presidente da República que acha a austeridade uma chatice, se aplicada a si mesmo.

 

Há, finalmente, o governo, que não tem outro remédio senão ir fazendo o que faz, na esperança que resulte. Resulte ou não, a culpa não será dele.

 

17.2.12

 

António Borges de Carvalho



3 respostas a “HÁ A AUSTERIDADE”

  1. Há outra, também vasta, categoria de portugueses que acha que está fora da coisa, isto é, que a austeridade, boa ou má, necessária ou não, se aplica aos outros, não a si. Por exemplo:Catroga (ícone dos “nomeados”), com valor de mercado (diz ele, contrapondo a quem diz valor da “merda”).Esqueceu-se, ou foi de propósito?

  2. À categoria em bom tempo recordada pelo XXI, acrescento ainda outra: os que acham que devem estar fora da austeridade, porque sempre foram austeros consigo mesmos. Ou que, pelo menos, nunca criaram – nem APROVARAM – os calotes (mais juros) que hoje lhes são cobrados. Eu pertenço a este grupo. Nunca me endividei à tripa-forra, e sempre votei nulo. Nunca sancionei nenhum Governo, pelo bom motivo de nenhum dos partidos ou candidatos elegíveis me merecer qualquer voto de confiança. Não querendo parecer presumido, julgo que os resultados confirmam a minha opinião. No entanto, vivo e dependo desta sociedade, não vivo numa caverna, logo, tenho de aceitar as regras do jogo. As regras são estas: se não escolhi de livre vontade, então escolhi por omissão. O meu voto nulo, e a minha discordância, valem ZERO. Como contribuinte, sou automaticamente co-responsável pelos desvarios dos eleitos. Regras são regras. Então, de que me queixo? Apenas de duas coisas. A 1ª queixa é contra mim: ainda cá estou. Ainda pago cá impostos. É imperdoável. A 2ª queixa é contra as regras. A CANALHA POLÍTICA (perdoe, Irritado) eleita e reeleita pela carneirada, continua a saquear e a arruinar o país a seu bel-prazer, alegremente impune. O meu papel começa e acaba no pagamento das suas “políticas”. Para PAGAR, estou cá eu, e todos como eu. Já para o resto… e lá voltamos à 1ª queixa. Quem me manda não ter já emigrado?

  3. «Quando um cego conduz outro cego ambos vão cair no barranco». S. Mateus Com cegos irritados as quedas são mais fatais. Com que então está tudo nos militares, nos juízes , etc. Nos gangs de robins e xerifes que constituem os partidos políticos da esquerda (na mó de baixo) da direita (na mó de cima) nada. Saberá o sr . Irritado qual a massa monetária transferida da classe média para a classe alta nos últimos cinco anos através do orçamento do estado e das grandes empresas públicas e privadas com saques ao orçamento, à Caixa Geral de Depósitos, etc. etc. e o saque feito a pensões, salários, património (senhorios) e, pasme-se até, a lucros (as empresas de táxis compram em economia capitalista e vendem em economia socialista). A ignorância é de um atrevimento sem limites!

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