O mui ilustre e cultivado director do jornal “SOL”crates insurge-se, com toda a justiça, contra o nacional bota-abaixismo, contra as pessoas que “esbracejam, barafustam, lamentam o estado caótico da educação, a falta de perspectivas da economia, a lentidão e a arbitrariedade da justiça “. As opiniões desta gente são, no parecer do grande dirigente da imprensa nacional, as mais das vezes, nada menos que “grotescas”.
Deste brilhantíssimo raciocínio, parte o arquitecto para judiciosas considerações sobre o facto de Portugal não mudar evoluindo mas só o fazer aos sacões (as guerras liberais, o 5 de Outubro, o 28 de Maio, o 25 de Abril…). Tem razão.
O problema é que parte daí para considerar que quem não gosta do governo e dele diz as últimas, além de “grotesco” é, objectivamente, um golpista potencial. Ora como os golpes não se justificam, o que o senhor pretende inculcar nas pessoas é a ideia de que o melhor é não dizer mal do governo. Até porque, e cito, noutras ocasiões, “a par da crise económica havia uma situação social gravíssima”. O que equivale a dizer, subliminarmente ou não tanto, que o senhor Pinto de Sousa tem toda a razão quando diz que não há crise nenhuma, nem económica nem social.
Como é que um comentador tradicionalmente digno de atenção chega a isto, é coisa que bem merecia uma investigação jornalística. É que não há fumo sem fogo.
António Borges de Carvalho

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