É verdadeiramente indigno, injusto, irracional e doentio que o senhor Mário Soares não desista de dizer inverdades e asneiras.
Deram-me – não compro – a revista “Visão”, publicação pouco interessante que o senhor Balsemão tem nas bancas.
Então não é que o senhor Soares, cronicando, se vem gabar que foi ele quem começou as privatizações em Portugal?
Esquece-se de se gabar também que foi ele quem as atrasou, entre 1982 e 1989. Só ele, mais ninguém que para tal tivesse poder. Gaba-se de ter feito o que acusa os outros de estar a fazer. Com ele, as privatizações (depois de 89…) eram legítimas e fundamentais. Feitas pelos outros, são condenáveis.
Acha que a venda, pelo Estado, de acções de uma empresa privada, é uma privatização.
Esquece-se do que terá aprendido em rapazinho.
Confessa-se defensor da economia de mercado. Mas acrescenta que nem por isso.
Acha que o Estado deve manter fortes posições de proprietário, o que, para ele, é a posição ideológica de um verdadeiro social-democrata.
Esquece-se do seu pai político, o malogrado Olof Palme que, sendo um social-democrata de referência, abominava as incursões estatais na economia, coisa que reduziu a menos de 5%. Esquece-se de Helmut Schmidt e de tantos outros, que fizeram triunfar a social-democracia sem precisar de fazer do Estado patrão dos cidadãos.
Parte do princípio que o dinheiro a receber pelo Estado a partir das privatizações vai ser mal gasto.
Esquece-se de se ver ao espelho, e ao seu partido, em matéria de dinheiro mal gasto.
Acha que o “povo” tem que ser “ouvido” nestas específicas matérias.
Esquece-se da sua tão propagandeada como, pelos vistos, mitigada fé na democracia representativa e na legitimidade do poder.
Esquece-se que não perguntou nada a ninguém quando impediu que se fizessem privatizações, como se esquece que nada perguntou fosse a quem fosse quando as fez. Talvez ache, mais uma vez que, sendo dele, o poder de privatizar é legítimo, sendo de outrem, não o é. Com ele, não era preciso “ouvir a vontade popular”, seja lá isso o que for. Com os outros, eleições não bastam, não conferem poder nem legitimidade, têm que perguntar às “massas”, que disso muito sabem, desde que lhe dêem a resposta “certa”.
Em suma, quando a cegueira política lho exige, esquece-se do que lhe der jeito esquecer e inventa o que estiver a dar, sem cuidar de mentiras, invenções ou meias verdades.
O IRRITADO não entrará na argumentação de alguns caridosos amigos e inimigos do senhor Soares. Uns e outros dizem que, coitado, o senhor está velho, já não sabe o que diz, falha-lhe a memória…
Tudo mentira. O senhor Soares nada tem de coitado, sabe o que diz, memória não lhe falta. Aldraba e tergiversa segundo as suas conveniências.
Nada tem de patético, nada diz que mereça o benefício da dúvida.
Não tem perdão.
30.12.11
António Borges de Carvalho

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