IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


FIGURÕES

A República foi feita por figurões e vive de figurões.

Veja-se o que foi dito pelo respectivo Presidente e pelo da CML.


Cavaco fez um discurso que caberia no palavreado do grão-mestre do GOL, do semi-chefe do BE ou até do camarada Jerónimo, se fosse PR, para não falar de qualquer jacobino mais ou menos primitivo. Valeu de tudo: palavreado socialista/republicano/maçon em catadupas. Recurso à tão propalada “moral republicana”, coisa que tal gente, e mais ninguém, saberá o que é. O 5 de Outubro e o 25 de Abril “são lugares de memória”, presume-se que de boa memória, enquanto símbolos da “aspiração por um Portugal mais livre e democrático, mais justo e desenvolvido”. Como se o 5 de Outubro tivesse libertado libertado outra coisa que não o poder das alfurjas, como se a data fundadora da democracia da III República, até ali mergulhada na luta pró e contra a sovietização do país, não fosse o 25 de Novembro. Desfiar de lugares comuns da cartilha, déjá vu de miríficas intenções. Acima de tudo, uma data de marteladas no cravo, já que o acusam de só as dar na ferradura.

Depois das abébias para o Tribunal Constitucional e depois deste discurso, ainda haverá quem diga que o PR “está por conta” do governo? Há. Sabem porquê? Porque quem o diz di-lo-á sempre, seja em que circunstância for. Cavaco bem pode fazer discuros bacocamente republicanos, bem pode fazer olhinhos às esquerda, ao PS, ao PC, bem pode proclamar bem alto os princípios da “moral” republicana, que jamais tal gente lhe perdoará ter sido eleito. Não lucra nada com isso.


O discurso do Costa foi uma agradável surpresa. Pelos vistos, na boa tradição republicana, bater nos seus é porreiro. Anda para aí o oco a dizer que, com este governo, nem bom dia nem boa tarde, e vem o Costa falar de “construção de uma estratégia nacional”, coisa que “só será verdadeira… se recolher amplo apoio parlamentar e social”. Ele diz “não a secundarizar a democracia” e tendo-a “como referência”, quer que trabalhemos para nos “unirmos e mobilizarmos” com o objectivo de “vencer este impasse”.

Querem melhor maneira de dizer que o Seguro é uma besta?


O que é acusado de ser de direita fez olhinhos à esquerda. O que quer ser chefe da esquerda defendeu acordos “estratégicos” com a direita. Maneira lógica e coerente de comemorar o 5 de Outubro. Deve tratar-se de ditames da moral republicana…


6.10.13


António Borges de Carvalho



4 respostas a “FIGURÕES”

  1. Uma dúvida: se os «figurões» são apanágio da República, então os reis, príncipes, duques, barões, marqueses, condes e viscondes são o quê? Figurinhas? E outra: por que é que continuamos a confundir a República (e a tal misteriosa “ética republicana”) com o regime podre que vigora em Portugal, gerido por uma classe política abaixo de cão? Se amanhã trocarmos o Presidente por um Rei, esta classe política não mudará por magia – os partidos, os “aparelhos”, os governantes, os deputados, os autarcas, os assessores, os boys, os salta-pocinhas entre público e privado, tudo continuará na mesma. Na mesma podridão.

    1. É claro que nada disso mudaria por obra e graça do Rei. Passávamos era a ter uma referência verdadeiramente independente e nacional, coisa que não faz parte da natureza dos eleitos… que representam parte do efémero e nada do permanente.

      1. Posso estar errado, mas sempre vi essa necessidade de símbolos, de referências, de entidades agregadoras, como um sintoma de certa carência de individualidade. Todos nascemos onde a nossa mãezinha nos quis e pôde ter, não onde escolhemos. E todos morremos sozinhos, um dia, geralmente também não por nossa escolha. Só o que fazemos entre as duas datas é de nossa lavra – repito, o que fazemos, não o que herdamos já feito ou predeterminado. Não preciso de uma pátria, de um rei, de uma religião, de uma ideologia, ou até de um clube, para me sentir mais completo e integrado no mundo. Se pensarmos um bocadinho tudo isso é efémero, tal como nós. Soa niilista, ou a filosofia barata? Admito que sim, e não insisto.

        1. OK. Mas o país é suposto viver uns anos mais do que nós… e isso não há quem simbolize.

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