Dir-se-á que o Expresso é um ódio de estimação do IRRITADO. Não é verdade, mas conceda-se.
Por falar em Expresso, vem à baila mais uma vez o dossier Bairrão, o tal que protegia o Pinto de Sousa no caso TVI e que foi corrido por Passos antes de tomar posse.
Ontem, o Expresso titula em manchete de altas parangonas: Fugas de informação nos serviços secretos, seguido de um lead que reza: Ex-director do SIED terá passado informação à Ongoing antes de ser contratado… Passos foi apanhado numa guerra de interesses. Na página 2, título igual ao lead: Director do SIED terá passado informação antes de sair. E, no texto, outra vez a mesma coisa: terá passado, e mais não sei quantas vezes terá passado.
Atente-se, antes de mais, na fortíssima certeza, na intocável veracidade da notícia: terá passado repetido pelo menos três vezes. Não se sabe se passou se não passou, confessa o Expresso, pondo as barbas de molho.
Bonito.
O Expresso enche a primeira página, a página 2 e a página 3, com informação que não faz ideia se é verdadeira ou falsa. Três páginas de confessas suposições, de cobras e lagartos sobre um tal Jorge Silva Carvalho, um “espião” sem escrúpulos, ao serviço de homens sem escrúpulos.
E mais. A pena ilustre do Costa (irmão do outro e, pelos vistos, parecido) vem rematar, com uma seriedade a toda a prova, que o primeiro-ministro, por causa de um relatório do SIS, correu com o Bairrão. O ilustre plumitivo não esclarece se foi por causa disso ou se “terá sido”.
Tudo isto é miserável. Ninguém sabe, ainda menos o Expresso, se o tal Carvalho levou ou não levou consigo informações secretas. Ninguém sabe, ainda menos o Expresso ou o seu director, se o governo correu com o Bairrão por causa dos “espiões” ou por outra razão qualquer.
Como parêntesis, diga-se que, se o Primeiro-Ministro indigitado pediu (terá pedido?), aos serviços secretos, informações sobre os eventuais futuros membros do governo, fez muito bem e estava no pleno direito de o fazer. Entre outras coisas, é para isso que os serviços servem.
Nada disto (as “notícias” do Expresso) tem ponta por onde se lhe pegue. Trata-se de conjecturas, insinuações, teorias da conspiração ou pura manobra político-empresarial.
O IRRITADO não faz ideia de quem seja o tal Silva Carvalho. Não conhece a Ongoing de parte nenhuma, nem o seu chefe, nem tem estima ou o seu contrário por nenhuma das referidas entidades, ou por entidades próximas ou afins.
Mas há coisas que são do domínio público.
É do domínio público que a sociedade proprietária do Expresso atravessa dificuldades.
É do domínio público que há fortes divergências entre a Ongoing e o senhor Vasconcelos, por um lado, e a Impresa e o senhor Balsemão, por outro.
Mais coisas há que são públicas e notórias. Não é preciso referi-las para perceber o “jornalismo” que o Expresso, desta vez com o rabo de fora, costuma fazer.
É pena.
24.7.11
António Borges de Carvalho

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