IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


GREVE 1

 

A Volkswagen, pelo mundo fora e, por maioria de causa, em Portugal, não lida com sindicatos, mas com representantes dos seus empregados.

Carradas de razão, se pensarmos que os sindicatos não representam mais que uma pequena minoria de trabalhadores. Quaisquer continhas, das que por aí andam bem escondidas, farão jus a esta afirmação.

Apesar disso, não deixam os sindicatos de se arrogar o direito de representar universos laborais sem qualquer mandato para tal, onde a circunstância de cada um é subsumida pelo chamado “interesse geral”, por eles (sindicatos) estabelecido.  Em total ilegitimidade democrática, negoceiam e subscrevem contratos em nome de terceiros (pessoas!), mandam fazer ou não fazer greves a seu bel-prazer e escolha, não têm ligação que não seja generalista com a realidade de cada empresa, etc.. Isto com o apoio e a legitimação do poder político. Vá-se lá perceber e aceitar.

A Auto-Europa quebrou esta linda tradição, propondo-se dialogar com representantes propriamente ditos, não com os arménios da nossa praça. Coisa inaceitável para os tais arménios, cheios de raiva por lhes ser negada a oportunidade de desestabilizar, acabar com o diálogo, prejudicar o que for prejudicável – com excepção única dos seus interesses corporativos e políticos.

A realidade, como tem sido largamente divulgado, é a seguinte: o ambiente de razoável cooperação estabelecido desde os anos noventa entre gestores e outros trabalhadores da VW levou a que a empresa progredisse e se tornasse no que é hoje: mais de três mil empregos, posição cimeira no PIB e nas exportações do país. Tudo coisas inaceitáveis para os arménios e para os seu patrões, por fugir à lógica da terra queimada e da “paixão” pelo trabalho que caracterizava o bolchevismo, o nazismo e outras maravilhas do passado, como o hoje caracteriza, por exemplo, o castrismo ou o kimilsumismo.

Os arménios viram, com ódio crescente, a empresa anunciar projectos de expansão a valer muitos milhões e prever mais uns dois mil postos de trabalho a prazo não muito distante. A fúria chegou ao auge.

Até que, num momento de inexplicável descontentamento, e com a liderança da CT a passar à reforma, a oportunidade de ouro surgiu e o Kim Arménio apontou armas. Posta de lado a CT, aí está ele a exigir sentar-se à mesa e a fazer os ensaios de mísseis que não hesitará em disparar. Enquanto os trabalhadores checos e de outras parte abrem garrafas de champanhe, a malta, por cá, vê posta em causa uma das mais importantes joias da economia do país.

É pouco provável que a Auto Europa feche. Mas, projectos de futuro, viste-los. Os calculados dois mil novos empregos são já letra morta. É assim que os arménios e os seus chefes protegem os trabalhadores, actuais e futuros.

Quando os “pais” dos arménios estavam no poder, inventaram uma coisa a que deram o nome de “sabotagem aconómica”, que levou muita gente à prisão e estancou o progresso industrial do país, ao qual se supunha vir a democracia a dar maior alento.

Agora, que a democracia já não é a que eles queriam – mas ainda sofre por causa deles – que dizer do que se passa, senão que se trata de sabotagem económica, desta vez sem aspas?

 

5.9.17



8 respostas a “GREVE 1”

    1. tipo "ovos da páscoa" (coelhos)?

  1. Tudo certo, só não percebi: «a “paixão” pelo trabalho que caracterizava o bolchevismo, o nazismo»… Primeiro, na URSS e na Alemanha nazi a malta fartava-se de trabalhar (que remédio!), mais do que qualquer Autoeuropa. Segundo, continua a juntar comunismo e nazismo na sua panela imaginária da “esquerda”. Está farto de saber que o nazismo baniu sindicatos e encheu banqueiros; que jamais se centrou na luta de classes; que era elitista e xenófobo, o oposto do internacionalismo comunista; que queria as mulheres em casa e não na fábrica; etc etc. Debalde. Para demonizar a esquerda e branquear a direita, atropela a História e a lógica como um acelera em noite de copos. Quanto à Autoeuropa e ao Arménio, tudo bem. Escusava era de louvar tacitamente a alegria com que os mamões mudam as fábricas.

    1. Por um lado, como diz o amigo banana, os extremos tocam-se. Por outro, sendo facto que os métodos e “razões”, ou “justificações”, o apelo foi sempre o mesmo, a quem trabalha, aos “descamisados”, à luta de classes ou contra judeus e quejandos, a tirania é a tirania, dita que seja de esquerda ou de direita. Qual é, substancialmente, a diferença ente Aushwitz e o gulague?

  2. Proponho que fale da "greve" dos enfermeiros especialistas em partos patrocinada pel bastonária da OE.

    1. Acham que o sr. António (e respectivos sequazes) diriam algo sobre a "patrocinadora" dessa "greve"? Esperem sentado (assim não se cansam)!!!Com efeito Ana Rita Cavaco (ao tempo, simplesmente Enfermeira, hoje "especialista") foi assessora do Secretário Adjunto da AGRICULTURA do (des)GOV de Santana!!!Uma enferemeira a tratar de assuntos agrícolas!!! Perceberam gandas bananas (ou nabos)?

      1. Era do PSD?

  3. Avatar de Francisco do Vale
    Francisco do Vale

    Muito bem explicado.Os sindicatos representam-se a eles próprios: dirigentes e delegados sindicais(ironicamente, na função pública, é o próprio patrão que lhes paga o ordenado e os mantém na carreira sem que trabalhem lá, antes pelo contrário, só aparecem para desestabilizarem e fazer greves ) O objectivo final é contribuir para a manutenção de, quanto mais trabalhadores pobres, melhor.Descaradamente são eles próprios que o dizem. A Autoeuropa é uma empresa próspera e que paga bem aos seus trabalhadores.Isso não convém aos sindicatos.

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